Doce Vampiro
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 Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee

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AutorMensagem
Nathy Guimarães
Chegando a Forks
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 15 Out 2010, 00:17

OMG....mais!

B ta d+ a história*;
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@Stteffs
Conhecendo os Volturi
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 15 Out 2010, 11:35

Perfeeeeeeeeeeeeita
Continua
=D


Campanha : Jake, se toca e cai fora vc sobrou na história


Por trio Alec o Trio mais cute do Dv
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http://neverfall-in-love.tumblr.com/
Naelê
Conhecendo Edward
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 18 Out 2010, 10:14

Ta perfeitoooooo
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Gabyy PaTTz team suiçaa
Caçando James
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 25 Out 2010, 19:30

PERFEITOOO
to triste ja ta akabandooo....mas to feliz JAKE/NESSIE vai ter seu final felizz!!!! Very Happy I love you >}
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Lullaby
Na cafeteria, admirando os Cullen
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 26 Out 2010, 08:39

Querida B. posta logo ....ta perfeito!

Bjosssss
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fmolive
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 05 Nov 2010, 01:32

roendo unhas....
tá demais... posta logo
parabéns pela sua estória
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Naelê
Conhecendo Edward
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qua 10 Nov 2010, 06:07

B.
Posta logo a outra parte.
Por favor Shocked
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 12 Nov 2010, 18:25

posta please nao aguento maiss I love you
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Bells Swan
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 15 Nov 2010, 20:46

Ameii quero maiis rumrum' ,
Posta logo amoor . >}
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Fazendo amizade com Jacob
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qua 17 Nov 2010, 08:49

continuação completa

O chão de pedra estava negro, as casas queimadas até não sobrar nada, montes de escombros, a fumaça impregnava tudo, nublava o céu. Alec e Willian seguiam pela rua estreita, Jacob os seguia silencioso, suas patas grandes agitando a fuligem do chão enquanto passava. Do alto dos telhados que resistiram ao incêndio, eu os observava lá embaixo.
O rastro de sangue da criatura formava uma trilha de migalhas que nos levaram diretamente para ele. Estávamos tão perto que eu podia sentir o cheiro fétido de seu corpo. Ele havia perdido muita velocidade com os ferimentos, e agora corria desnorteadamente por Volterra, dando voltas, procurando por algo entre as ruínas.
Então, subitamente, ele começou a correr e correr, acelerando para o centro da cidade. De lá do alto eu o vi mancar, ele não se curava tão rápido quanto os lobos, e isso era bom, significava que eu poderia feri-lo inúmeras vezes antes de mandá-lo diretamente para o inferno.
Comecei a correr também, me equilibrando nas vigas dos telhados e nos muros de pedra, a criatura aumentou o ritmo, eu saltei para o chão, me juntando aos outros. Estávamos quase alcançando o maldito quando a fumaça cedeu lugar a outros cheiros.
- Aro. – Murmurou Willian.
- E Jane. – Falou Alec.
- Meus pais estão aqui também. Ótimo.
Ouvimos a criatura grunhir, vozes se misturarem no vento, palavras que nos alcançavam como sussurros. E então alcançamos as vozes, e quase no mesmo instante eu vi o rosto de Aro e Jane do outro lado da praça. A fonte de pedra os separava de meus pais, Carlisle, Zafrina e Benjamin. Estavam encurralados feito ratos, não podiam contar com a criatura que sibilava enlouquecida para qualquer coisa que se movesse a sua volta. A cada passo que o monstro avançava em qualquer direção, Benjamin o continha fazendo voar tijolos de pedra e escombros perdidos pelo chão, a criatura já bastante ferida, grunhia e se afastava.
- Ah, vejam quem está viva ainda, minha querida Renesmee. E vejo que trouxe meu Alec de volta para mim. – Disse Aro do outro lado da praça. A torre da igreja pairava como uma grande sombra atrás de mim. Alec e Willian ao meu lado direito, Jacob no lado esquerdo, parecíamos algum tipo de grupo de reforços ou algo assim, mas eu me sentia distante daquilo tudo, só conseguia ver o rosto de Jasper em minha frente, aquela última imagem dele, eu só queria acabar com aquilo de uma vez e poder me sentar em algum canto e ficar de luto por ele.
- Cale a boca Aro, eu não tenho tempo para suas merdas agora. Tenho uma besta para queimar antes de você. Espere sua vez. – Eu falei, enquanto observava a criatura no meio da praça, pesando as possibilidades de aproximação. Aro riu, aquela risada enfadonha e desdenhosa.
- É justamente disso que se trata o nosso impasse aqui. – Disse ele satisfeito. – Veja bem, seu pai não pode encostar em mim enquanto não tiver certeza do que fiz com Alice, e ao mesmo tempo, ele não pode tirar o que quer de minha mente. – Um sorriso afetado brincou no rosto de Aro. – Entende o quê quero dizer minha querida? Vamos passar o resto de nossa eternidade aqui. – Disse ele exibindo uma satisfação soturna enquanto me encarava.
- Talvez não demore tanto quanto você imagina. – Falei, me movendo cuidadosamente em direção de meus pais. A criatura grunhiu, mas não se moveu de sua posição.
“Pai, nós encontramos Alice. Ela está com Emmet e...Jasper perto das montanhas.” Tentei organizar meus pensamentos de modo coerente, sem deixar escapar a pontada de dor que atravessava minha mente. Meu pai assentiu de modo discreto, deixando-me ver que entendia. Arrisquei mais alguns passos para perto deles, enquanto vigiava a criatura no centro da praça. Aro me observava do outro extremo, estava silenciosamente desconfiado de minha atitude. “Precisamos terminar logo com isso pai, os humanos estão vindo para cá.” Ele me olhou de esguelha, o rosto rígido como uma máscara, e deu seu primeiro passo em direção de Aro e Jane. Os outros o olharam confusos, sem saber o quê estava acontecendo ou o quê deveriam fazer, então eu continuei caminhando em direção a eles, e um a um, eu os toquei e transmiti as notícias. Minha mãe estremeceu quando viu em sua mente o rosto de Alice. Estava secretamente aliviada, feliz. Zafrina manteve-se inabalável, aquilo era algo normal para ela. Benjamin enrijeceu, Carlisle baixou a cabeça, ponderando consigo mesmo.
- O quê você está fazendo? – Murmurou Aro do outro lado, enquanto assistia a aproximação cautelosa de meu pai em sua direção. Uma pontada de pânico cruzou suas feições quando Jane se colocou em sua frente. Era agora, eu pensei, isso termina aqui.
- O quê está fazendo meu jovem? Não vê a tolice que está prestes a fazer? – Aro se movimentava, agitado, desconcertado com a expressão inabalável de meu pai enquanto se aproximava lentamente dele, Aro via o que todos nós estávamos vendo naquele momento: seu fim. Por mais que Jane pudesse protegê-lo por alguns poucos minutos, ela não seria capaz de enfrentar meu pai numa luta direta, não com seus poderes bloqueados por minha mãe, e Aro sabia disso. Eu só não entendia por quê Jane não fugia, por quê ficava ali, sabendo que iria morrer também? Não pude evitar olhar para Alec. Ele estava prestes a assistir a morte de sua irmã, sua única família mortal e imortal. Se eu não lamentasse tanto por Jasper, creio que teria lamentado isto.
Meu pai hesitou um pouco ao se aproximar do meio da praça, onde uma pilha de destroços obstruía o pavimento, ele chutou alguma coisa de seu caminho, e quando olhei novamente para seus pés, percebi que era a cabeça de Demetri ali, entre restos de casas e cinzas. Ele tirou algo do bolso também, em seguida falou, com a voz tranqüila:
- Sabe qual é o problema com os lobisomens Aro? – Ele acendeu o pequeno isqueiro prateado, arremessando-o na pilha de entulho diante de si. Aro o fitava sem nenhuma expressão legível nas faces. – Eles não se curam tão rapidamente quanto os lobos e não se juntam novamente como nós. Mas sua pior falha é... Eles sangram.
A pira acendeu com uma língua de fogo que se alastrou rapidamente, lambendo e estalando os cabelos dourados de Demetri, desintegrando as partes imortais que se confundiam com tudo o mais naquele bolo de escombros. A criatura soltou um guincho nervoso e tentou correr, Willian e Alec rapidamente se postaram nas saídas do círculo que formava a praça central de Volterra, obrigando a criatura a permanecer ali, onde seria queimada junto com os restos de Demetri. Pensei secretamente quem teria liquidado o rastreador Volturi, teria sido meu pai?
Aro, àquela altura, era uma estátua imóvel, observando todo seu castelo de cartas desmoronar diante de seus olhos gananciosos.
- Você não pode fazer isso. – Balbuciava ele. – Como irá recuperar sua irmã, hein? Como vai encontrá-la sem mim? – Sob o pequeno corpo de Jane, Aro recuava, diminuía, era patético. Era aquilo que Jane estava protegendo? Aquele verme covarde e desonrado? Eu não podia entender a obsessão dela.
- Alice está a salvo, Aro. Nessie a encontrou nas montanhas. Isso significa que você já pode morrer e pagar por tudo que fez. – Disse meu pai, retomando a caminhada tranqüila.
- Impossível. – Disse Aro, os olhos vermelhos quase pulando das órbitas. – Impossível.
Enquanto eu olhava o rosto lívido de Aro, eu senti um tremor me rodear, de súbito pensei ser Benjamin, mas logo percebi que o tremor vinha de dentro de mim e não do solo. Pisquei algumas vezes, reiterando o foco, respirando a fumaça pesada que emanava da pira à minha frente. Então meu coração acelerou o ritmo, e a sensação de estar sendo lançada no ar me envolveu. Estava acontecendo de novo, e agora, eu estava indo diretamente para a mente de Aro. Atraída como uma pequena mosca. Eu estava lá, presa nas teias emaranhadas da mente dele. As imagens eram tantas... Milhares de pensamentos roubados de outras mentes, milhares. “Por favor pai, veja isto.” Eu pensava, enquanto tentava me firmar naquelas memórias estáveis. Um turbilhão rodopiava a minha volta, uma rebelião de vozes e rostos infindáveis. Aro estava desesperado, não conseguia pensar nem resistir à minha invasão. Eu nem tinha certeza se ele sabia que eu estava dentro de sua mente, sugando qualquer coisa que eu pudesse alcançar. Porém, a mente dele tinha o gosto do desespero, um teor obscuro se derramava à minha volta. Ele estava quase entrando em colapso, e se eu não fosse rápida o suficiente para quebrar a ligação, eu sucumbiria também.
“ Então temos um trato. Eu lhes dou a vidente e vocês me dão o filho da lua.”
“ Sim, temos um trato. Mas só por curiosidade Aro, o quê pretende com aquela criatura? Faz mais de dois mil anos que eles adormeceram sob as esfinges, refugiados da luz e das fogueiras das cidades em ascensão. Seria prudente despertar um mal tão abominável e infeccioso como aquele?”
“ Ora Vladimir, você e Stefan não vão querer bancar os puritanos agora não é? Muito menos com alguém que conhece seu passado sangrento. Eu sei muito bem como vocês governaram o mundo imortal quando estavam no poder. Se Marcus não os tivesse banido com seus exércitos, duvido muito que ainda houvessem humanos neste planeta, em cinco séculos vocês quase drenaram a Europa inteira.”
“ É verdade, nunca negamos nosso real interesse e nosso verdadeiro caráter, isso é algo que você sabe fazer muito melhor que nós. Mas negócios são negócios, e eu e Stefan estamos muito interessados nessa vidente, desde aquela fatídica manhã em que os Cullen receberam sua honorável corte em Forks. É simplesmente divino o quê aquela criatura pode fazer. Consegue imaginar Aro? O futuro do mundo em suas próprias mãos? Espanto-me até agora ao pensar em sua proposta. Afinal, quem em sã consciência trocaria aquele belo espécime imortal por um monstro fedido e que ainda por cima não pode ser controlado?”
“ Está querendo me fazer mudar de idéia Vladimir? Eu tenho planos para aquela criatura.”
“ Tem haver com os Cullen, não tem? Você está obcecado por eles, posso ver isso em seus olhos Aro. Mas creio que seria muito mais fácil mandar seus gêmeos bruxos atrás deles. Com um poder assim nas mãos, quem precisa de um lobisomem? É muita sujeira para limpar.”
“ Ah meus queridos, pode-se ver que não sabem muito sobre esses filhos da lua.”
“ E por quê deveríamos? Enquanto estiverem longe de nossas fontes de alimentação, não há nada neles que desperte nossos interesses. Você por outro lado deve se interessar muitíssimo, afinal, foi você quem liderou a chacina que quase exterminou todos eles.”
“ É verdade, sim. Em todos aqueles anos em que eu e Caius passamos caçando esses demônios, eu pude aprender muito sobre eles. Coisas terríveis, meus caros, criaturas realmente terríveis.”
“ Mas então você teve que deixá-los para outra hora não é mesmo Aro? Você tinha um golpe de estado para articular, e isso era infinitamente mais importante do quê caçar cachorros à luz da lua.”
“ A reunião acabou. Na próxima lua cheia eu quero receber os mapas das tumbas e os papiros secretos que vocês roubaram do Vaticano. Digo novamente que isso é uma perda de tempo, tudo seria mais prático se simplesmente me deixassem tocá-los e ver por eu mesmo as localizações.”
“ O trato é este Aro. Você fica fora de nossas mentes, nós ficamos fora de seu caminho.”
“ A vidente chega em Volterra na terça-feira. Estejam prontos.”
As palavras escorregavam para dentro de mim como água suja, imagens lamacentas. Os rostos se acendiam e se apagavam, enquanto passavam pela linha tênue que me segurava lá dentro.
- Ness, saia! – Gritou meu pai.
- Está tudo bem pai. – Consegui dizer à ele com dificuldade. – Eu só preciso... só preciso encontrar o antídoto. – Eu lutava para ir mais fundo na mente de Aro, mas o turbilhão me arrastava por lugares distantes, me soterrava em memórias desconhecidas. Eu não conseguia fazer minha mente ir para onde eu queria que ela fosse, eu me forçava ao máximo para me manter firme enquanto dizia a mim mesma que devia isso à Alice. Eu tinha que encontrar o pensamento que me daria o poder de salvar a vida de Jasper. Segui a trilha das imagens obscurecidas que mostravam tudo o que Aro fez com a criatura durante o tempo que o manteve preso nas masmorras de Volterra. Torturas, infindáveis sessões de torturas nas quais Jane o deixava inconsciente no chão, com espasmos chacoalhando seu corpo esgotado. E a fome. Aro o deixou sem uma só gota de sangue, até a noite terrível em que o alimentou com o coração ainda vivo de Nahuel. Fui adiante, cada vez mais fundo no lodo da mente de Aro.
Vi o quê ele fez com o pobre Nahuel também, vasculhando cada parte de sua extrutura, revirando sua mente e seu corpo como se procurasse por algo. Mas o quê? O quê?
- Ness, saia. Você ainda não sabe controlar isso. – Gritou meu pai novamente. E quando eu encontrei a porta que me levaria mais adiante, tudo sumiu. Abri meu olhos e encarei o rosto sereno de Willian diante de mim.
- Não há nada lá. – Murmurou ele, tocando meu rosto.
- Eu ia encontrar Will, eu estava perto. Libere meus poderes, nós ainda podemos salvá-lo. – Eu falei, lutando com as lágrimas e com a frustração de ter falhado novamente.
- Olhe para ele Ness. – Disse Willian, afastando-se de mim para que eu visse o corpo de Aro tombado no chão. – Aro finalmente perdeu. Ele não tem mais nada que possamos tirar dele. - Aro estava de joelhos, e tremia... O rosto lívido fitava meu pai com um desespero mudo. Jane estava lá ainda, como um escudo protetor para aquele monte de lixo.
- Vamos acabar logo com isso. – Sussurrou Willian, enquanto colocava em minhas mãos um pequeno punhal prateado e um isqueiro que trazia cravado em ouro o V de Volturi, o brasão real daquele poder que terminaria ali. Assenti, silenciosa, olhando novamente para Aro e observando meu pai se aproximando de Jane como uma sombra gelada.
Assim como eu sabia que aconteceria, Jane resistiu apenas três minutos, na qual a maior parte do tempo tentou afastar meu pai de Aro, incitando-o a segui-la para dentro da cidade. Então meu pai agarrou-a pelo pescoço e Jane se debateu como uma onça selvagem, agitando as pernas no ar, sibilando enquanto tentava se livrar do aperto de aço em sua garganta. Meu pai hesitou por um instante, e mesmo sem entrar em sua mente eu sabia o porquê. Ele estava lendo todos os sentimentos de Alec e Jane naquele momento, estava sentindo o quê eles sentiam, estava sendo a vítima e o carrasco. “Força pai, você sabe que é o único jeito” Pensei, sentindo o peso daquelas palavras enquanto observava o rosto aflito de Alec. “Ele fez a escolha dele. Ele sabe que foi a escolha dela.” Eu não sabia se dizia aquilo para mim mesma ou para meu pai.
- Edward, termine. – Disse minha mãe. Os sibilados de Jane se misturavam com os da criatura que se encurralara sob a sombra gigantesca da igreja. Eu sentia que não podia mais suportar ouvi-los, eu só queria que tudo aquilo terminasse de uma vez.
- Você tem a chance de viver Jane. Não precisa morrer por isso. – Disse meu pai, virando o corpo suspenso de Jane de frente para Aro. Ela o olhou enquanto se debatia, seu rosto delicado contorcido de ódio.
- Vá para o inferno Cullen. Eu vou te mat... – Meu pai torceu o pescoço delicado e arremessou o corpo pequeno de Jane contra as paredes de pedra. O estralo revirou meu estômago, mas assim mesmo me obriguei a olhar seu rosto inexpressivo virado para trás. Meu pai não queria matá-la, por algum motivo ele hesitou, eu me perguntava o quê ele viu na mente dela que o impediu de queimá-la ali mesmo. Ninguém entendeu o por quê ele fez aquilo, mas eu duvidava que era apenas por quê ele queria aproveitar melhor sua morte.
Quando tirei meus olhos do rosto de Jane, Aro já estava nas mãos de meu pai. Preso da mesma forma que Jane, pelo pescoço, dependurado como um frango de abate.
Dei as costas para aquela cena, eu não me interessava mais pela morte de Aro, só queria que estivesse feito, terminado, esquecido. Ao invés de vê-lo morrer, eu precisava terminar com outra existência destrutiva, e o filho da lua não iria ficar ali, me esperando para sempre.
Porém, quando me virei na direção da criatura, eu senti uma presença silenciosa se aproximando, vindo pelo interior da igreja. Pensei ser só impressão, mas Jacob também virou focinho na direção da igreja, e Alec também percebera, então eu não devia estar imaginando. Seria uma de nós? Com toda aquela fumaça eu não podia captar o cheiro.
A criatura parou de urrar por um momento, estava sentindo a presença também, mas logo se colocou em movimento novamente, rodeando as portas da igreja, sibilando e parando de vez em outra para lamber um ferimento que corria sangue.
- Temos compania. – Eu disse, quando tive certeza que havia alguém vindo em nossa direção. Todos se colocaram em alerta novamente, e meu pai segurou o corpo de Aro contra a parede com um estampido metálico.
- É Marcus. – Disse Alec, que estava mais próximo.
- Pai? – Disse Willian, se aproximando o máximo que a criatura permitia da entrada da igreja.
- Irmão. Irmão venha me ajudar. – Gritou Aro, enquanto se debatia nas mãos de meu pai.
Marcus sabia que a criatura estava bem ali, obstruindo a porta a qual ele se dirigia. Então por quê não arrebentava a lateral da igreja? Por quê não saía por uma janela? Ele por um acaso estava imaginando que aquele monstro iria dar licença para quê ele pudesse cruzar a maldita porta?
- O quê ele está fazendo? – Eu disse.
- Não sei. – Respondeu Willian. – Mas temos que pará-lo, caso contrário ele vai sair diretamente para os dentes daquele bicho. – Willian começou a procurar um jeito de se aproximar, e enquanto ele gritava para Marcus se afastar da porta, eu pensava por quê diabos eu deveria ajudar a salva-lo? Marcus poderia não ser o demônio que Aro era, mas consentiu em tudo que ele fez, se omitiu a todas as barbaridades dele. Isso não fazia de Marcus um bom candidato em minha lista de salvamentos. Bem, era tarde demais. Marcus tocou a porta, abrindo-a com um rangido agourento, a criatura se virou furiosa com a proximidade súbita, se ergueu nas patas traseiras, sibilando e parou bem ali.
Tive que piscar meus olhos para ter certeza de que não estava tendo um curto circuito em meu cérebro. Todos estavam imóveis em seus lugares, inclusive Willian que tinha no rosto a expressão mais desesperada que eu já vira em suas feições. Que -sou bonzinho e não uso palavrões no fórum alheio- havia acontecido?
- É típico de você Aro. – Disse Marcus, passando pelo corpo paralisado da criatura. – Se esquecer dos detalhes mais importantes e sempre menosprezar os conhecimentos antigos. – Marcus tocou um cordão de prata que pendia sobre seu manto negro e caminhou lentamente, segurando uma pequena pedra leitosa pendurada na corrente. Eu não conseguia desviar meus olhos por muito tempo da criatura. Ele estava consciente, seguia Marcus com os olhos escuros com toda calma que eu jamais julguei ver naquele monstro. Como era possível? O quê Marcus tinha feito com ele?
- Sinceramente, não sei o quê vi em você Aro. Você nunca foi um bom conselheiro e nunca será um bom líder para nossa espécie. Não sei por quê o deixei ir tão longe. – Marcus parou no centro da praça e ficou olhando o rosto contorcido de Aro, encarando-o. Aro fitou a pedra entre os dedos pálidos de Marcus.
- Pedra da lua? – Sussurrou Aro com dificuldade.
- Sim. Pedra da lua. Um mineral tão insignificante, tão desprezível. Era tudo que você precisava para controlar um filho da lua. – Marcus falou.
- Não, não. Você está mentindo. Nada pode controlá-los. – Disse Aro se debatendo novamente.
- Você nunca me ouviu Aro, sempre achou que eu era um louco obcecado por uma morta.
- Isso não importa mais! – Gritou Aro. – Tire-me daqui Marcus. Tire-me daqui e vamos reconstruir nosso clã.
- É tarde demais Aro. Tarde demais para nós dois. – Disse Marcus dando-lhe as costas.
Não sei por quê não dei importância para aquilo no momento, talvez eu tenha pensado que Jane não se moveria mais quando a vi imóvel no chão, o pescoço torcido e os olhos apagados. Quão estúpida eu fui. Eu tinha feito exatamente o quê Jasper me pedira para jamais fazer. Eu abaixei a guarda, todos nós abaixamos. Mas agora era tarde, como disse Marcus, e Jane já estava ali, de pé novamente, atacando Marcus com sua tortura mental. Marcus gritou e se dobrou no chão, Jane agarrou a pedra e a arrancou de seu pescoço. Willian gritou, correu até lá, tentou agarrá-la, mas Jane já estava lançando sua maldição sobre meu pai, que largou Aro enquanto segurava a cabeça entre as mãos, gritando:
- Bella! – Então minha mãe reagiu, recolocou o escudo que havia sido recolhido, mas Jane já corria pelas vielas de Volterra, arrastando Aro atrás de si. Correu como se estivesse correndo do próprio diabo. Ela levou Aro, a pedra da lua e toda esperança que eu tinha de terminar aquilo antes da noite cair sobre nós.
- Maldita! – Eu grunhi, me lançando atrás dela. Quando eu estava perto o suficiente para lançar a adaga que trazia nas mãos, Jane estacou, virando-se de súbito para mim. Ela me olhou nos olhos, enquanto afagava a pedra da lua entre os dedos, como se procurasse um botão secreto. Enquanto eu a observava girar a pedra entre os dedos pálidos, eu ouvi o grunhido bestial cortar o ar e tilintar em meus ouvidos como facas.
- Njegovo jezo opekline moon otroka – Jane sussurrava, fitando meu rosto com os olhos mais frios que eu já vira.
- Jane, pare. – Eu sussurrei para ela, sentindo um pressentimento soturno se apoderar de mim.
- Isso, querida, destrua-os. Destrua a todos! – Incitava-a Aro, segurando-a pelos ombros, acariciando seu rosto com as mãos pálidas.
- Njegovo jezo opekline moon otroka – Jane repetia, um sorriso soturno crescendo no canto de seus lábios. Eu não reconhecia aquela língua, mas sabia que nada de bom estava sendo proferido com aquelas palavras cheias de maldade.
Atrás de mim, a criatura urrava e eu podia ouvir a movimentação dos outros enquanto tentavam detê-lo e permanecerem vivos.
- Pare, você vai matar seu próprio irmão? – Eu disse a ela quase implorando. Jane me fitou com aqueles olhos vermelhos e disse, sem nenhuma emoção transparecendo em sua voz:
- Eu não tenho irmão. E você também não terá mais nada. – Disse ela, enquanto a pedra da lua era erguida no ar, refletindo a luz opaca do céu nublado.
Então eu ouvi o barulho oco de corpos sendo arremessados, e tive que desviar meus olhos de Jane e Aro. No meio da praça a criatura avançava sobre todos, levantando uma onda de destruição por onde passava. Alec estava tão perto... Meu pai, minha mãe, Carlisle, Zafrina, Benjamin, Jake... Eles lutavam com suas vidas. Até Marcus estava lá, enfrentando a derradeira morte. Ver aquilo, todo aquele horror, toda aquela violência... Presenciar aquele momento quebrou algo dentro de mim. Naquele momento eu percebi o quê significava ser um imortal num mundo de humanos. Nós éramos os monstros.
Com os pensamentos ainda turvos e o coração acelerado, eu vi a bravura de Marcus, séculos de imortalidade e força, ele parecia um fantasma pairando entre os outros. Avançava sem temer a morte, e talvez não temesse de fato. Eu sabia que não poderia fazer nada para ajudá-los naquele momento, e sabia também que teria de ser responsável pela morte de Aro e Jane. Ninguém mais poderia terminar aquilo. Apenas eu. Apenas eu e meu punhal inútil.
Então eu me virei para eles novamente, estava pronta, ou pelo menos era o quê eu gostaria de pensar.
- Vamos terminar isso de uma vez Aro. – Eu disse. Aro sorriu, aquele sorriso ofídico, aquela pele poeirenta se esticando nos cantos dos lábios. Ele afagou os ombros de Jane mais uma vez e disse, correndo os olhos para mim:
- Minha querida, já acabou. – Disse ele, gesticulando suas mãos longas para a luta que explodia atrás de mim. Por um momento eu não entendi a piada. Realmente não entendi a expressão no rosto de Jane e de Aro, embora jamais pudesse esquecê-las.
Foi o silêncio quem me alertou. O silêncio que precede o grito, a imobilidade que precede a queda, o ar suspenso como se o próprio tempo se recusasse a correr depressa. Aro sorriu novamente, uma última vez, e desapareceu de minha vista com Jane, tão rápido quanto uma nuvem de poeira se desvanece no ar. Acredito que meu corpo tenha sentido antes de minha mente se dar conta do que havia acontecido, pois minhas pernas tremiam enquanto levavam meu corpo para trás. “Olhe” dizia algo em minha mente, mas eu não conseguia obedecer.
Então os gritos abafados chegaram até meus ouvidos, apertando minha garganta como mãos invisíveis. “Olhe. Olhe e veja.”
- Tirem ele daí. Tirem logo. -sou bonzinho e não uso palavrões no fórum alheio-, -sou bonzinho e não uso palavrões no fórum alheio-... – Gritou Benjamin, apavorado.
- Jake, quebre o pescoço. – Alertou minha mãe. Então veio a ruptura e o sangue. O gorgolejo sufocado, o rugido morrendo sob as mandíbulas do lobo.
E muitos pares de mãos arrancando, partindo, quebrando, torcendo...e a pilha cresceu rápido. O sangue logo se infiltrou nas pedras, formando poças, espelhos escuros, fétidos.
O cheiro ardeu em minhas narinas, nublou meus sentidos por um breve momento. As mãos de Alec ainda sustentavam o corpo tombado no chão. Eu não queria olhar para ele, não queria sequer pensar em seu nome, não conseguia me aproximar. Olhei para Marcus, ajoelhado ao lado de seu filho, o rosto trazendo à tona as velhas marcas do sofrimento, da perda.
- Filho. – Murmurou ele, sem coragem de tocar em seu corpo. – Por quê fez isso? Por quê não se salvou ao invés de mim? Eu já estou morto, meu pequeno príncipe.
Só havia perdão na morte? Ele poderia ter chamado Willian de filho enquanto ele ainda respirava, enquanto ainda lutava para fazer a coisa certa, enquanto ainda desejava o perdão de seu pai. Agora não importava muito, não é?
Alec me olhou de lá, daquela parte longínqua da realidade que eu não queria alcançar. Parecia que todos olhavam para mim, esperando algum tipo de crise histérica. Mas eu calei todos os gritos e lágrimas que todos esperavam de mim. Ao invés disso, acendi o isqueiro que eu apertava numa das mãos, e andei, um passo por vez, até a pilha fétida de membros e ossos da criatura. Enquanto o fogo subia, expelindo mais daquela fumaça pesada, eu selava toda dor dentro de mim. Rápido, precisava ser muito rápido, antes que minha consciência se desse conta, antes que minha mente assimilasse aquilo.
Willian morreu protegendo Marcus, como Jasper morreu protegendo Alice. Pelo menos eles deram suas vidas por alguém em quem acreditavam, alguém que amavam. Isso era certo, não era? Era nobre, eu suponho.
- Ness, precisamos ir agora. As autoridades estão entrando na cidade, já noticiaram o incêndio na televisão. – A voz de Carlisle soprou a névoa de pensamentos incoerentes nos quais eu me perdera não sei por quanto tempo. Dei as costas para o fogo, sentindo uma estranha vontade de olhar para o rosto de meu avô, de memorizar novamente cada detalhe que havia se apagado um pouco nos últimos meses. Mas meus olhos pousaram mais adiante, naquela cena distante que me alcançaria a qualquer momento.
- O quê vão fazer com ele? – Perguntei, sem me dar conta. Carlisle olhou para o corpo de Willian, deitado sobre as cinzas do pavimento.
- Marcus vai deixar a companheira humana dele decidir o quê fazer. – Eu assenti.
- Uma humana saberá o quê fazer com o corpo semi-morto de um imortal? – Minha mente fazia as perguntas sem que eu tivesse tempo de pensar sobre elas, as palavras saíam, rebelando-se aos poucos.
- Nenhum de nós sabe o quê fazer no momento Ness. Esse é um novo mistério para nossa espécie, ninguém vai responder nossas perguntas por que ninguém têm as respostas.
- Ninguém é? – Eu falei, enquanto me afastava dali, pensando em tantas coisas que não era capaz de pensar em nada precisamente. Mas por baixo de toda escuridão que se apoderara de minha mente, eu sabia aonde deveria ir para encontrar as respostas que Carlisle julgava perdidas.


***


Em Montalcino, eu conheci o imortal responsável pela evacuação dos humanos de Volterra. Tratava-se de um sujeito alto, magro e com feições soturnas. Era dinamarquês e controlador de mentes, assim como eu e meu pai. Não me lembro de seu nome, mas devo ter ficado admirada com a extensão dos poderes dele, fazer mais de duas mil pessoas seguirem para fora de sua cidade no meio da noite era algo incrível. Admirável, porém não me lembro de tê-lo dado os parabéns, ou o agradecido.
Tânia e Kate estavam lá também, e Gareth, e Eleazar...infelizmente a companheira dele, Carmem, também havia sido morta pelos Volturi, assim como as irmãs de Zafrina – Kachiri e Senna. A perseguição Volturi atingiu proporções maiores do que eu imaginava. Soube mais tarde que o clã de Benjamin havia sido dizimado, ele fora o único sobrevivente. E assim como os egípcios, os clãs da Irlanda e os nômades também haviam sido caçados – e mortos. A limpeza de Aro varreu o mundo até chegar aos Cullen.
Quando a noite chegou, quase todos os aliados já haviam partido, levando consigo as notícias da destruição dos Volturi e da fuga de Aro e Jane. Dias difíceis estavam por vir. Depois do quê acontecera com os Cullen, o mundo imortal temia as conseqüências da mudança no poder e quase todos apostavam na idéia de que Aro não se conformaria com sua nova condição de foragido procurado. Depois da farsa revelada, imortais do mundo inteiro viriam saudar suas dívidas com o ex-líder Volturi. Aro tirou muitas vidas enquanto esteve no poder, e como já é conhecido no caráter de nossa espécie, um imortal não perdoa a morte de um companheiro. Se eu seguisse esse critério, eu teria que passar o resto de minha vida caçando Aro e Jane.
Acredito que não seja muito mais fácil para um humano perder um companheiro, embora eles tenham uma mente muito mais evanescente que a nossa. Humanos superam, humanos perdoam. Imortais caçam e queimam algo para curar suas feridas. Era isso que eu esperava enquanto observava Lavínia se debruçar sobre o corpo de Willian – que ela superasse. Nunca imaginei que um humano pudesse gritar tanto e depois de olhar em seus olhos desesperados e turvos de lágrimas, meu consolo de que ela pudesse esquecê-lo se desvaneceu. Embora fosse insuportável permanecer ali, testemunhando o desespero daquela humana, foi muito mais difícil para mim encarar Alice.
Não sei quem deu a notícia sobre a morte de Jasper para o resto da família. Não fui eu.
Eu só observei silenciosa a família se reunir em volta do corpo dele, enquanto o traziam para dentro da casa onde estávamos.
- Creio que ele gostaria de ser enterrado em sua cidade natal. – Comentou Carlisle. Eu não prestava atenção na conversa discreta que ele tinha com meus pais e Esme no canto da sala.
- Jazz vai para casa comigo. Ninguém vai enterrá-lo numa vala no meio do Texas. Tenho certeza de que se ele acordar num caixão ele vai ficar de mal humor por um ano inteiro. – Disse Alice, entrando na sala com seus passos leves, a voz soando alarmantemente normal. Olhei para ela, sentindo meu estômago doer enquanto a observava afagar os cabelos louros de Jasper que repousava num sofá velho. Aquilo nos olhos dela era mesmo esperança? Tive que tomar um pouco de ar depois disso.
- Nós vamos encontrar um meio de trazê-los de volta. – A voz de Jacob me alcançou no vazio da noite. – O doutor disse que vai estudar esse veneno. Se há uma cura, ele vai encontrar. – Ele não estava fazendo eu me sentir melhor. Jacob se sentou ao meu lado na balaustrada da varanda e por um momento que se estendeu por um quarto de hora, nós mergulhamos num silencio confortante e eu apenas fiquei ali, olhando a noite, sentindo o cheiro dele se misturar na brisa.
- Jake, eu não vou para casa. – Eu disse, depois de me sentir farta demais com meus pensamentos, e embora não tivesse pensado muito sobre isso, eu apenas sentia que não poderia voltar agora, não depois de tudo. Jacob assentiu em silêncio e disse após alguns minutos:
- Eu não sei se onde você vai terá lugar para mim. E apesar de eu te dizer que vou aonde você for, se você me disser que quer ficar sozinha, então eu me afasto, se é isso que quer. – Disse ele.
- Eu não sei aonde vou, eu sei de onde eu estou vindo. Eu não sou mais a mesma Jake e nem posso te dizer quem eu sou agora. – Jacob me observava no escuro.
- Meu coração está onde você está, mesmo que eu esteja do outro lado do mundo, em outro planeta. Se você tem que ir, então vá, eu só acho que não é o melhor momento para estar sozinha. – Mas quando eu olhava para ele, eu queria poder ficar, queria poder ser de novo quem eu era. Mas nada volta atrás...
- Você o ama? – Perguntou Jacob, a voz baixa, tranqüila.
- Acha que é por isso que não quero voltar pra casa Jake? – Falei, olhando-o nos olhos.
- Não foi isso que eu perguntei, mas de qualquer forma você não precisa responder. Vou deixar você sozinha. – Disse ele, se afastando na escuridão.
- Espere. – Jacob parou, voltando-se para mim. Passei minhas pernas para o lado de dentro da varanda e sustentei seu olhar. – Eu não sei.
- Não sabe.
- Não. – Peguei a mão quente que pendia ao lado de seu corpo e a trouxe para perto de mim. Jacob acariciou meu rosto, e a suavidade quase me fez chorar. – Eu não deixei de amar você, e disso eu tenho certeza. – Nos beijamos então, e enquanto eu o observava, de olhos fechados e totalmente entregue à mim, eu senti o quanto aquilo me faria falta e o quão infeliz eu seria sem ele. Desde o primeiro momento, tudo o quê Jacob fez foi abrir mão de sua própria vida para viver em função da minha, todos aqueles anos de espera, tudo que ele abandonou... E mesmo agora, isso era tudo o quê eu podia dar a ele.
Mais tarde naquela mesma noite, uma reunião foi convocada pelos remanescentes e tudo que eu queria, era não ter que participar.
Alice não participou.
Dos quileutes, apenas Jacob e Leah. Os outros voltaram para casa tão rápido puderam.
O clã de Denali permaneceu conosco, assim como Zafrina, Benjamin e o tal dinamarquês hipnotizador. Alec chegou algumas horas mais tarde, depois de instalar Lavínia e o corpo de Willian em uma das casas Volturi. Marcus chegou logo após.
- Antes de mais nada. – Começou Carlisle. – Quero pedir um momento de silêncio e reflexão pelas vidas que foram perdidas nessa guerra.
Ótimo, mais silêncio e reflexão. Isso não traria Jasper ou Willian de volta. Meu pai me lançou um olhar vazio do outro lado da sala. Ele sabia que eu odiava reuniões, eram tão úteis quanto um pato de borracha numa banheira furada.
Enquanto estávamos ali, num circulo patético e imóvel, como estatuetas de pedra num museu, eu não podia deixar de notar os olhos de Alec presos em mim. Havia tantas coisas passando por minha mente, que o barulho entre as paredes do meu cérebro parecia se propagar para fora e desrespeitar o luto de todos ali. Em silêncio, eu ouvia as palavras de Alec, proferidas numa noite escura e fria, se reavivarem em minha mente. “Eu não vou fazer você escolher, e não por quê sou nobre demais para isso, mas por quê sei que você já fez sua escolha.” Naquela noite eu o tinha dito: “você não pode me amar.” E ele apenas me olhou com aqueles olhos perdidos e disse: “É tarde demais pra mim. Eu já te amo e já te perdi antes mesmo de tê-la.” Naquela noite tudo poderia ter sido diferente, mas agora... Agora nada mais poderia ser como era antes. Nem com Jacob, nem com Alec.
A Renesmee que estava diante deles agora, não tinha mais um coração intacto para amar, ou uma mente tranqüila para escolher. Eu tinha chegado num momento em minha vida, em que meu coração teria que ser deixado em segundo plano.
- Essa reunião foi promovida com o intuito de expor a cada um de vocês, todos os fatos que nos trouxeram até aqui. Como todos sabem, estamos em guerra. – Começou Carlisle. – Muitos de vocês não conheceram outro governo em nosso mundo, além do governo Volturi. Eu mesmo sou de uma época em que os Volturi já estavam no poder há gerações, não há muitos que conheçam a origem desse poder e infelizmente, os poucos que conheceram apenas se calaram e aprenderam a temê-los, e isso é conseqüência dos princípios que Aro adotou e consolidou durante os séculos, é tudo que nosso mundo conhece e aprendeu a respeitar. Bem, para aqueles que não sabem, a origem do poder Volturi está aqui conosco esta noite, nesta sala. – Carlisle gesticulou respeitosamente para Marcus, que o agradeceu com um breve aceno de cabeça. Ao redor da sala, vários pares de olhos perplexos encararam o ancião, com exceção de alguns poucos que já conheciam a história de Marcus – como eu e Alec. Marcus então assumiu o discurso, e em sua voz fria e inabalável, ele descreveu tudo, absolutamente tudo. Nunca pensei que eu viveria para ver o dia em que Marcus abriria o cofre lacrado que trazia em seu peito, mas ele falou e falou, e tudo que eu podia visualizar em minha mente era dor, traição e morte. Ouvi-lo falar de Willian, fazia meus olhos arderem, e eu tinha que retesar todo meu corpo para me conter, para manter a barreira de força lá, intacta. Talvez Marcus tenha lutado tanto para conter sua própria dor que terminara assim, vazio. A parte mais irritada de mim mandou minha consciência calar a boca, enquanto tentava se concentrar nas palavras de Marcus.
- ...quando percebi que Aro estava cada vez mais firme no poder, eu já não me importava com o quê pudesse acontecer. Por negligência minha ele moldou minhas leis a seu próprio benefício, por covardia e egoísmo meu, ele caçou, perseguiu e aniquilou milhares de vidas. Aro ampliou o poder Volturi para além de nosso pequeno país, para muito além dos portões da cidade protegida por São Marcus. Os séculos passaram e ele, cada vez mais, se tornava o eixo de tudo. Exércitos ele criou e exércitos ele dizimou, e tudo mascarando-se sob as leis que eu criei para proteger meu povo da praga que nós éramos. Mas Aro não estava interessado em humanos, pelo menos não nos primeiros séculos. Ele estava inebriado pela perspectiva do poder, ele queria adquirir tudo que fosse possível. Desde imortais com poderes patéticos, simples aquisições curiosas, até os imortais realmente poderosos e incontroláveis. – Marcus então lançou um olhar fugaz a Alec no extremo da sala e continuou, juntando as mãos pálidas sob o manto escuro. – E eu não fui capaz de fazer nada. – Uma breve pausa, então ele continuou. – Quando Aro recebeu a denúncia de uma criança imortal sob tutela dos Cullen, ele simplesmente se rejubilou. Era o quê ele precisava, o álibi no qual ele vinha trabalhando desde a visita de Edward à Volterra. Não o via satisfeito daquele jeito desde o dia em que veio me contar sobre os gêmeos que adotara numa aldeia austríaca. E aí começou o inferno. Aro é mais perspicaz que uma formiga operária tentando alimentar sua rainha, no caso dele, seu orgulho. Quando nos deparamos com aquela recepção nem um pouco submissa, Aro teve que improvisar, e mesmo quando nada mais podia ser feito sem extrapolar os limites das boas aparências, Aro não desistiu. Durante todo o caminho de volta, ele calou-se e se colocou a trabalhar em sua próxima teia, o quê, na época, já estava com um andamento bastante acelerado. Aro chegou à Forks com uma idéia e retornou com milhares, estava frustrado e queria agir. Um mês depois, ele colocou a guarda atrás de meu filho, a peça principal para seu plano vingar. – Marcus perdeu-se por um momento em suas próprias lembranças amargas. Eu podia ver nos olhos dele o arrependimento por não ter dito nada de bom à Willian enquanto podia. O silêncio caiu pesado sobre nós, e Eleazar pigarreou discretamente para despertar Marcus de seus devaneios melancólicos.
- O quê Aro pretendia usando seu filho, Marcus? – Perguntou Eleazar.
- Aproximação. – Respondeu Marcus. – Aro precisava se movimentar com seu plano, mas com a vidente vigiando-o ele não podia dar um só passo, isso quase o matou de exasperação. Ele precisava anular esse ônus, e só conhecia uma solução para o problema e apenas uma pessoa capaz de realizar seu desejo. Aro sempre quis pôr as mãos em Willian, desde que ele desertou, desde que soube dos poderes dele, ele procurou o garoto por séculos, mas por fim, não sei bem quando, ele parou, mas quando percebeu que só os poderes de Willian seriam capazes de dá-lo a ponte até os Cullen, bem, então ele se empenhou mais e finalmente encontrou meu filho. A humana foi a chave, a moeda de troca de Aro. Ele obrigou Willian a cumprir um trato que assegurava a vida da humana e o pagamento pelo crime de ter matado Dydime. E Willian aceitou, o quê mais poderia fazer?
Um a um, ele levou o exército de Aro até os nomes de sua lista negra, onde apenas três nomes não levavam à ordem de extermínio imediato. A vidente, a mulher da selva e a filha mestiça dos Cullen. Todos os demais deviam morrer de imediato. E assim foi. Parecia que a sorte estava sorrindo para Aro finalmente.
- E como ele encontrou o maldito filho da lua? Ninguém mais sabia do paradeiro dessas bestas, muitos até pensavam ser apenas lendas. – Perguntou Gareth. Tânia, Kate e Eleazar pareciam questionar a mesma coisa.
- Me envergonho ao confessar diante de vocês que eu nada soube dos planos de Aro até estarem quase completamente concluídos. Pensei que ele e Caius já tivessem superado o ódio que nutriam por essas criaturas. Eles caçaram essas bestas durante muitos anos enquanto eu ainda governava, creio que eles absorveram muitas coisas que nós desconhecemos sobre essas criaturas, mas o próprio Aro chegou a confessar-me uma vez que os malditos haviam sumido da face da terra. Desconheço a fonte de informação da qual ele se utilizou para localizá-los, mas suponho ser um dos antigos.
- Dois. – Falei.
- O quê disse criança? – Indagou Marcus, olhando-me confuso. Ótimo, eu e minha boca grande estávamos novamente sob o foco dos olhares.
- Eu disse que são dois dos antigos. Vladimir e Stefan. Acho que esses nomes são mais familiares a você do que a qualquer um, afinal, foi você quem chutou o traseiro deles do trono. – Eu não havia pensado muito sobre as coisas que vi na mente de Aro, na verdade, levei algum tempo para organizar todo o caos que recolhi daquela caixa preta, mas olhando agora o quadro completo, eu sabia que aquela era uma informação valiosa.
- Não creio que aqueles dois tenham chegado nem há dez quilômetros de Aro ou Volterra. Não passam de ratos, decrépitos, covardes. Eles são bem antigos, é realmente possível que tenham vivido no tempo dos filhos da lua, mas o quê eles ganhariam com isso? – Indagou Marcus.
- Eu vi. – Retruquei. – Na mente de Aro. Eu vi a conversa. Aro ofereceu Alice em troca da localização da criatura.
- A vidente? Impossível. Ele a queria mais do que qualquer coisa, por quê Aro ofereceria algo tão valioso para ele? – Ponderou Marcus.
- Talvez ele planejasse pegar de volta mais tarde, quando conseguisse exterminar todo mundo. – Enquanto eu falava, as coisas se remexiam em minha mente, e havia muitas peças que não se encaixavam, mas eu já não suportava tantas perguntas, não queria mais falar sobre aquilo, eu só queria terminar aquele dia maldito, que parecia nunca ter fim.
Durante as horas que se seguiram, várias especulações e debates se ergueram na sala, que de súbito parecia estranhamente cheia. Minha mente vagava por um espaço atemporal, dando voltas que me levavam sempre ao mesmo lugar. Eu sentia o calor do corpo de Jacob ao meu lado e a frieza penetrante do olhar de Alec sobre mim, e nenhum dos meus pensamentos estavam ilesos dos rostos de Willian e Jasper. A pressão comprimia meus pulmões. Meu pai me observava de longe, tentando não transparecer à minha mãe a preocupação comigo, enquanto trocava informações com Marcus e Carlisle. Aquela discrição dele era o que mais nos aproximava, o quê o tornava meu confidente, meu porto seguro. Eu amava minha mãe, morreria por ela, mas meu pai era meu ponto fraco, ao mesmo tempo que me transmitia uma força sem a qual muitas vezes eu não conseguiria continuar. E ele estava ali novamente, me dizendo com aqueles olhos calmos que tudo estava bem, que eu conseguiria me manter de pé e que ele estava ali, comigo.
Saí novamente para a noite fria, o mais discretamente possível, e cinco minutos se passaram até que meu pai foi a meu encontro. Silencioso, ele se aproximou de mim e tocou meus cachos com os dedos frios. Nossa comunicação dispensava palavras, sempre fora assim, porém naquele momento, eu sentia que precisava dizer alguma coisa, o silencio estava me cortando ao meio. Eu precisava encarar o abismo diante de mim, precisava gritar para ele, mesmo que não houvesse resposta alguma, mesmo que só houvesse os ecos de minha própria voz.
- Como foi? – Perguntei. Meu pai me observava, os olhos vazios e distantes se perdiam em meu rosto. Talvez estivessem perdidos no mar de imagens que se misturavam em minha mente.
- Quer mesmo saber? – Disse ele. Eu precisava saber como Willian morreu, eu não entendia como aquilo tinha acontecido, assim como não conseguia acreditar que não teria mais longas conversas com Jasper ao entardecer. Eu simplesmente esperava olhar para trás e vê-los ali, olhando para mim de algum lugar. Meu pai suspirou, ele não queria fazer aquilo, mas ele precisava. Eu preferia toda dor de uma só vez.
- Nós estávamos fechando o cerco sobre a criatura. Marcus estava chegando perto, mas ele foi imprudente, avançou sem cautela, nós o alertamos, mas ele não ouviu. – Meu pai desviou os olhos de mim e encarou o céu escuro. – Marcus baixou a guarda por meio segundo e a criatura avançou diretamente na garganta, iria matá-lo como matou Caius. Willian entrou na frente, empurrou Marcus de lá e a criatura o agarrou. Jacob abocanhou o pescoço da criatura, mas já era tarde. O veneno já havia contaminado Willian. – Assenti, refugiando meus olhos no horizonte, revendo a cena em minha mente. Ardendo.
- Não teríamos conseguido agarrar aquele animal se Willian não tivesse feito aquilo, e ele sabia, eu estava na mente dele quando ele tomou a decisão de se sacrificar para que nós tivéssemos uma chance. – Ele continuou. - Nós vamos encontrar uma forma de salvá-los. O fato de nunca ter acontecido não quer dizer que é o fim, que não há solução. Quando você nasceu e nós assistimos seu crescimento acelerado, ninguém sabia se iria parar, se iríamos te perder. Mas nós não paramos até saber o quê aconteceria. E mesmo assim você é única em sua espécie agora, leve isso como um lembrete de que há uma primeira vez para tudo, de que há esperança afinal. – Eu queria desesperadamente acreditar naquelas palavras, guardá-las.
- O quê vamos fazer agora, pai? Aro e Jane ainda estão lá fora e eles não vão parar.
- Eu sei, mas eu acredito que Aro não vai tentar nada tão cedo. Ele sabe que o momento é o menos propício possível. Ele vai esperar a maré amansar, sei disso.
- E enquanto isso, o quê faremos?
- Eu lhe aconselho a viver um pouco sua vida Ness. Você acabou de atingir a maturidade e já teve que lidar com coisas tão pesadas. Essa é a segunda vez que você esteve no fogo cruzado. Vá, viva um pouco. Essa não foi a vida que eu e sua mãe sonhamos para você. Resolva essa situação com Jacob e Alec, permita-se um pouco de felicidade. O momento de lutar novamente vai chegar, talvez mais cedo do quê imaginamos. – Eu olhei para ele com uma certa vergonha, um misto de incredulidade e consternação, mas não consegui dizer nada. Eu só queria encontrar uma forma de limpar minha mente, de ficar sozinha por um momento. Era estranho como eu não conseguia ficar com ninguém desde que tudo aquilo explodiu em minha vida.
- Obrigado pai. – Eu disse, quando ele me beijou na testa e caminhou silencioso para dentro da casa. “Eu te amo” pensei. Ele me olhou novamente, um sorriso discreto se abrindo em seus lábios. Era estranho, os olhos dele diziam algo como “sentirei sua falta”, e então eu entendi que ele sabia o quê eu pretendia, mesmo que eu não tivesse pensado naquilo abertamente. Porém, o que mais me sobressaltou foi a confiança nos olhos dele, a compreensão de algo tão difícil para nós dois. Ele estava certo, eu precisava organizar a bagunça que Aro havia deixado em minha vida. Precisava de tempo, de ar, até que a hora de caçá-lo chegasse e eu tivesse que abandonar tudo novamente. E eu sabia por onde devia começar...
- Como ela está? – Perguntei, descendo as escadas até o campo aberto que se estendia ao redor da casa. Alec me olhou e por um momento não disse nada, estava perfeitamente parado, mirando o nada, parecia fazer parte de tudo ali ao seu redor. Como eu pude ao menos esperar que aquilo não seria difícil? Perguntar sobre Lavínia não era nada mais que um pretexto, e ele sabia disso.
- Ela vai enterrá-lo pela manhã, prometi ajudá-la. Ela queria levá-lo de volta para a Rússia, mas eu a convenci de que seria muito perigoso viajar com um corpo que ainda por cima nem é humano. – Assenti, não sabia mais o quê dizer. Minha mente estava estranhamente muda, embora pesasse toneladas.
- O quê vai fazer agora? – Eu não ousava olhá-lo nos olhos, mas ele observava-me atento.
- Marcus me ofereceu o trono. – Disse ele.
- Sério? Pensei que ele fosse retomar a liderança.
- Ele diz que nossa espécie não vai mais aceitar a liderança de um dos antigos anciões e que de qualquer forma, ele não quer mais essa vida, não depois de tudo... – Aquela foi a primeira vez que eu vi um sinal de tristeza nos olhos de Alec, e eu soube que ele também estava sentindo a morte de Willian. Ver aquela dor por trás de outros olhos era reconfortante de alguma forma.
- E você vai aceitar? – Me apressei em dizer.
- Acha que eu deveria?
- Talvez. – Eu falei.
Ficamos em silêncio durante alguns minutos, e eu fiquei imaginando como Alec se sairia liderando a nova ordem Volturi.
- Não sei se conseguiria. – Disse ele.
- Por quê?
- Por quê não é aqui que quero estar. – Ele falou, olhando-me de novo daquela maneira desconfortável.
- Pare com isso. – Eu disse, afastando meus olhos dele. Alec se aproximou.
- Por quê? Por quê foge de mim desse jeito? – Disse ele tocando meus ombros.
- Eu não estou fugindo.
- Sim, você está. Nem mesmo me olha nos olhos. Tem medo do que sente por mim. – Alec estreitou o espaço entre nós e eu pude sentir a respiração dele contra minha pele. Um arrepio percorreu meu corpo com a friagem de suas mãos roçando meus braços.
- Eu amo ele. – Eu disse, afastando suas mãos de mim.
- Eu sei, mas você sente algo por mim. Eu sinto isso. Toda vez que me olha, toda vez que eu me aproximo, toda vez que te toco... – Ele falou, dando um passo atrás e me encarando com aqueles olhos frios.
- Quer saber o quê eu sinto agora? Eu sinto ódio Alec, um ódio tão grande que nem me deixa respirar. Eu vou atrás de Aro e da sua irmãzinha e eu vou matá-los nem que seja a última coisa que eu faça. – Falei, me afastando dele depressa, sustentando meu álibi com minha melhor máscara. Funcionou, afinal. Alec me olhava com o rosto impassível, eu podia ver o pesar em seus olhos vermelhos, tão escuros como rubis brilhando na noite. Eu deveria sair dali, mas minhas pernas não se moviam, estavam presas ao chão, e Alec não dizia nada...
- Eu não vou voltar para casa, não poderia depois de tudo. Não consigo encarar Alice, não consigo fingir que está tudo bem como eles fazem.
- Você pode ficar aqui, comigo. – Disse Alec. Eu ia protestar, mas por um momento eu considerei aquela idéia, sem nem mesmo consentir a minha mente que o fizesse. Eu imaginei como seria, nós dois, reconstruindo o exército Volturi, reerguendo o clã que lideraria todos os imortais dali em diante, pelo resto da eternidade.
- Não posso. – Eu disse. - Eu preciso ir, não sei para onde, mas aqui não é meu lugar.
- Seu lugar é onde seu corpo, sua mente e sua alma desejam estar. – Disse ele.
- É por isso que ele vem comigo. – Falei, virando-lhe as costas.
- Diga-me que nenhuma dessas partes deseja ficar aqui, comigo. Diga. – Mas eu não podia dizer aquilo, não podia dizer nada...
- Então eu sei que você vai voltar. Um dia. – Ele falou, estendendo a mão até a minha. Alec beijou minha mão e colocou um pequeno pedaço de papel entre meus dedos. Não consegui ler o quê ele escrevera, sentia medo de abrir aquele papel, era como ter de encará-lo novamente, e eu simplesmente não podia mais fazer isso.
Enquanto eu me afastava, eu sentia uma parte minha sendo deixada ali. As palavras de Alec se infiltraram em mim como um chamado secreto, como um imã que sempre me atrairia de volta para ele. Caberia a mim encontrar a força para escolher meu lugar. Mas eu não podia fazer isso agora, não naquela noite, onde tudo parecia mais escuro e mais silencioso, onde todas as escolhas pareciam significar vida ou morte. Naquele momento eu só sabia que tinha de partir e que Jacob tinha de vir comigo, por quê eu não podia terminar aquela noite sozinha, eu precisava dele, como precisava de ar. Eu estava cometendo o mesmo erro novamente, mas eu não me importava.
Dali a algumas horas, Willian seria enterrado nos campos de Montepulciano, sob o céu sempre azul e o sol sempre quente, rodeado pelo cheiro do trigo e pela brisa fresca das montanhas. Alec assumiria o trono Volturi e uma nova era se iniciaria para os imortais. Havia esperança pela primeira vez no horizonte, mesmo com as sombras pairando ainda sobre nós. Nada havia mudado muito em nosso mundo, havia ainda dor, sangue e morte nos envolvendo de todos os lados, apenas mais do mesmo. Afinal, o quê todos queriam? Paz ou liberdade? Essa liberdade foi alcançada por um preço alto demais, e nem nos meus mais belos sonhos eu esperava ter paz em nosso mundo, eu vira coisas demais para acreditar numa existência pacífica e mais do que nunca eu estava ciente de que nossa espécie nunca estaria realmente em paz. Agora havia a calmaria, com seus ventos suaves varrendo as nuvens para longe, mas era certo – e eu já esperava - a tempestade se aproximando.
Quando já havia andado algumas horas no meio da noite, peguei o celular que havia ficado no bolso do casaco que Rosalie me emprestara e disquei um número conhecido. Ele estava ansioso quando atendeu, como sempre...
- Onde você está? – Disse Jacob.
- Esperando por você.
- Onde?
- Siga meu cheiro, e se apresse.
Alguns minutos depois a som das patas contra o solo me alcançou no silêncio dos campos desertos, onde a brisa corria livre, carregando as pequenas folhas que se desprendiam das árvores. Jacob mudou de forma e vestia seu velho calção jeans quando veio ao meu encontro.
- Nós precisamos ir. – Eu disse, estreitando-o em meus braços. Ele circundou minha cintura, me enlaçando num abraço quente e apertado e eu respirei fundo, inalando o cheiro dele, deixando-o penetrar em meus poros.
- Aonde vamos? – Perguntou ele, afundando o rosto em meu pescoço.
- Não importa, desde que você esteja aqui.
- Pensei que quisesse ficar sozinha.
- Eu não sei quanto tempo eu ainda tenho, não sabemos quando algo demoníaco virá nos caçar. Essa noite pode perfeitamente ser nossa última, e eu sei com quem eu quero terminá-la. – Jacob sorriu e me segurou nos braços, eu podia sentir o coração dele martelando no peito enquanto caminhávamos pela noite.
Eu não disse adeus a ninguém, esperava vê-los logo. Esperava ter Alice novamente trançando meus cabelos, e Rosalie passeando comigo em seu carro pelas estradas de Forks. Esperava estar com meus pais de novo e ver seus rostos e ouvir suas vozes. Atirar bolas de neve em Emmet, correr pelas florestas de La Push, afundando os pés no solo molhado. Eu contava com aquilo, era minha pequena caixa de segurança, bem ali, em meu peito, escondida sob as sombras frias e as lembranças dolorosas.
Não havia nada mais que pudesse ser feito ali. Depois de todos aqueles meses vivendo nos porões do castelo Volturi, eu estava respirando novamente. Ar. Puro e limpo. Por maior que fosse o buraco em meu peito, eu estava apenas respirando aquela noite.
O medo, a dor, a culpa, o ódio... Todas essas coisas me seguiam, em cada passo, em cada batida do meu coração, mas eu prometi que me manteria a frente delas, na superfície. O mundo continuava, ele não iria parar para que eu juntasse meus cacos, para que eu chorasse todas as lágrimas. Eu estava cansada, mas precisava continuar. Por minha família, por Alec, pelos amigos que lutaram a meu lado e pela pessoa que fazia eu me sentir viva, todo e cada dia.

FIM
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Fazendo amizade com Jacob
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qua 17 Nov 2010, 08:55

Rising Sun - Epílogo
"Finais são difíceis
Qualquer pé rapado com um teclado
Pode inventar um começo,
Mas finais são impossíveis...
Você tenta unir todas as pontas soltas,
mas nunca consegue.
Os fãs vão sempre reclamar
Sempre haverá buracos.
E já que é o final, ele deveria significar alguma coisa
Estou te dizendo, eles são um pé no saco.
Sem dúvidas, finais são difíceis...
Mas, nada realmente acaba, não é?"

Carver "Chuck" Edlund

Obrigado a todos que leram e se apaixonaram por Rising Sun. Eu comecei sozinha, mas hoje estou terminando apenas por que vocês tornaram isso possível!

"B"


Epílogo

Mãe, pai...

Enquanto escrevo essa carta, estou tentando me convencer a não descer até a rua e caçar algum mendigo desafortunado, embriagado demais para desconfiar que perdeu alguns goles de seu sangue enquanto jazia inconsciente em alguma sarjeta.
Até agora tive êxito, quase todas as noites vou para a cama depois de um suculento naco de bife mal passado e batatas. Gosto das batatas, e gosto ainda mais de acordar mais um dia sem sangue em minhas mãos. Tem sido difícil, vocês sabem, viver tão perto deles todo o tempo, especialmente você pai, que conhece o sabor maldito.
Me desculpem por não me despedir, acho que eu não estava muito consciente de minha decisão até tê-la tomado. Mesmo assim, ainda não me arrependo de tê-los deixado. Era preciso, apenas quero que entendam isso.
Quando saí de casa aquela noite - parece que foi a mil anos - com Jake nos meus calcanhares e papai querendo matá-lo, bem, eu não sabia o que estava fazendo, nem onde iria chegar com meus planos idiotas. Acho que pensei que poderia salvar o mundo. Eu era tão tola, tão inocente... O quê quero dizer é que, as coisas já não são como eram, eu não sou mais a mesma. Nada mais será como costumava ser. E por hora, a única coisa que posso dizê-los é, eu sinto muito, mas não posso voltar, não ainda. Tudo pelo que passei, tudo que vi, todas as coisas que fiz... Mãe, pai, eu não posso simplesmente voltar para casa e fingir que nada daquilo aconteceu. Não posso continuar de onde tínhamos parado, por quê eu não sou mais aquela Renesmee, sua doce, inocente e desprotegida filha que nada sabia da vida, e nossa vida, especialmente, têm sido um tanto dura comigo ultimamente. Mas não vou me queixar, pois minha sorte têm sido melhor que a de muitos outros.
Espero que entendam. Como eu poderia voltar para nossa bela casa, para nossa pacata cidade, e retomar uma vida que já não sei viver? Um vida que não cabe mais na pessoa que me tornei.
Como eu posso me sentar numa sala de aula repleta de humanos e fingir que não quero secar todos eles? A verdade é que nós não somos nem podemos almejar ser normais, e isso é exatamente o quê nossa família têm feito ao longo de muitos anos, fingir ser humanos com uma dieta diversificada. Isso é mentira, e eu não posso mais. Não consigo passar meus dias mantendo as aparências, especialmente agora. Se nada disso tivesse acontecido, talvez eu ainda fosse ingênua o bastante para viver a vida de vocês, talvez... Mas agora, hoje, eu não posso ignorar o que somos, o quê sou, e eu não sou humana, apesar de tudo. Esse coração que bate em meu peito pode parecer humano, mas não é.
Acho que já devem imaginar que Jake não vai ficar feliz quando souber dessa minha decisão, e agora me arrependo de tê-lo trazido comigo. Isso foi um erro. Novamente o mesmo. Acho que não herdei sua nobreza, pai, ou tampouco seu altruísmo.Bem, estou tentando consertar isso. Logo pela manhã, quando ele acordar, provavelmente a ligação dele chegará antes desta carta, mas então eu estarei longe. Não foi nem um pouco digno, ou fácil, mas tive de deixá-lo dormindo num quarto de hotel. Eu fugi no meio da noite, não teria forças de dizer adeus, não para ele, e provavelmente ele não teria permitido mesmo assim. Ele vai me procurar como um louco, mesmo lendo o bilhete que deixei no bolso de sua calça, ele vai me procurar, e espero que eu tenha que me esconder apenas dele, por isso essa carta está sendo enviada desde já. Por favor, não venham me procurar. Preciso desse tempo sozinha e preciso honrar com algumas promessas que fiz...
Se virem Jacob, digam a ele que eu o amo. Sei que minhas atitudes não são muito convincentes, mas estou fazendo isso justamente por quê o amo demais.
Sei que vocês entendem.
Nós passamos essas quatro semanas sem rumo, dormindo em hotéis baratos - espero que papai não fique consternado em saber que sua filhinha já partilhou da cama dele algumas vezes – e comendo comida ruim, tão ruim que eu preferiria mastigar as botas velhas de Charlie ao invés daquilo. O que quero dizer é que não foi para isso que resolvi não voltar para casa, eu não pretendia perambular pelo mundo sem rumo, não faz sentido permanecer fugindo de mim mesma e das coisas que aconteceram, e ainda por cima arrastar Jacob comigo. Bem, agora eu sei onde devo ir e sei que preciso deixá-lo seguir sozinho.
Não me entendam mal, mas eu não os direi aonde vou, espero que entendam e respeitem minha decisão.
Por favor, digam a Alice que sinto saudades, assim como sinto de todos, e que lamento por tudo, mas especialmente por não estar ao lado dela agora. Não pensem que não lamento ter de me afastar, mas acreditem, eu tenho. Ademais, preciso de tempo para entender esse novo poder, ele ainda me assusta, e não pretendo deixá-lo me controlar.
Eu sei o quê vocês diriam agora, "não é seguro ficar sozinha", "nós podemos ajudá-la a controlar esses poderes." Tenho certeza que seria mais fácil com vocês, mas seria a coisa certa a se fazer agora? Quero dizer, quando Aro mandou a guarda atrás de mim, eles me levaram enquanto eu olhava em seus rostos. Vocês todos estavam lá e mesmo assim aconteceu. Se eu não for capaz de me proteger sozinha, mesmo com toda proteção de vocês, algum dia alguém vai vacilar, e eu não vou ser capaz de fazer nada. Se eu não controlar essa coisa dentro de mim com minha própria força, o quê eu vou fazer? Se eu não puder me manter viva sozinha, então talvez eu mereça mesmo morrer.
Não me entendam mal, não quero ser rude, mas a verdade é essa, e ela não se tornará mais doce para que eu possa saboreá-la com prazer. Isso é real, é tudo que temos, toda nossa vida. É tudo com que eu terei de lidar agora.
Nem todos têm um final feliz, muito menos nós, que nunca temos um fim de fato. Nós somos imortais, nossas dores, nossos medos, nossas lutas, são imortais também.
Quisera eu que nunca tivesse provado o sabor do sangue humano, ou tirado a vida de alguém. Quem dera eu não tivesse essa sujeira em minhas mãos. Mas eu vi todas essas coisas e vivi os horrores que nossa espécie pode provocar.
Eu lutei com todas as minhas forças, e mesmo assim, eu não pude salvar as pessoas que eu amo. Agora eu sei que o destino de seres como nós nunca encontra o felizes para sempre das histórias que vocês me contavam antes de dormir.
Afinal, eram só histórias, não é, e isso é real. Nós somos reais.
Parece irônico que os humanos não acreditem em nós, que nos achem seres mágicos, que eles almejem tanto ser como nós. Mal sabem eles que nossa imortalidade nada mais é que uma maldição e uma busca eterna. Mas agora preciso continuar a minha própria busca, já disse tudo que vocês precisavam saber. Espero vê-los em breve.
Com amor, sua filha

Renesmee C. Cullen

***
Eu mentiria se dissesse que estava resoluta em partir, que me sentia corajosa diante da perspectiva de não ver minha família e meu Jacob durante um longo tempo, mas eu não tinha escolha. Tinha que terminar o que comecei, e tinha que me acostumar a não pensar mais em Jacob como meu. Eu o estava deixando afinal...
Naquela mesma noite eu tinha estado nos braços dele, o homem que amei desde quando nem sabia o quê amor significava, e enquanto eu queimava de desejo sob o corpo dele, minha mente não conseguia abandonar as lembranças dos últimos meses. Agora, quando raramente eu conseguia dormir, eu tinha pesadelos, e isso, somado a sede constante, me deixava acordada quase constantemente.

Na maior parte do tempo, estar com Jacob era a única coisa que me mantinha sobrea, inteira. Agora, porém, eu teria que me virar sozinha.
Eu pensava muito em Alec também, não havia como pensar em tudo que passei com os Volturi sem me lembrar dele, ou de Willian. Mas eu ainda não conseguia pensar sobre tudo aquilo sem sentir minha cabeça rachar, então eu apenas tentava não pensar.
Alec agora era o governante do novo império Volturi, aquele que zelaria pelas leis de nosso mundo, um mundo de sombras e sangue que se estendia muito além de vampiros e metamorfos, e eu era apenas uma mestiça, perdida nas brumas que encobriam nossa existência da humanidade. Alec e eu nunca estivemos mais distantes um do outro, e eu precisava tirá-lo de vez de meus pensamentos. Eu acreditava realmente que Alec seria um bom líder para nosso mundo, um líder melhor que Marcus, muito melhor que Aro. Ele teria de ser forte agora, nosso mundo estava um caos após a queda do domínio de Aro. Em todos os cantos do globo, os imortais estavam agitados. Os noticiários humanos relatavam quase diariamente novos ataques, assassinatos, seqüestros, desaparecimentos... Eu confiava em Alec para repor a ordem, mas sabia que demoraria algum tempo ainda para que os imortais reconhecessem um novo líder.
Liguei para Rosalie uma semana após ter partido. Meus pais estavam caçando naquele dia, e eu me senti aliviada por não ter de dar-lhes explicações que eu não tinha naquele momento. Rose foi compreensiva comigo, nós conversamos durante algum tempo, ela me contou como estavam as coisas em casa, disse que sentia minha falta, que me mandaria algum dinheiro, então eu agradeci e desliguei. Sentia-me estranhamente covarde naquela ocasião, tinha medo de pensar por quê estava fazendo aquilo.
Agora, porém, eu entendia.
Enquanto selava a carta endereçada a meus pais, eu ouvia passos apressados subindo as escadas da pequena pensão na qual me hospedara. Acompanhei os sons do salto contra o assoalho puído enquanto me levantava da poltrona velha em que estava. Guardei o envelope no bolso do casaco e caminhei até a porta. A noite estava fria em Amsterdã, e minha visita tremia sob o pesado casado de cashmere, enquanto cruzava apressadamente o corredor estreito e escuro. A taboa do assoalho rangeu em frente ao número vinte e três.
Quando abri a porta, ela entrou depressa, trêmula de frio. Examinei seu rosto pálido sob as luzes amareladas do quarto. Lavínia estava mais magra desde a última vez que a vira, há cinco noites atrás, parecia abatida e nervosa. Ela atravessou o quarto sem dizer palavra e depositou uma mochila pesada sobre a cama. Olhou em volta, estava ansiosa.
- Trouxe o quê lhe pedi? - Perguntei, enquanto trancava a porta e ia ao encontro dela. Eu estava tentando deixá-la mais confortável, mas não estava funcionando muito bem.
- Sim. - Respondeu ela, aproximando-se da janela. Lavínia estava evitando olhar para mim, e estava com tanto medo que mal conseguia controlar os tremores em sua voz. Ela fitou o céu, dando as costas para mim. Cruzou os braços sobre o peito tentando se aquecer, um gesto inconsciente que os humanos tinham para se protegerem de um perigo próximo. Passava um pouco da meia-noite e deveria estar fazendo uns cinco graus negativos, o quê era bem aceitável para aquela época do ano. Me sentei novamente na poltrona no outro extremo do quarto e fiquei observando-a, deixando minha mente vagar pelos acontecimentos dos últimos dias...
Lavínia veio até mim três semanas após eu ter deixado Montepulciano, e na ocasião, eu e Jacob estávamos em Londres. Foi um belo susto vê-la em minha porta naquela manhã, uma humana me seguindo...
“Você tem que me ajudar" - disse ela, e desmaiou em meus braços. Nevava muito naquela noite, pensei que Lavínia estava doente ou algo assim, mas na manhã seguinte ela acordou e já se sentia melhor. Disse que precisava falar comigo a sós. Mandei Jacob comprar algo para ela mastigar e então Lavínia disse: "Você tem que me transformar”
“Você está louca?" - eu disse a ela.
“Não, não! Escute. Eu posso ajudá-la a encontrar Aro.”
“E quem disse que eu o estou procurando?" - Blefei.
“Você não quer vingança? Não quer fazê-lo pagar pelo que fez a você e a sua família?
Por favor, me escute. Willian não está morto, nós podemos trazê-lo de volta, e a seu tio também." Pensei que ela tinha enlouquecido, o quê seria nada além do esperado para uma humana que passou por tudo que Lavínia havia passado, humanos em geral não suportariam conviver com as coisas que ela sabia, nosso mundo estava além de sua compreensão, por isso tínhamos que nos omitir. Entretanto, mesmo julgando-a fora de si, eu não pude deixar de sentir aquela força estranha que me acompanhara nas últimas semanas arranhar as paredes do meu cérebro. Era como um fogo sendo atiçado, um fogo que eu tentava conter arduamente a cada dia.
“Você deve isso a ele” - Acusou-me ela, quando eu não respondi. "Ele arriscou a vida por você, para ajudá-la. E ele nem mesmo te devia isso." - Enquanto falava, o desprezo e a mágoa cintilavam nos olhos de Lavínia.
“Willian está morto" - Falei, tentando ocultar o peso da culpa que eu sentia, tentando usar a máscara da frieza que nós imortais tínhamos naturalmente.
“Ele não está morto, e se você me der a imortalidade, nós podemos encontrar Aro e..."
"E como acha que vamos encontrá-lo? Se fosse tão fácil assim, muitos de nós já o teriam encontrado e queimado até o último fio de seu cabelo. O que a faz pensar que vai ter mais sorte que todos os outros? E pelo amor de Deus, a única coisa que Aro pode nos dizer sobre Willian é o que já sabemos. Que ele está morto." - Lavínia não sabia, mas a vontade que eu sentia de ir atrás de Aro aonde quer que ele e Jane houvessem se enfiado era quase tão grande quanto meu desejo de acreditar que havia ainda alguma esperança para Willian e Jasper. Mas eu não podia me prender à essa esperança, eu já estava suficientemente enforcada com o desejo de vingança, não podia me afundar ainda mais. Eu tinha que seguir em frente, se eu deixasse aquela esperança me contaminar, eu ficaria como Alice. Rosalie havia me contado que Alice não permitiu que ninguém enterrasse Jasper, nem ao menos tocá-lo ela permitia. Alice levou o corpo dele para Forks, e o estava mantendo deitado numa cama, onde trocava-lhe as roupas, penteava seus cabelos, conversava com ele como se a qualquer momento, Jasper fosse despertar de um sono tranqüilo. Eu não posso descrever o que senti quando ouvi Rosalie dizer aquilo. Minha pobre Alice... E agora Lavínia estava se perdendo na mesma ilusão.
“Lavínia." - Eu disse a ela, ponderando minha voz. - "Você tem que deixá-lo ir. Eu sinto muito pelo que aconteceu, mas não há nada que eu ou você possamos fazer. Acredite, eu tenho que me controlar a cada minuto para não sair numa busca imprudente atrás de Aro e Jane. Não há nada que eu queira mais que fazê-los pagar."
"Não mesmo? Você não quer poder ficar com ele para sempre, sem se preocupar se alguém virá tirá-lo de você?" - Lavínia sustentou meu olhar, ela estava realmente decidida sobre aquilo. Mas não importava o quê ela dissesse, mesmo se eu pudesse, Willian nunca me perdoaria se eu tirasse a vida dela, se eu a deixasse mergulhar naquele poço sem fundo que era nossa existência.
"Não se trata apenas de vingança." - Ela continuou. - "Se trata de trazê-lo de volta. Você acha que me fará mal tirando minha humanidade, mas eu já estou perdida. Minha vida acabou no instante que me trouxeram o corpo dele." - As lágrimas vertiam dos olhos dela e escorriam por seu rosto, eu podia sentir o cheiro salgado enquanto observava as gotas pingando nas roupas dela. Não havia nada que eu pudesse ter dito naquela hora que a tivesse feito se acalmar, ou mudar de idéia. Me senti impotente, fraca, incapaz de ajudar a mulher que Willian amou, incapaz de dar à ela uma chance de vingá-lo.
"Lavínia, eu não posso fazer isso. Primeiramente por quê Willian jamais me perdoaria se eu te tirasse aquilo que ele mais amava e zelava em você. E mesmo que eu desrespeitasse a vontade dele... Eu sinto muito, mas você procurou a imortal errada. Eu não sou venenosa, sou uma mestiça, tenho sangue humano correndo por minhas veias, não sou capaz de criar outros imortais." - Enquanto falava, eu sentia um sentimento estranho crescer dentro de mim, como se de repente eu lamentasse por algo que até então eu julgava ser uma bênção, não ser capaz de criar outros imortais, de propagar nossa doença. De alguma forma eu sempre me senti menos pior com o fato de eu ter nascido como qualquer ser humano, e não apenas ter sido criada. Claro, excluindo-se o fato de que eu quase matei minha mãe para vir ao mundo, mas tecnicamente, ela estava morta mesmo.
Observei os olhos dela se tornarem irredutíveis. Lavínia tinha um brilho estranho escondido por trás daqueles olhos grandes, ela tinha uma convicção intransponível, dura como rocha. Era uma humana forte, naquele momento eu entendi por quê Willian se apaixonara por ela. Tanta fragilidade, tanta delicadeza convivendo com uma personalidade sólida e decidida. Uma humana singular, de fato.
''Ness, nós podemos fazer isso." - Ela sussurrou.
''Como?" - Perguntei, exasperada e cansada de tentar fazê-la entender o absurdo que ela estava me propondo.
''Você não sente? Não consegue sentir isso em mim?" - Ela pegou minha mão. Me sobressaltei com aquilo, mas deixei-a levar minhas mãos até seu rosto. A pele dela queimou sob minhas palmas, ela fechou os olhos. - "Não sente isso?"
Eu estava intrigada demais com aquele pequeno gesto para ter percebido algo a princípio, e honestamente não sei bem o quê senti quando a toquei. Ela parecia ser o quê era, uma humana, frágil e delicada como todos os outros, talvez até mais. Mais suave, mais delicada, como uma pequena flor de pétalas frágeis, e exalava um perfume igualmente bom e sutil. E quanto mais eu me aprofundava na percepção dela ali, tão perto, mas eu podia sentir como se meu corpo estivesse se fundindo ao dela.
Afastei minhas mãos dela, sobressaltada.
''Você sente também." - Ela disse sorrindo.
"O quê é isso? Essa...sensação?" - Perguntei, ainda sentindo nas mãos o calor e as lágrimas dela.
"Willian disse que vocês imortais, podem sentir quando um humano é talentoso, mas nem todos sentiram, Aro não sentiu."
"Talentoso." - Repeti, tentando encontrar em minha mente alguma referência, alguma coisa que sabia ter ouvido em algum lugar. Meu pai uma vez me contou que nunca pôde ler os pensamentos de minha mãe quando ela ainda era humana, ele disse que tinha a haver com o poder que ela desenvolveu posteriormente. Um escudo mental.
Pensei sobre aquilo por um instante. Lavínia estava me dizendo que ela seria talentosa também se se tornasse imortal. Mas isso não era certo, e também não mudava nada.
“Willian deve ter lhe falado sobre a relatividade dos poderes que um imortal pode vir a desenvolver, não é?" - Ela não respondeu. "Eu nasci com o dom de propagar meus pensamentos na mente de outras pessoas, tinha de tocá-las para lhes passar meus pensamentos, muitas vezes deixava de me comunicar com palavras por causa desse... hábito. Porém, agora, eu recentemente descobri que posso também tirar pensamentos e memórias de outras mentes. Entende o quê quero dizer? Nós nunca sabemos ao certo com o quê estamos lidando, nossos dons não são como nós, imutáveis. E você pode muito bem ser apenas...Sensitiva a nós. Não significa que você possa vir a desenvolver um dom."
"Como acha que te encontrei?" - Disse ela, sem dar ouvidos ao que eu estava falando.
"O quê?" - Perguntei.
"Como acha que eu, uma mera humana, foi capaz de encontrar uma vampira e um...transmorfo, aqui, no meio de Londres?" - Eu não tinha resposta para aquilo, e por hora, queria pensar que Lavínia contava com alguma ajuda e com muita sorte.
"Eu posso ver vocês. Vocês são invisíveis para os olhos do mundo, mas não para os meus. Foi assim que encontrei Willian. Ele não te contou?"
Nas horas seguintes, Lavínia lançou-se num monólogo detalhado sobre o quê ela pensava ser um potencial dom. Segundo ela, tudo começava com um pressentimento, uma sensação. "Um pressentimento tênue de onde vocês se escondem, de onde vocês querem ir, onde gostam de estar, quem são realmente." - disse ela.
Enquanto ela contava sobre o dia em que encontrou Willian, eu ponderava sobre tudo aquilo.
"Estava chovendo muito àquela tarde, e eu vinha sonhando com ele há dias, mas naquele dia em especial, eu senti que deveria ir ao parque. Saí debaixo de chuva e perambulei durante algumas horas, estava com frio e encharcada, mas não conseguia abandonar minha busca, sabia que ele estava ali, em algum lugar. Mas por fim, se Willian não tivesse permitido que eu me aproximasse, eu jamais teria sequer visto seu rosto. Foi assim que nos conhecemos." - Assenti, enquanto observava as mãos dela se contorcerem sobre o colo.
"Você é uma rastreadora." - Falei por fim, e estava quase cem por cento certa daquilo. Se Lavínia se tornasse uma imortal, ela com certeza desenvolveria poderes de rastreamento, mas isso não aconteceria, não através de mim.
Tentei pensar em formas de desencorajá-la, de fazê-la entender que aquele possível poder não significava muita coisa, não contra Aro e Jane.
"Isso não é algo muito especial em nosso mundo, todos nós em geral somos bons rastreadores, é natural em nossa espécie seguir rastros. É assim que nos alimentamos, que nos protegemos, que nos mantemos longe de problemas." - Lavínia esboçou um sorriso e concordou.
"É verdade. Vi o quê aquele Demetri podia fazer, era um poder incrível, mesmo com meus palpites vagos foi difícil para Willian e eu sairmos do rastro dele e não funcionou por muito tempo tampouco." - Estava começando a pensar que Lavínia estivesse finalmente vendo a lógica em tudo aquilo, que talvez eu pudesse fazê-la desistir, afinal. Mas aquilo não durou muito tempo, e ela, novamente, me surpreendeu com algo totalmente inesperado.
“Mas será que Demetri podia ter vislumbres das mentes que seguia? Será que ele podia ver através dos olhos de sua presa?" - Ela me encarou, eu sustentei aquele olhar. "Acontece quando estou dormindo. Eu vejo flashes, imagens borradas, lugares que nunca vi ou estive em minha vida. E é como se eu estivesse lá, vendo-os com meus próprios olhos. Foi assim que te encontrei. Eu vi Notre Dame quando você esteve em Paris, vocês foram até lá não foram? Eu vi a Tower Bridge, várias vezes, e eu vi do alto. Você gosta de subir até o topo e observar a cidade."
E ela estava certa, eu estive mesmo naqueles lugares. Estivemos em vários lugares durante aquelas semanas, eu e Jacob. Cada dia eu queria estar mais longe, em algum lugar que me fizesse esquecer aqueles dias em Volterra, mas como era possível? Como aquela simples humana podia se conectar naquele nível com nossas mentes?
Minha mente dava voltas com tudo aquilo, e de súbito eu me peguei pensando no que poderíamos fazer com um poder daquele alcance, ampliado e melhorado pelo veneno que eu não tinha. Eu realmente pensei como seria fácil encontrar Aro, arrancar dele qualquer pista que me levasse a qualquer lugar mais próximo da cura, por que onde eu estava agora, eu nunca encontraria nada. Mas toda aquela conversa era para nada, afinal, eu não podia transformá-la, por Willian ou por minha própria capacidade, e ela precisava entender isso.
“Lavínia, você não pode contar isso para mais ninguém. Se algum imortal, qualquer um, tomar conhecimento do seu poder, eles não vão ter piedade. Se não te usarem como escrava para seu próprio uso, eles vão te matar, para eliminar de vez o perigo de uma humana que sabe sobre nós, e que pior ainda, pode nos localizar. Não fale sobre isso com ninguém e acima de tudo, não tenha a idéia ridícula de pedir a outro imortal que a transforme. Seu sangue é tão perigoso quanto suas idéias, e se um não te matar o outro com certeza vai."
"Mas você não me mataria." - Disse ela, os olhos derramando-se sobre mim.
"Não tenha tanta certeza disso." - Eu disse. "Olhe, podemos fazer um trato. Eu te ajudo a treinar e desenvolver seus poderes e quando nós encontrarmos Aro, eu lhe prometo que vou atrás dele e arranco qualquer informação que ele possa ter escondida naquela mente imunda." - Àquela altura eu já não tinha mais esperanças de fazê-la desistir, mas podia pelo menos tentar fazer com que ela fosse razoável e tirasse de vez essa idéia de imortalidade da cabeça. Mas Lavínia não cedeu...
“Você sabe que não é possível. Eu demorei três semanas para te encontrar e só consegui por quê sua mente é mais humana que imortal. Você acha que eu já não tentei encontrá-lo com minhas próprias forças? A mente de Aro é uma caixa lacrada e tentar localizá-lo é como me pedir para encontrar uma agulha no meio de uma floresta à noite. Ness, eu sou só humana, vou morrer de velhice antes de sequer chegar perto dele. A única coisa que tenho sendo humana é esse sentimento apagado, essa sensação que sempre me leva tardiamente para onde eu deveria estar, isso não é o bastante."
Não havia nada que eu quisesse mais que fugir daquilo tudo, não me restava muita esperança para nada, nem para terminar o quê eu havia começado, nem para salvar Willian ou Jasper, mas Lavínia mudou algo em mim naquela noite. Porém, eu ainda não tinha me dado conta disso, eu tinha o álibi de não poder transformá-la, eu estava me escondendo atrás disso, estava mentindo para mim mesma.
“ O quê quer de mim? O quê quer que eu faça? Eu já te disse que não posso fazer isso. – Todas as coisas que ela me disse trouxeram a tona tudo que lutei para sufocar naquelas últimas semanas, e sem que eu permitisse a mim mesma, eu senti lá no fundo uma luz, uma centelha de esperança em meio à escuridão em que eu havia caído.
“ Eu não sei o quê significa, mas estou me apoiando nisso para manter o pouco de esperança que tenho.” – Disse ela, respirando fundo, inspirando coragem. “Numa das vezes em que me permitiram ver Willian por alguns momentos, ele me falou de você. Me contou sua história, disse-me o tipo de pessoa que você era. Ele comentou, assim, meio de passagem, sobre o incidente com seu pai. Willian estava na vigília de sua família naquela noite, ele disse que pensou que você fosse morrer por causa do veneno. Me explicou que você era uma mestiça, metade humana, metade vampira, e que o fato de ser o veneno de seu pai, foi a única explicação para você não ter morrido.” – Escutei com atenção, mesmo não sabendo onde Lavínia queria chegar com aquilo. Ela continuou. “ Alguns dias depois, quando disse a ele que queria te conhecer, Willian disse que era melhor não. Eu fiquei surpresa com a relutância dele, afinal, ele parecia ter um grande apreço por você. Mas Willian nunca me deixou ficar próxima a outro imortal, era extremamente cuidadoso e inflexível sobre isso. Eu não entendia a preocupação dele com relação a você, já que você não era venenosa e tinha hábitos e maneiras bem mais humanos que os outros. Willian apenas disse que não era uma boa idéia, disse que um dia eu a conheceria, mas que nesse dia ele iria estar presente. Então ele falou algo que não saiu de minha mente todo esse tempo. Ele disse que não tinha certeza quanto ao veneno, não depois da mordida. ‘Ela está diferente’ ele falou.” – Lavínia me encarou, e parecia procurar em meu rosto a mudança que Willian descrevera.
“ Nessie, isso pode ser tudo, e pode ser nada, mas algo em mim me diz que talvez você possa fazer isso. E eu só te peço, apenas tente. Por Willian, por mim...”
Naquela noite eu me vi voltando no tempo e revivendo aquele momento em que tive que deter meu pai para não matar Jacob. Até agora, quando eu pensava naquela noite, eu não conseguia acreditar que meu pai chegara a tanto. Nunca tive a oportunidade de conversar com ele sobre aquilo, embora eu soubesse que a mordida fora acidental. Eu agi por impulso, sem pensar, não podia culpá-lo por aquilo. Aconteceu tão rápido, não houve tempo de pensar nas conseqüências daquilo. A cicatriz, um pouco abaixo no cotovelo direito, foi uma tentativa idiota de proteger meu rosto, quando me coloquei na frente de meu pai e o corpo dele se chocou contra o meu, naquela velocidade, nenhum de nós dois era capaz de parar.
Enquanto eu olhava para Lavínia e revia aquelas memórias em minha mente, eu tentava decidir se deveria levar aquela insinuação a sério ou apenas ignorá-la.
“ Está me dizendo que Willian achava que, a partir do veneno de meu pai, eu também me tornei venenosa?”– Parecia improvável, Lavínia assentiu.
É claro que eu não acreditei naquilo, era absurdo. Se o veneno estivesse fluindo em meu corpo, eu iria senti-lo, ademais, eu e Jacob tínhamos hábitos um pouco...selvagens quando estávamos juntos. Eu havia mordido ele vezes incontáveis, ele deveria estar morto há séculos se aquilo tivesse algum fundamento.
“ Há outra pessoa que pode nos contar mais detalhadamente sobre as suspeitas de Willian.” – Disse Lavínia, quando expressei meu ceticismo sobre aquilo. “Alec Volturi esteve tempo suficiente com ele para nos contar mais sobre isso. Além do que, ele te observa tão atentamente, que certamente fez suas próprias conjecturas.”
Alguns minutos mais tarde, naquela mesma noite, eu estava discando um número que esperava não discar tão cedo, um número escrito num pequeno pedaço de papel, colocado em minhas mãos com a promessa silenciosa de que voltaríamos a nos encontrar um dia.
Lavínia aguardava, ansiosa, enquanto eu ouvia as chamadas se sucederem sem nenhuma resposta. Porém, quando a voz suave respondeu do outro lado do fone, eu me senti secretamente feliz por ter uma boa desculpa que justificasse aquela ligação.
“Alec?”– Perguntei. Foi uma pergunta tola na verdade, algo para me fazer ganhar tempo. Quem mais ligaria para ele, afinal?
“ Pensei que nunca fosse usar esse número.” – Disse ele.
“ Tenho uma pergunta para lhe fazer.” – Falei. Ele esperou sem dizer nada, eu podia ouvir sua respiração fraca no outro lado da linha. Tomei aquilo como um consentimento.
“ Você estava presente no dia em que contei a Willian sobre a cicatriz em meu braço. Quero que me diga se Willian sabia de algo sobre isso, quero dizer, o quê ele pensava disso.” – Eu não sabia muito bem como perguntar aquilo a Alec, era estranho até para mim cogitar aquelas coisas.
“ Willian suspeitava que o veneno de seu pai tenha te mudado de alguma forma, mas não sabia afirmar nada com certeza.” – Disse Alec.
“ E isso é possível?”– Perguntei, temerosa.
“ Eu não sei dizer se é possível ou não. Não há como saber, você é única em sua espécie, nunca houve nenhum caso parecido.”
“ Mas o quê você acha?”– Eu havia escutado aquela explicação muitas e muitas vezes, nunca ninguém sabia o quê esperar de mim.
“ Acho que só há uma maneira de saber.” – Eu não estava disposta a testar aquela teoria em Lavínia, e ainda não entendia como eu poderia não ter matado Jacob se meus dentes estivessem cheios de veneno.
“ Eu posso te ajudar a descobrir. Venha me ver.” – Ele falou, quando o silêncio emudeceu os dois lados da linha. Naquele momento, creio que pela primeira vez a idéia de partir sozinha cruzou minha mente pela primeira vez. Acho que foi ali que comecei a entender que eu não poderia ignorar a realidade por muito mais tempo.
“Desculpe Alec, mas não posso. Obrigado pela informação. A gente se vê.” – Quando desliguei o telefone, tive que encarar os olhos escuros de Lavínia, que me fitavam com um brilho soberbo do outro extremo do quarto. Expliquei a ela meu impasse, ela pareceu se contentar com um talvez. Então Lavínia foi embora, me fazendo antes jurar que não desapareceria. Eu disse a ela que precisava pensar, e foi isso que fiz.
Durante aquela semana, nem mesmo Jacob conseguia me fazer esquecer tudo que conversamos naquela noite. Eu tinha medo de beijá-lo, de tocá-lo como costumava fazer, tinha receio de dormir ao lado dele, de acordar na manhã seguinte e perceber que eu o havia matado. Aquela incerteza estava me torturando, então eu tive que fazer algo a respeito. Mas eu sabia, a única maneira de ter certeza sobre aquilo era fazer o que Alec havia sugerido.
Eu precisava cravar meus dentes em um humano e ver o que acontecia.
A idéia me aterrorizava, a simples possibilidade de não conseguir me conter quando o sangue inundasse minha boca. E então, após ver com meus próprios olhos o quê aconteceria, eu teria de matar, novamente. Mas eu não queria ir tão longe, não por algo assim. Não queria ter de matar apenas para ter certeza de algo.
Três dias se passaram sem que eu chegasse a uma decisão. Eu ia ver Lavínia todos os dias no parque, e todos os dias ela reforçava seu pedido. E eu negava, de novo e outra vez.
Cogitei tudo. Procurar Carlisle, ir até Alec, contar para Jake, desaparecer para sempre... Mas nada, absolutamente nada me parecia ser bom o suficiente ou ser a escolha certa a se fazer. Foram dias desesperados, sufocantes.
Porém, duas noites depois, tudo mudou.
Eu estava no alto da Tower Bridge, um de meus lugares preferidos, como Lavínia havia dito. A noite estava tão fria lá no alto, tão escura e silenciosa... Eu havia deixado Jacob no hotel, disse que ia dar uma volta, e estava lá, fugindo novamente de meus próprios pensamentos. Era por volta da uma da manhã e a ponte estava relativamente tranqüila lá embaixo. Eu estava num estado de inércia, completamente imóvel, respirando o ar frio, quando o cheiro avassalador me alcançou como um soco na cara. Sangue, quente e fresco, sendo derramado em algum lugar na noite. Próximo, tão próximo que eu conseguia sentir as últimas batidas do coração que o bombeava. Saltei na escuridão e comecei a seguir aquele cheiro. A cada passo mais próximo, eu podia ouvir gritos sufocados e golpes secos.
Onde a ponte alcançava a rua, estreitas vielas se abriam entre prédios e casas, e foi lá, entre as sombras dos becos que encontrei o corpo de uma mulher sangrando. Estava morta. O assassino ainda tinha a faca nas mãos ensangüentadas, e cheirava obstinadamente as roupas rasgadas da vítima que se embolavam em suas mãos. Ele a violentou e a esfaqueou.
Meu primeiro instinto, aquele que farejava o sangue quente e perfumado da vítima, foi obscurecido por um sentimento mais forte, uma sensação de descontrole que eu uma vez já havia experimentado. O ódio borbulhou dentro de mim, uma sensação obscura e tentadora de caçar aquele pedaço de -sou bonzinho e não uso palavrões no fórum alheio-.
Ele nem viu o que o atingiu. Eu o lancei de costas contra a parede de pedra e o ergui pelo pescoço. Enquanto ele sufocava, suas pernas balançavam inertes no ar e suas mãos agarravam meu pulso. Eu precisava matá-lo, eu queria aquilo, e nada do que meu pai ou Carlisle tivessem me dito naquele momento, faria minha decisão de matá-lo parecer injusta ou errada. Ele merecia morrer.
Estava quase terminado quando algo realmente tentador cruzou minha mente. Ele tinha apenas mais trinta segundos de vida e eu precisava de uma cobaia. Não pensei muito sobre aquilo, apenas cravei meus dentes no pescoço quente e pegajoso daquele parasita, enquanto abafava os gritos dele com minha mão. Não suguei nem sequer uma gota de seu sangue, ao invés disso, empurrei o máximo de saliva que consegui reunir para dentro de sua corrente sanguínea. Larguei-o no chão, se contorcendo e gritando desesperadamente.
Aproximei-me alguns centímetros de seu rosto grotesco e o olhei atentamente. Estava acontecendo, ele estava mudando. Após alguns minutos de pura exasperação e espanto, eu o tomei em meus braços e torci seu pescoço. Estava terminado, e eu tinha minha resposta.
Enquanto observava o corpo afundando nas águas escuras, sob as sombras da ponte, eu tentava decidir qual seria meu próximo passo. Então fui até Lavínia, e aqui estávamos nós.

- Tem certeza que o quê trouxe é o bastante? – Disse Lavínia, me despertando de minhas lembranças. Eu olhei a mochila estufada sobre a cama e assenti, sem dizer nada.
Ela se aproximou de mim, seus passos ruidosos faziam as taboas do assoalho rangerem sob seus sapatos. Sentou-se diante de mim, cruzando as pernas e abraçando uma almofada.
- No quê está pensando? – Ela perguntou.
- Precisamos terminar isso rápido. Jacob já deve estar me procurando e não vai levar muito tempo até nos encontrar. – Eu disse, desviando meu olhar.
- Sente falta dele não é? Sabe, ele poderia vir conosco.
- Não. – Falei, lançando-lhe um olhar seco. – Jacob estará melhor longe de tudo isso.
- Mas você estará melhor longe dele? – Ela insistiu.
- Não importa.
Em silêncio, eu procurava me desvencilhar das lembranças de nossa última noite juntos.
Mas era tudo o quê eu conseguia pensar... Na sensação do corpo dele junto ao meu, no cheiro que jamais me abandonava, no gosto, no calor, no sorriso, nos olhos. Tudo estaria lá, para sempre.
Na noite em que descobri que era capaz de criar um imortal, na mesma noite em que eu matara aquele homem, eu percebi que jamais poderia ficar com Jacob. Eu costumava desejar ser para Jacob o que Emily era para Sam, mas agora, isso jamais seria possível.
Eu nunca estive mais longe da felicidade como estava agora. Contudo, eu tinha uma chance de fazer algo de bom para as pessoas que eu amava, mas para isso, eu tinha que fazer uma escolha. Abandonar Jacob ou seguir na caçada de Aro e da cura para Willian e Jasper.
Eu não podia ter os dois, por quê isso implicava arriscar a vida dele, e eu jamais poderia escolher isso.
- Ness, você parece mal. Diga-me em que posso te ajudar. – Eu podia imaginar como eu estava parecendo para Lavínia, uma humana que estava prestes a ser submetida ao meu veneno recém descoberto. Porém, não conseguia encontrar palavras para tranqüilizá-la.
- Eu estou bem. – Falei. Ela me observou durante mais alguns minutos em silencio e disse:
- Ness, você não vai me matar, não é? Diga que vai se controlar. Diga que vai ficar tudo bem. Me prometa. – Me senti terrivelmente mal com aquelas incertezas, como se eu mesma não soubesse o quê esperar de mim.
- A única coisa que não eu jamais poderei lhe prometer é que não irei matá-la. Você sabia dos riscos quando me procurou. Já devia saber que não há como selar promessas como esta com gente como nós. – Lavínia olhou-me aturdida, eu sustentei seu olhar. Ficamos nos encarando por alguns minutos, cada qual imersa em suas próprias incertezas. Então ela se levantou e veio até mim, ajoelhando-se diante de minha poltrona, ela pegou minhas mãos e disse:
- Eu confio em você.
Eu fiquei observando-a em silêncio, olhando seus olhos castanhos e tentando imaginá-los vermelhos, enquanto me concentrava em sua respiração, nos seios subindo e descendo num movimento cadenciado, enquanto seguia o ritmo forte do coração dela. Ela cheirava maravilhosamente bem, e minha sede não pôde deixar de notar isso também. Pensei o quão difícil seria parar, o quão difícil seria me concentrar em lançar para o sangue dela a torrente acre do meu veneno, reunindo-o do fundo de minha garganta e trazendo-o para fora, para dentro dela. Com um pouco de sorte, em três dias Lavínia seria uma imortal, e nós começaríamos a caçada que foi interrompida pela morte de Jasper e Willian. E se houvesse alguma forma de salvá-los, eu encontraria.
Agora era ainda mais importante que tivéssemos êxito, e eu não estava disposta a falhar novamente.
- Está pronta? – Perguntei a ela, depois de vários minutos de silêncio, no qual permanecemos ali, de mãos dadas na escuridão.
- Estou. – Ela disse.
Na mochila, peguei os pequenos sacos de sangue sintético que Lavínia trouxera e os despejei um por um numa jarra.
- Vai ser o bastante? – Ela perguntou.
- Nas primeiras noites sim, mas logo eu terei de ensiná-la a caçar sozinha.
- É seguro fazer isso aqui? No meio de Amsterdã, onde há tantas pessoas, tantas...tentações?
- É a única forma de esconder nosso cheiro até que sua transformação esteja concluída. – Eu a encarei. – Não vou deixá-la atacar nenhum inocente. – Tranqüilizei-a. Lavínia assentiu, e deitou-se na cama, se acomodando entre as almofadas puídas.
Guardei o sangue na geladeira, teria que aquecê-lo depois. Separei dois sacos em uma gaveta.
- Esqueceu estes. – Lavínia apontou, enquanto tirava os sapatos.
- Estes são para mim. – Engoli em seco, pensando como seria difícil explicar aquilo para meus pais posteriormente. Mas, afinal, eu não tinha certeza se voltaria a vê-los.
Me sentei na beirada da cama e segurei a mão dela, ficamos ali durante alguns minutos, em silêncio, contemplando em silêncio o futuro incerto que nos aguardava. Daquela noite em diante, Lavínia só teria a mim e eu só teria a ela, e juntas nós mergulharíamos até o lodo, até onde Aro foi com seus planos, teríamos que nos perder naquela escuridão para ter a chance de voltar com alguma centelha de esperança. Era algo que valia e pena, a dor, a saudade de casa.
- Está frio. – Disse ela, se encolhendo junto a mim. Eu a segurei firme, me aproximando na escuridão que só era rompida pelas luzes fracas que entravam pelos vidros da janela.
- Essa é a última vez que sentirá frio, ou fome, mas em compensação vai sentir sede pelo resto da eternidade. Procure se lembrar de quem você é e por que escolheu este caminho, lembre-se dele quando a dor se tornar mais forte que você.
- Eu vou. – Disse ela.
Fechei os olhos, respirando as últimas lufadas de ar, eu precisava me lembrar de quem eu era também, embora soubesse que jamais seria a mesma depois daquela noite. Um capítulo completamente novo e desconhecido estava para começar em minha vida.
Cravei os dentes na pele macia, o sangue jorrou em minha boca. Lá fora, perdido na noite fria, um lobo uivou.
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qui 18 Nov 2010, 07:54

aaaaaahhhhhhhhhh muito Perfeita a sua Fic
a melhor que eu jáh li

O final foi simplesmente deslumbrante acompanhei cada capítulo roendo as unhas
muito linda msm B *-*

mas tipo vai ter continuação?????? O)







Para Nathy e Mym : Vcs viram ela ainda o ama ainda há esperanças pro team Reneslec afinal ela ainda está indecisa.


Última edição por Tekka/Fanny em Qui 28 Abr 2011, 15:11, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 20 Nov 2010, 14:06

ameiiii sua fic o final foi perfeito
continua???
JAKE/NESSIE FOREVER. ♥♥♥
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qui 25 Nov 2010, 08:09

Minha querida Bella Borboleta, sua história ficou simplesmente perfeita!

Você se expressou maravilhosamente bem em todos os momentos.


Simplesmente PARABÉNS pela sua Fic!

(Entretanto você poderia dar continuidade a essa linda história você não acha....PENSE NISSO com carinho......agora férias!...diz que sim, rsrs)

Bjos e até breve =D
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 18 Jan 2011, 13:23

olá gostaria de ler os capitulos anteriores pois são bem legais
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qui 10 Fev 2011, 17:12

Ainnnn... tão perfeita *--------*.

Vai ter continuação? *o*

Please preciso de mais *---*
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qui 03 Mar 2011, 23:17

Olá vim dizer que a história terá continuação e isso se deve a vocês que pediram e que leram a fic com tanto carinho e amor,obrigada a todos por isso .
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 11 Abr 2011, 07:46

Que bela notícia minha querida.....não vejo a hora de começar a
ler a continuação dessa linda história!!!!!!

QUE LEGAL!!!!!!

HUHUHUHUHUHUUHUHUHUH cheers
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 25 Abr 2011, 12:52

Nossa, nem acredito que você vai continuar....
Perfeito....
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 26 Abr 2011, 15:59

ADOREIIIIIII!!!!Ainda bem que vc nao matou o Jasper de verdade...Ja tava bolanda contigo!!!!KKKKKKKKKKKKK, Parabens pela linda historia....Vou ler a continuação!!!!! Bjs
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 27 Maio 2011, 17:41

Essa históra é linda, Maravilhosa, por favor, não deixe de postar >}
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 17 Set 2011, 20:46

>} >} Menina vc tem talento!!!
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 30 Set 2011, 12:47

Gostei da forma como vc escreveu a história, achei vc uma excelente escritora, vc prende bem nossa atenção aos detalhes e fez uma história bem peculiar do que eu havia imaginado. PARABÉNS!!!! escrever um Fic, é extremamente difícil e exige muito de quem faz.
Mas como meu Nick name já me condena...rssss....sou muito fã de Nessie e Jake, e digamos que esse fic não foi dos melhores para os dois, embora a sua ideia de juntar o Alec com a Nessie tenha me surpreendido bastante, gostei até.....Mas, quero apenas registrar minha frustração com uma cena do Fic, que achei muito desleal, aqui vai:

Na boa, Renesmee Carlie Cullen BEIJAR Alec, na frente de Jacob black enquanto o mesmo estava ferido e caído é praticamente impossível, ela nunca ficaria satisfeita nos braços de ninguém, enquanto o seu Jake tivesse machucado, não importa se seria Alec, Bela, Edward, ou qualquer pessoa importante que tivesse com ela nesse momento, ela o ama profundamente e ver ele em sofrimento seria o fim pra ela, nunca nesse instante ela ia ver Jake ferido e beijar outro cara na frente dele....NUNCA.....

Bom, fora isso, volto a repetir, me supreendeu de forma muito positiva, a história foi ótima....PARABÉNS NOVAMENTE!!!.....que vc não perca o foco e continue a nos agraciar com excelentes histórias novamente.

Grande bjo, Sucesso...

Marta Miranda
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 28 Out 2011, 19:23

A black q inssó? essa cena é simplesmente perfeita... foi tudo pra mim quando li... nessa fic aprendi a ser reneslec

E

uau
nightfall vai vir pra cá?? Shocked

q lindo Crying or Very sad

ando acompanhando pelo blog da Anna mas aqui é tão mais acolhedor Razz

vai criar um topico novo ou vai ser aqui mesmo????
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 28 Out 2011, 19:40

Nathy Jones escreveu:
AFF' eu tô cansanda desse JACOB, desde Lua Nova ele tá sobrando, a Bella não o quis, o trocou por um vampiro, e agora Renesmee também, Se ele a mam tanto assim, ele a deixaria ser feliz com quem ela quizesse, pois quando se sofre impriting, o objeto do impriting não é obrigado a amar a outra pessoa, e ele irai aceitar qe Nessie escolha oq o coração dela preferir. E o nome da fic é a história de RENESMEE (:

Por favor, posta logo, já fez 15 dias desde o último post Sad
Beijos *__*
P.S : Go Alec! Go Alec! Go Alec <3'

nossa relendo o topico e lembrando as coisas q a nathy mandava

saudads dessa meninaaa
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Hoje à(s) 09:14

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