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 Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee

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Fazendo amizade com Jacob
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qua 24 Fev 2010, 20:13



Capítulo 12 – A Estrada
- Eles vão nos rastrear Nessie. Assim que meu pai disser a eles que não voltamos para casa. – Jacob cortou o silêncio sufocante. Seguíamos pelas estradas secundárias com o sol se pondo à nossas costas. Fui tragada de meus devaneios pelas palavras de Jacob, e imediatamente me vi planejando o próximo passo. Era estranho como essa nova Renesmee pensava e agia. Era quase como se meus instintos fossem milhões de vezes mais rápidos que eu. Senti meus músculos se retesarem com a perspectiva de ser caçada pela minha própria família. O que eles pensariam quando descobrissem que eu estava fugindo deles? O que fariam quando soubessem que eu e Jacob não estivemos na casa de Charlie naquela manhã? De uma coisa eu tinha certeza. Eu estava deixando minha amada família – meus amados pais – para traz outra vez e seguindo meu próprio caminho, e eu não sabia se esse caminho teria volta. A perspectiva de nunca mais vê-los era assustadora demais para pensar agora, justamente quando eu tinha que descobrir um jeito de despistá-los.
Eu não era mais uma menina – assim como Jacob não era mais um garoto – apesar da aparência. E infelizmente o destino quis me colocar a prova, me testando com coisas que eu sequer compreendia, como o amor impossível que eu sentia pelo rapaz ao meu lado, que crescia e se alojava cada vez mais fundo em mim. Como o ódio que se espalhava por meu corpo cada vez que eu pensava que, mais uma vez, Aro tentava tirar minha família de mim. Eu não apenas queria encontrá-lo e confrontá-lo, eu precisava daquilo. Sete anos não abrandaram minhas lembranças nem tão pouco minha raiva. Tantas coisas novas que se misturavam em mim, me mudaram mais rapidamente que qualquer outra coisa. Mas como manter a salvo as pessoas que amo, se elas estão tentando me impedir? Eu precisava despistar meus pais, devia haver um jeito. Mas como? Eu podia imaginá-los agora, chegando em Forks e ligando para mim, depois para Billy, que diria a eles que eu e Jacob tínhamos ido visitar Charlie. Então minha mãe ligaria para Charlie e ele diria que não estivemos lá. E eles estariam em nosso encalço antes do amanhecer, nos rastreariam e nos encontrariam. Meu pai descobriria tudo e todos estaríamos expostos. Não podia acontecer, eu me certificaria disso. Eles não podiam nos encontrar, não agora que eu estava chegando perto.
Eu não fazia idéia do quanto tempo demorei para concluir tudo isso, quando olhei para Jacob, ele estava me olhando de esguelha, analisando meu comportamento mudo.
- Jake, pare o carro. – Jacob olhou de mim para a estrada escura e – concluindo que não podia parar no meio da pista sem acostamento – estacionou quase no meio das árvores, onde se abria um pasto de vegetação rala e espaça. Desligou o motor e esperou. Dois minutos de total silêncio se passaram, Jacob respirava fracamente enquanto encarava as próprias mãos no colo.
- Escute, precisamos pensar um pouco ok? – Eu não estava gostando da distância falsamente displicente que emanava de Jacob. Eu queria ouvir suas reclamações de como eu estava sendo irresponsável, de como seria impossível despistar nosso cheiro e nossa direção. Mas ele não disse nada. Apenas encarava o nada, esperando que eu falasse e despejasse mais maluquices. Respirei fundo e tentei deixar a voz firme ao falar. Falhei mis- J-Jake, fale comigo, esse silêncio está me matando. – Um lamurio trêmulo e suplicante escapou por meus lábios no lugar da frase corajosa e decidida que eu tentava formular. Jacob me encarou, seu rosto estava tranqüilo – insondável – mas seus olhos brilhavam de um jeito incandescente, quase me queimavam na escuridão que nos cercava.
- Eu concordei em vir até Forks com você para te tranqüilizar de que aqueles sonhos e visões não passavam de besteiras. – Disse ele numa voz fraca, mas suficientemente firme para me exaltar. – Mas as coisas se complicaram e eu não sei o que fazer. – Ele suspirou e voltou a encarar a escuridão. Fiquei quieta, ouvindo o coração dele martelar ruidosamente.
- E se você se ferir? Se estiver certa sobre os sanguessugas da Itália e isso for uma armadilha? – A cada palavra, sua voz tornava-se mais rouca e sua respiração mais audível. – Se era isso que eles queriam? Tirar você de perto de sua família? E eu te ajudando a colocar o pescoço a prêmio. – Jacob cerrava os punhos rigidamente, tentando conter os tremores que agora balançavam o carro.
- Jake, vá com calma. – Não seria nada fácil ficar num Rabbit apertado com um lobo enorme e raivoso. Ele respirou duas, três vezes e conseguiu encontrar o foco. Eu preferia que ele gritasse comigo, que despejasse toda raiva em mim e não que se culpasse e responsabilizasse por tudo que me acontecia. Mas como eu ia explicar a ele o quanto era importante prosseguir? Como eu o faria entender que lá no fundo, em alguma parte mais sábia e corajosa de mim, algo gritava furiosamente para que eu seguisse em frente sozinha? É claro que eu temia, afinal, eu não estava contando com nada além de meus instintos e visões desconexas de pessoas que eu não via há anos – ou que nunca vi.
- Não posso fazer isso Ness. Se algo der errado, se você… – Ele parou, inspirando grandes lufadas de ar, como se estivesse sufocando. Por um momento eu pensei que ele fosse sair do carro, arejar a cabeça, mas ao invés disso ele girou a chave na ignição e ligou o carro.
- Jake, o que… – Não tive tempo de terminar a frase.
- Estamos voltando Nessie. Vou te levar para casa e nós vamos esclarecer as coisas com sua família. – Sua voz era grave e dura, ele não me olhou enquanto falava. Colocou o carro de volta na estrada e acelerou para o sul.

- Jake, você não pode fazer isso! – Eu gritei para ele, tentando fazê-lo parar o carro. Mas Jacob mantinha-se firme.
- Você pode me odiar por isso Nessie, mas eu não vou deixar você se matar.
E então, tudo aconteceu rápido demais. Em um segundo eu olhava boquiaberta para Jacob, tentando pensar num jeito de fazê-lo seguir em frente comigo, e em outro eu estava me estatelando contra o vidro semiaberto do carro. Jacob freou bruscamente logo após uma curva fechada, o carro não estava tão rápido – pelo menos não para mim – mas foi o suficiente para me fazer bater contra a porta e arrancá-la com um baque de pedra contra metal. Rolei pelo asfalto em meio aos cacos e ferragens ainda presos em mim, escorreguei por um barranco íngreme encoberto por uma relva baixa. Quando finalmente parei, na encosta do morro, eu não estava nem um pouco machucada, mas minhas roupas estavam arruinadas, rasgadas e sujas de terra em toda parte, e eu estava muito irritada. Sentei na terra fofa e comecei a me livrar dos cacos de vidro emaranhados em meus cabelos, minha raiva era tão grande que desejei que Jacob, pelo menos, tivesse quebrado um dedo ou dois. Foi então que ouvi passos na estrada acima, o atrito de solas de sapato contra o solo e o barulho desajeitado que projetavam me diziam que não eram de Jacob. Escutei com mais atenção, e se nenhum caco de vidro estava obstruindo minha audição, eu estava certa de que eram três pessoas distintas. Inspirei. Um cheiro quente de suor, sujeira e bebida chegou até mim. Humanos.

Comecei a subir a encosta do barranco o mais silenciosamente que pude. O que diabos três humanos estavam fazendo no meio de uma estrada à noite, e pelo que parecia, a pé? Me ocorreu então que Jacob fora obrigado a parar para não atropelá-los. Bem, isso não atenuou minha raiva, se ele não estivesse agindo como uma babá irritante, nós não estaríamos aqui, perdendo um tempo precioso da fuga.
A voz de um dos três homens soou estranhamente alto na noite imaculada, e eu parei, a três metros da borda para ouvir.
- Você acha que ele está morto? – Perguntou um deles, se aproximando alguns passos do Rabbit sem porta. Perguntei-me o que Jacob estava pretendendo, fingindo-se de morto.
- Talvez. Vamos logo com isso, reviste tudo. O carro devia estar podre, olhem onde foi parar a porta. – Desdenhou o outro. Os três homens riram e começaram a apalpar as reentrâncias do carro. Eles com certeza não viram quando voei morro abaixo, fora tudo muito rápido para olhos humanos captarem no escuro. Não seria uma boa idéia aparecer assim, suja, mas sem nenhum arranhão, depois de rolar um barranco com cacos de vidro pra todo lado. Eles perceberiam algo de errado comigo. Esperei eles terminarem o serviço e darem o fora.Ladrõezinhos de -sou bonzinho e não uso palavrões no fórum alheio-, Jacob ia ficar muito louco quando visse seu carro arruinado daquele jeito. Mas por que ele não estava socando aquelas caras nojentas? Se eu conhecesse Jacob como pensava conhecer, um amassado na lataria daquele carro já justificava uns tapas.
Uma apreensão ácida começou a ferver em meu estômago. E se Jacob estivesse realmente ferido? Ele se curaria não é? Afinal, ele era um imortal, como eu. Apesar de saber que Jacob poderia ser esmagado por um ônibus e ainda estaria fazendo piada, não pude deixar de subir mais alguns metros e espiar entre a vegetação na borda. Dois dos homens se espremiam pelo buraco onde eu arranquei a porta do passageiro, um remexia nossas mochilas no banco traseiro, o outro apalpava o porta-luvas. O terceiro estava do lado oposto, onde provavelmente Jacob estava fingindo-se de morto. Eu não podia deixar de achar estranho aquela atitude completamente incomum de Jacob. Nem em um milhão de anos eu pensei que iria presenciar o dia em que Jacob não estivesse animado por uma briga, mesmo com humanos fracos e sensíveis. Eu não conseguia enxergar Jacob dalí, os homens tapavam meu campo de visão, então apenas esperei que terminassem seu saque logo, para que eu pudesse convencer Jacob de seguir para o norte comigo.
- Achei um celular, uma carteira recheada de verdinhas e vários cartões de crédito. Aqui diz que é de uma tal de Re-ne-sse Cullen, que nome estranho. Será que esse aí roubou? Não achei nada dele aqui, só uns trapos velhos. – O homem ao lado da janela do motorista começou tatear os bolsos do jeans e da jaqueta de Jacob. E então, os outros dois se afastaram alguns passos, contando o dinheiro que pegaram em minha bolsa. Foi quando eu vi a mão de Jacob subir veloz até o pescoço do homem que tateava seus bolsos. O homem pulou para traz com os dedos de Jacob apertando ferozmente seu pescoço. Os outros dois pararam, e uma gritaria nervosa de “largue ele” e “eu vou atirar” se embaralhou na cena. Jacob segurava o homem num aperto de aço enquanto varria a noite a minha procura. Ele nem sequer piscou quando saiu do carro guindando o homem a dez centímetros do chão pelo pescoço. Ele contornou o carro e atirou o homem roxo e ofegante aos pés dos companheiros armados. Olhou para a porta do carro retorcida na guia da estrada e deu um passo em direção ao barranco atrás dos homens. Dois tiros ecoaram na noite e Jacob tombou no asfalto negro.
***

Não pensei que seria assim. Sempre que me imaginava frente a frente com a morte eu supostamente estava chorando, ou lutando, ou ao menos, lamentando. Mas só o que havia em mim nesse momento era uma dormência exaustiva, como se meu corpo estivesse cansado como jamais estivera em toda minha vida. O mais curioso é que eu podia sentir cada parte de mim, nunca estive mais consciente de meu corpo, de minha mente, de meu coração pulsando como jamais fez em toda minha curta vida. E havia minha alma, uma luz de esperança dentro de cada ser vivente, e ela agora estava corrompida, partida ao meio, irremediavelmente manchada de vermelho, de sangue humano. A única coisa que me fez parar foi a total ausência de vida naqueles três corpos inertes e secos. Como pude contrariar toda a crença de minha família? Como pude ignorar séculos e séculos de negação, de esforço, de sofrimento?Aqui, aninhada no colo do homem que me arrastava floresta adentro, do homem que – contrariando seus instintos e os horrores do que eu acabara de fazer – estava me levando embora, para longe dos meus pecados, para longe da minha desgraça, eu só conseguia sentir mais repulsa por mim mesma. Eu não podia justificar aquilo, nem para mim, nem para ninguém. Ouvi os tiros, vi Jacob tombar, vi seu sangue ser derramado e simplesmente me atirei contra seus agressores. Rasguei a garganta dos três e não parei até a última gota daquele líquido imundo escorregar por minha língua e se infiltrar em minhas veias como um ácido corrosivo – e delicioso. O pior em todo aquele pesadelo foi sentir o prazer pulsando em mim, foi me sentir tão vívida e fortificada que nem mesmo a vergonha e a repulsa conseguiam fazer meu corpo parar de funcionar, como uma festa. Minha mente estava apenas parcialmente consciente de Jacob ateando fogo nos corpos e no carro que tanto se esforçou para montar, seu primeiro grande feito. Os ferimentos de bala já estavam fechados em seu peito quando me ergueu do chão, suja de sangue e terra, e me levou para longe do fogo, da fumaça dos corpos queimando, da cena do meu crime.
Ele não disse nada, apenas limpou minha sujeira, encobriu meu mal feito e me carregou nos braços pela floresta rumo ao norte e não parou de correr até o limite do estado.


Esse capítulo é muito bom o que acharam?
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qua 24 Fev 2010, 20:18

Realmente arrasou continue assim to adorando é uma das melhores fics que eu ja li bejaum
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 27 Fev 2010, 09:45



Capítulo 13 – Sol Nascente
Eu não sei onde estive – nem por quanto tempo – perdida dentro de mim mesma. Estava vagamente consciente do ar frio – cada vez mais frio – passando por mim, do som dos passos firmes e rápidos de Jacob, de sua respiração estável em minha pele. Não sei o que me trouxe, aos poucos e desorientadamente, de volta a meu próprio corpo. Sentia-me uma estátua viva, uma pedra rígida com um coração pulsante. A pele de Jacob era um contraste confortável a minha, como uma ligação com o mundo dos vivos, uma parte minha que sobreviveu ao congelamento. O coração dele impulsionava o meu a bater, embora num ritmo desigual.
Eu não sabia onde estávamos, não sabia para onde ele estava me levando, mas eu não me preocupei com isso. Eu confiaria minha vida a Jacob, e sabia que ele zelaria por ela com a sua própria. Por algum tempo só me concentrei nos sons da noite ao nosso redor, os ecos que deixávamos ao passar por entre as árvores e arbustos. Então, tão subitamente que demorei a perceber, Jacob parou e me baixou ao chão. A luz de postes incidia por entre as árvores a alguns metros à frente. Jacob me colocou deitada entre as folhagens murchas de um abeto, às sombras das luzes fracas de alguma rua deserta, em alguma cidade ao norte. Tentei encontrar minha voz. Tentei me colocar de pé, me mover, reagir de algum modo àquela paralisia de membros e mente, mas um torpor gélido se instaurou sobre mim, e ele era infinitamente mais forte que eu, ou minha vontade de reagir.
- Ness, olhe pra mim. – Tentei obedecer. Deixei as mãos quentes e grandes me guiarem e encontrei um par de olhos castanhos enegrecidos pelas sombras da noite. –Eu vou te deixar aqui por um minuto. Volto antes que você perceba que saí. Fique quieta e não saia daqui. – Ele permaneceu encarando meus olhos vidrados por um momento e depois saiu, me deixando no mais intenso frio que já experimentei, embora a temperatura externa nada tivesse a ver com isso. Uma pequena parte de mim queria saber onde ele tinha ido, mas era pequena demais para vencer toda a névoa em minha mente. Uma lanterna de pilhas fracas.
Forcei meus pensamentos a retroceder, tentei me lembrar de quem eu era. Flashes e rostos acendiam e se apagavam em meus pensamentos turvos. Uma sala ampla e iluminada, a música de um piano ao canto, o som de risadas melodiosas. Uma cabana entre árvores, um par de olhos âmbar me olhando ternamente, um aroma quente e amadeirado se misturando à floresta ao redor da praia. Todas as coisas que me faziam quem eu era foram surgindo e brotando em minha mente. Meus pais, minha família, a tribo que, de alguma forma fazia parte de mim. O amor que eu sentia por ele. Ele, que de tantas formas contribuiu para o que eu era hoje, que de tantas maneiras, salvou o dia. Ele, que me salvou de mim mesmo.
O barulho de pneus derrapando contra o asfalto, o vidro se partindo. Dois tiros ecoando na noite, três corpos estendidos no chão, o sangue em minhas mãos. Lembrar foi mil vezes pior do que sucumbir à letargia. O peso da culpa e da vergonha me atingiram em cheio no peito. Um soco de aço em meu estômago. Um grito agudo e desesperado ecoou nas árvores e se estendeu até a rua deserta. Foi só quando arfei, tentando encontrar o ar que desaparecia de meus pulmões, que compreendi que o grito saíra de minha boca.

Jacob reapareceu entre os galhos um segundo depois. Ele estava reclinado protetoramente sobre mim, murmurando palavras tranqüilizadoras, mas eu só podia senti-lo distante de mim, como se eu nunca mais pudesse alcançá-lo. Senti meu corpo deixar o solo e logo percebi que cruzávamos a margem da floresta, encontrando a luminosidade fraca e amarelada das luzes dos postes. O vento corria livremente pela rua deserta. Fora da proteção das árvores, eu pude sentir a leve garoa gélida bater em meu rosto. Meu corpo era um objeto sem peso, inerte nos braços quentes de Jacob. O céu estava imerso em total escuridão, embora estivesse inquieto, nenhuma nuvem aparecia para reivindicar o movimento hostil acima de nossas cabeças. Um clarão resplandecente incidiu daquele céu imaculado e um estrondo feroz estremeceu o solo quando paramos em frente à última casa da rua.
***

Quando a porta de carvalho escuro se fechou atrás de nós, toda movimentação daquela noite escura e tempestuosa cessou, deixando um silêncio agourento nos envolver no que me pareceu ser um hall de entrada. Não havia nenhuma luz ali, exceto os clarões momentâneos dos relâmpagos, que penetravam as cortinas rendadas da pequena sala à nossa frente. Tentei focar meus olhos em alguma coisa ao redor, encontrar algum indício de que eu estava de volta à La Push, mas nada ali era familiar a mim. O silêncio que zumbia em meus ouvidos não se estendia à minha mente, as lembranças recentemente despertas estavam fervendo dentro de mim, borbulhando como um caldeirão prestes a transbordar. Jacob cruzou a sala e um cheiro de cinzas e madeira seca pairou no ar, devia haver alguma lareira por ali. Os degraus de uma escada estreita rangeram quando Jacob nos conduziu ao andar superior. Onde estávamos? Por que Jacob me trouxe aqui? Perguntas que eram apenas ecos fracos no meio do turbilhão de pensamentos e imagens em minha mente. Aquela bagunça estava me deixando tonta, sonolenta e desorientada dentro do meu próprio corpo. Outra porta se abriu no fim do que me pareceu ser um corredor vazio e estreito. Um cômodo mais amplo e arejado se estendeu à nossa frente, senti pelo deslocamento de ar ao passarmos que ali havia poucos móveis e estava desabitado há algum tempo. Havia poeira e umidade no ar.
Jacob me colocou sobre os lençóis frios da cama, empilhou alguns travesseiros e me deitou.
Ouvi o baque oco das mochilas batendo no chão. Fechei meus olhos, temendo o que veria se os mantivessem assim por muito tempo. Eu estava com medo de dormir, não queria sonhar com aquela estrada, com aqueles homens, com o sangue que ainda manchava minhas roupas e meu rosto, cujo gosto ainda permanecia em minha boca. Não queria ficar ali, vendo Jacob cuidar de mim como se eu fosse uma boneca frágil, vendo-o zelar por meu sono enquanto segurava minhas mãos sujas de sangue seco. Mas eu não conseguia me mover, apesar do torpor ter-se esvaído e deixado para trás aquelas imagens detestáveis, eu ainda não conseguia fazer meu corpo me obedecer. Até mesmo respirar era um esforço contínuo e árduo, e minhas últimas energias estavam sendo destinadas a me manter acordada. Jacob andava de um lado a outro do quarto, revirando gavetas e armários. Ele acendeu algumas velas e as distribuiu pelo cômodo, pela primeira vez desde o acidente eu pude ver seu rosto, e isso me ajudou a me manter desperta. Ele não percebeu meu olhar, seguindo-o para todos os lados, depositando nele minhas últimas forças – minhas últimas esperanças. Observei ele apanhar uma toalha e desaparecer por uma porta à esquerda, segundos depois o barulho de água quebrou o silêncio e se misturou com a chuva que martelava o vidro atrás das cortinas.Uma luz fraca transpassou a porta entreaberta e se juntou à luz amarelada e trêmula das velas espalhadas pelo quarto. Jacob parou no portal recém iluminado e me olhou, seu rosto estava envelhecido, um cansaço impertinente pesando em suas pálpebras. Eu o estava esgotando com meu jogo de gato e rato, caçando um fantasma, perseguindo uma intuição. Estava obrigando-o a permanecer longe da família, a perder os últimos anos de seu velho pai, estava obrigando-o a assistir meus espetáculos bizarros de alucinações e assassinatos. A sombra de culpa que pairava sobre mim ganhou toneladas a mais ao ver Jacob tão cansado e triste. Era como se seu pesar se unisse ao meu, como gotas de óleo sobre a água, impossível de se diluir. Ele forçou um sorriso nos lábios que não alcançou seus olhos exaustos, ficou ali me olhando por minutos intermináveis até que se aproximou da cama, arrastando os pés. Sentou-se a meu lado e pegou minhas mãos. Eu tive vontade de vomitar ao vê-lo se aproximar de mim e me tocar, tinha nojo de mim mesma por deixá-lo me tocar, me sentia indigna de seu toque. Ele parecia tão pesaroso por meu estado, que de início pensei que talvez ele também estivesse com nojo de mim. O calor inundou minha garganta e as lágrimas turvaram minha visão.Era um nó incapaz de ser dissolvido, uma tristeza e desesperança que transpunham o limite da razão. Nada pude fazer para conter as lágrimas, e como a grito na floresta, não percebi os gemidos e soluços escapando de minha garganta. Jacob me abraçou e a sensação de seus braços me envolvendo fez meu egoísmo falar mais alto que minha vergonha por deixá-lo me tocar.
- Shhhh… Está tudo bem Ness. – Jacob me balançava nos braços, como se estivesse ninando um bebê com medo do escuro. – Shhhh… Vai passar, vai passar.
Eu devia saber, devia ter imaginado que seria assim. Quando você cresce, as coisas a sua volta também aumentam de tamanho. Os sentimentos se ampliam, as dores são mais intensas, os problemas se tornam mais difíceis, tudo muda quando você muda, e nos últimos dias, eu mudei tão rápida e radicalmente que não era capaz de me reconhecer. Não sabia o que esperar do dia seguinte, estava inteira e completamente perdida dentro de mim mesma, agarrando-me à única coisa que me fazia sentir quem eu era. Jacob Black.
Os soluços diminuíram ao ponto de me permitir respirar, meu rosto estava molhado e meus olhos inchados e turvos. Jacob tirou meus tênis, desceu o zíper do meu casaco, enquanto trabalhava, murmurava planos para nós. Ele disse que queria conhecer Paris no inverno e visitar o tal do Louvre, disse que iríamos ao México tomar tequila e comer tortillas e ele desafiaria Emmet a pular de Bungee Jump sem a corda. Jacob sorria para mim, e era difícil resistir às idéias que ele plantava em minha mente. Uma realidade muito distante de mim.
Desabotou meu jeans rasgado e sujo e o deslizou por minhas pernas. Jogou-o com minhas meias na pilha de roupas sujas no chão. Eu o olhava, absorvendo cada palavra que saía de seus lábios, eu queria bebê-las, para que ficassem dentro de mim por mais tempo, e afogassem as vozes insistentes que habitavam as paredes do meu cérebro. Ele me pegou no colo e enquanto me conduzia ao banheiro me entreteu com uma história de como sua mãe tinha que obriga-lo a tomar banho, ele corria por La Push o dia todo com Embry e Quil e ficava muito sujo, era um garotinho magricela e descabelado que adorava carros. Tão diferente desse homem que, uma vez se apaixonou por uma jovem e a perdeu para um vampiro, tão distante do alfa quileute que desertou de sua tribo para seguir a filha mestiça da mesma jovem que ele amou – a vampira que ele agora despia e mergulhava numa banheira de água morna, afim de lavar o sangue ressecado de sua pele de mármore. Quantas voltas mais esse mundo poderia dar? Quantas vezes mais nós nos olharíamos no espelho e desconheceríamos a imagem que nos encara? Jacob mudou desde então, será que ele me amaria depois de todas a minhas mudanças – tão perturbadoramente violentas? Quem seria Renesmee Cullen depois dessa noite?
A água morna relaxou meus músculos rígidos, aos poucos meu corpo foi esquentando e eu agradeci Jacob mentalmente. Ele esfregava meus braços e minhas costas com uma bucha de banho, cujas cerdas ficaram avermelhadas com o sangue que se desprendia de minha pele. Eu estava tão absolutamente devastada, que nem mesmo senti vergonha de estar nua na frente de Jacob. A medida que meu corpo relaxava, a sonolância me atingia com mais intensidade.
Jacob sentou na beirada da banheira de louça branca e me ajudou a terminar o banho, sempre alimentando uma conversa agradável para preencher o silêncio constrangedor.
Suas mãos alisaram meu rosto, pressionando levemente minhas bochechas, meus olhos e meus lábios. A água me ajudou a pensar mais calmamente e a voz de Jacob mantinha minha mente ocupada. Em um passado não tão distante, ou em algum futuro incerto, em qualquer outro momento, qualquer outro ângulo que eu olhasse aquela situação, eu veria algo diferente daquilo. Mas agora, nesse momento, eu só conseguia ver a doçura e delicadesa com que Jacob cuidava de mim. Todos os outros ângulos estavam eclipsados por esse carinho quase paternal que emanava dele. E Deus, como eu o amava! E como eu me sentia menor que esse sentimento, como se meu corpo – meu coração – fosse pequeno demais para suportar as proporções de algo que parecia inflar a cada dia.
Ele me colocou na cama, vestindo um shorts e uma regata de algodão – que eu percebi que não eram minhas. Eu definitivamente estava me sentindo melhor, mais leve e mais controlada. Ele me enrolou em um edredon e sentou-se a meu lado, esperando meu cansaço me vencer. Eu queria dizer tantas coisas para ele…mas tinha medo de despertar daquela leve calmaria que se instalou em mim. Arrisquei uma pergunta inofensiva:
- Onde estamos? – Minha voz saiu rouca e fraca. Jacob sorriu ao me ver mais sóbrea.
- Não sei bem que cidade é essa, deve ser na divisa com o Canadá. Também não sei de quem é essa casa, apenas invadi a primeira casa vazia que encontrei. – Ele não pareceu envergonhado em dizer isso, parecia indiferente a qualquer fator externo àquele quarto.
Ele se levantou após alguns minutos de silêncio, beijou o alto de minha cabeça e sussurrou:
- Volto logo. Você vai me ouvir no chuveiro. Quer que eu fique até você dormir? – Acenei negativamente com a cabeça e forçei um leve sorriso para encorajá-lo. Quando ele saiu, fiquei examinando o cômodo a minha volta. A cama em que eu estava era grande, a cabeceira era adornada com formas que imitavam ramos de folhas e flores esculpidas na madeira maciça. Havia uma penteadeira no mesmo estilo em frente a cama, recostada na parede oposta. Um espelho grande e suntuoso fazia reflexo às velas na cabeceira da cama, e quadros, no mínimo cinco quadros de temas diversos espalhados pelas paredes do quarto. Era uma decoração incomum para os humanos modernos. A chuva havia se transformado numa garoa fina, e por um instante eu só ouvi o vento sacudindo as árvores do outro lado da rua. Jacob saiu do banheiro chacoalhando os cabelos, o que me fez lembrar de Rose, implicando com os modos “caninos” de Jacob. Ele vestia uma calsa branca de malha que ficou um pouco curta para seu tamanho, a luz das velas acentuou o tom avermelhado de sua pele e fez o branco se contrastar fortemente. Ele surpreendeu meu olhar e se aproximou.
- Hey, ainda acordada? – Eu não conseguia parar de olhá-lo, parecia uma besteira fechar os olhos para uma imagem tão bonita. – Eu só vou pegar alguns travesseiros e já estou saindo, você precisa descansar. – Ele sorriu e acariciou meu rosto. Eu definitivamente não queria que ele me deixasse “descansar” sozinha. Ele ia se afastando quando eu disse:
- Jake.
- Que foi? – Ele se virou e me encarou.
- Fique. Fique comigo essa noite.
Quando adormeci, envolta o mais próximo que eu podia nos braços dele – ao contrário do que eu contava como certo – não sonhei. Pesadelo algum foi capaz de penetrar os escudos que nossos corpos formaram juntos. Na verdade, foi a noite mais tranquila que já tive na vida.
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 27 Fev 2010, 10:00



Capítulo 14 – Ataque
Uma claridade perolada transpassava o tecido claro e fino das cortinas, iluminando todo o quarto. O farfalhar das árvores do outro lado da rua era o som predominando naquela manhã fria e silenciosa. Meus olhos lacrimejavam de sonolência e da súbita claridade. Os lençóis me envolviam até os ombros e se enroscavam por entre meus braços e pernas, tornando difícil a movimentação. Desvencilhei um braço do emaranhado de lençóis e tateei a cama e os travesseiros atrás de mim. Estavam vazios e frios. Rapidamente me virei, tentando encontrar provas de que aquela noite não tinha sido um sonho. O travesseiro estava amarrotado e tinha o exato cheiro delicioso dele, assim como o lençól que se encontrava aos pés da cama. Tudo indicava que não era apenas um sonho. Me sentei, ainda encarando o lugar vazio ao meu lado, afastei meus cabelos do rosto e esfreguei os olhos. Então ele apareceu, seus passos silenciosos não denunciaram sua presença até vê-lo abrir a porta e adentrar o quarto como se fosse uma aparição. Vestia a mesma calça de malha e uma regata igualmente branca, mas havia uma diferença absurta em seu rosto e em sua expressão. Estava feliz, radiante e sereno, como uma brisa quente de primavera. Mas uma surpresa maior me fez arregalar os olhos para ele.
- Jake, o que houve com o seu cabelo? – Ele sorriu e passou a mão pelos fios curtos e arrepiados, negros como a noite.

- Fiquei entediado. Você dormiu metade do dia. – Ele sorriu mais abertamente, do jeito que ele costumava fazer quando me via.
- Que horas são? – Perguntei, meio perplexa e envergonhada, incapaz de desviar os olhos de seu rosto tão tranquilo.
- Quatro da tarde. – Ele se sentou na cama e colocou uma mecha de cachos atráz de minha orelha. – Fiz seu café da manhã, quer que eu traga aqui? – Eu o olhei, e senti minha mão afagar seus cabelos, inabilmente tozados e arrepiados.
- Porquê você cortou o cabelo? – Perguntei, ignorando sua oferta. Ele pareceu exitar por um momento, desviou o olhar para a janela e disse:


- É só que… se vamos caçá-los, bem, é mais prático pra mim. – Ele me olhou de esguelha, avaliando minha reação. Eu estava absorta demais à textura de sua pele, e isso salvou minha expressão de calmaria e sonolência. Pensei naquilo por um momento. “Vamos caçá-los”. Então ele tinha desistido de me levar de volta para meus pais? O que o fez mudar de idéia? Me lembrei então da noite anterior. A primeira vez que ataquei e me alimentei de humanos. Parecia uma memória turva em minha mente, um passado negro e distante daquela calmaria. De alguma forma o desespero da noite passada tinha se esvaído de mim, e só o que consegui sentir em reação as palavras de Jacob, foi uma súbita e inexplicável coragem. Sentia-me mais forte, mais capaz de chegar até o fundo daquela trama.
Jacob se levantou e me puxou com ele, de modo que fiquei em pé no colchão macio. Ele abraçou minha cintura e me colocou no chão, sempre sorrindo com tranquilidade. Me perguntei como ele estava lidando com aquilo e quando iríamos falar a respeito. Descemos as escadas de mãos dadas e eu observei melhor a casa que invadimos. As paredes e o piso eram constituídos da mesma madeira escura e avermelhada. A tapeçaria era antiga, mas bem cuidada. Os móveis tinham o mesmo tom marrom de todo o resto. A lareira era grande e ocupava boa parte da sala, os porta retratos que ocupavam seu console eram pequenos e emolduravam o mesmo rosto feminino. A casa era, em suma, aconchegante e bem arrumada, embora tivesse uma aura de solidão e abandono que impregnavam as paredes empoeiradas.
Jacob encheu uma tigela de cereais e leite e colocou em minha frente, satisfeito com seu trabalho. Eu encarei a tigela com um interesse menor que zero. O cheiro não era atrativo, assim como o gosto. Jacob me observava sentado a minha frente, enquanto comia sua segunda tigela de cereais. Ele se desculpou por não ter nada mais para servir e tagarelou sobre o clima. Forcei algumas colheradas e depois abandonei a tigela, quase intacta. Eu sabia por que não conseguia querer cereais. Eu tinha provado algo muito mais saboroso na noite passada, e seria difícil me livrar do desejo e da queimação em minha garganta. Até lá, toda comida humana teria gosto de areia. Mas aquele prazer era proibido para mim, e eu teria de superá-lo logo.
- Jake. – A necessidade de saber o que ele estava pensando superou meu medo de falar, e quanto mais cedo eu encarasse aquilo, mais cedo eu poderia continuar minha busca. Ele me olhou atônito. – Como você está? – Não consegui encontrar uma pergunta mais direta, minha garganta se fechava ao menor indício daquele assunto. Aquela era, obviamente, a pergunta que ele tentava evitar. Me olhou com um misto de pesar e vergonha, mas eu não sabia o que aquilo significava.
- Ness eu… – Ele ponderou por um momento, era aflitivo vê-lo assim, sem saber o que dizer. Esperei, olhando-o com calma. – Eu sinto muito. – Disse ele por fim. De fato não era o que eu esperava ouvir, mas antes que eu tivesse chance de perguntar ele continuou:

- Sinto muito que você tenha essa culpa nos ombros agora, e te conhecendo como conheço, eu sei que não vai adiantar nada eu dizer que não foi sua culpa. – Ele parou, sustentando meu olhar. Bem, ele tinha razão. Eu não deixaria que mais ninguém tomasse a culpa pelo que fiz, mas eu também não deixaria isso me afetar ao ponto de me mudar. Eu seguiria em frente com essa sombra me seguindo aonde quer que eu fosse, ela sempre estaria lá, e eu teria que aprender a viver com aquilo. Com o tempo, talvez eu pudesse olhar para tráz com alguma sensatez e enxergar tudo aquilo de um ângulo diferente. Mas agora não, eu não podia me acovardar e me lamentar por mais tempo. Coisas mais vitais e urgentes estavam acontecendo em minha volta, e eu não podia simplesmente ignorá-las. Essa conseção particular durou apenas o tempo de um abraço quente e renovador, ao qual eu desejei com todas as forças poder durar por toda minha vida.
**O choque percorreu meu corpo como uma lâmina – fria e cega – deixando um rastro de dormencia por onde passava. Encarei mais atentamente aquele reflexo, não podia ser meu. Aquele espelho devia estar me gozando. Jacob entrou no quarto – já inteiramente vestido para a viajem – e estacou atráz de mim, com a expressão constrangida de uma criança que acaba de presenciar sua mãe descobrir uma traquinagem. Estávamos nos preparando para partir, fui ao quarto em que passei a noite para mudar de roupa e… Meu olhos, Deus, meus olhos estavam vermelhos! Era a prova concreta e absoluta de minha vergonha. Certamente passaria despercebido para os olhos humanos – era uma mudança muito sutil para ser perceptível a seus olhos tão limitados – mas com certesa era visível para nossos olhos. Me perguntei por quê Jacob não me avizou sobre as mudanças – sim, havia algo mais de diferente em mim. Minha pele, sempre mais corada que a dos meus pais, tinha agora um aspecto mais pálido que contrastava com a íris marrom avermelhada de meus olhos. Era estranho por quê – ao todo – eu me sentia a mesma. Meu coração ainda batia forte e veloz no peito, meu sangue ainda corria em minhas veias, eu ainda sentia sono, fome – apesar da sede ter aumentado drasticamente – ainda me sentia…humana, se é que eu ainda poderia me classificar assim depois dos últimos acontecimentos. Me virei e encarei Jacob, ainda boquiaberta com o susto.
- Jake, meus olhos… – Eu apontei para meu rosto. Era ridículo, Jacob certamente percebera a mudança um segundo após o acidente. – O quê…o que eu me tornei? – Não consegui refrear a pergunta temerosa que latejava em minha mente. Ele me olhou tristemente e afagou meu rosto com as pontas dos dedos.
- Você continua sendo a mesma. Continua sendo minha Nessie, meu amor. – Senti que perdia um pouco o fio da meada. Um sentimento bem mais forte pulsou naquele momento. Ele me amaria se eu me tornasse um monstro? Bem, ele ainda parecia o mesmo comigo, e isso, era mais do que eu podia desejar.

Arrumamos tudo o que foi possível salvar do incidente nas mochilas e apagamos os rastros de nossa estadia naquela casa. Enquanto nos preparávamos para partir – deixando absolutamente tudo no devido lugar – concordamos em ligar para Billy. Jacob estava achando estranho o silêncio. Ninguém estava nos procurando – pelo menos ninguém que tenha quatro patas – e meus pais certamente já estariam revirando cada metro quadrado da península de Olimpic à essa hora, porém, a tranquilidade e o silêncio era alarmante. Voltamos para a floresta ao crepúsculo. O vento frio e úmido castigava as árvores, corremos para o norte, onde – segundo Jacob – nós chegaríamos as florestas geladas de Vancouver, onde, supostamente, Zafrina deveria estar. Uma hora se passou enquanto corríamos pela escuridão da floresta, então, decidimos parar e cumprir o combinado. O telefone de Billy chamou cinco vezes, e uma voz grave e familiar atendeu.
- Alô. – Disse Billy.
- Pai, onde eles estão? – Jacob ignorou a emoção em seus olhos, nós não tínhamos tempo para bater papo.
- Jake? Que diabos vocês estão fazendo? Onde estão? – Billy continha a mesma emoção na voz, parecia alarmado.
- Pai, eu não tenho muito tempo. Me diga onde eles estão. – Insistiu Jacob.
- Quem? Os Cullens? Eles não apareceram por aqui, mas Charlie disse que Bella ligou para ele. Parece que estão todos na Flórida. – Billy esperou pela resposta, mas nem eu nem Jacob sabíamos o que dizer – ou pensar.
- E o que eles foram fazer lá? – Perguntou Jacob depois de uma longa pausa.
- Jake, eu acho que a mãe da Bella… morreu. – Minha boca de abriu num espanto mudo. Levei as mãos à testa para impedir que meu crânio se partisse. Jacob me olhou, refletindo minha expressão de aturdimento. Mais um longo silêncio se seguiu. Estávamos – ambos – absorvendo a notícia.

- Jake? Ainda está aí? – Chamou a voz grave de Billy.
- Sim. É, Pai, escute. Eu e Nessie precisamos fazer uma coisa. Mais os sangue…os Cullens não podem saber. Ainda não. Nós estamos bem, então não precisa mandar o Sam vir atráz de nós nem nada disso. Eu ligo assim que puder, só não… – Ele bufou. – Não surte ok? Eu vou ficar bem, nós…ficaremos bem.
- Jake…

- Tchau, pai. – Jacob desligou o celular e me encarou, esperando que eu dissesse o que faríamos agora. Bem, eu não tinha resposta para isso. Se Billy estava certo, meus pais estavam na Flórida enterrando Renée. Um impulso cego começou a crescer dentro de mim. Eu precisava estar lá. Precisava consolar minha mãe, Charlie… Precisava me despedir de minha avó humana. Mas nada disso seria possível. Eu precisava aproveitar essa oportunidade para tentar ir mais a fundo naquela lama, e descobrir o que diabos estava acontecendo comigo. Droga, até onde eu iria nessa minha busca insensata? E se não houvesse nada? Como eu iria explicar – acima de tudo para mim mesma – todas as consequências que atraí para mim? Até alí só o que eu tinha conseguido era um monte de nada – claro, isso sem contar o fato de eu ter matado três humanos. Comecei a andar em circulos, tentando clarear as idéias. Jacob me observava silencioso, absorto em seus próprios pensamentos apavorados. Eu não podia decepcioná-lo de novo. As esperanças já iam se esvaindo de mim, sentia-me como um galão furado. A noite estava mais calma agora, o vento tinha diminuído a velocidade para um leve farfalhar, a floresta estava muda. Como o auditório de um espetáculo bizarro e sinistro. Eu podia sentir a tensão no ar, o vento trazendo uma brisa adocicada do sul, o cheiro me fez lembrar…
Estaquei. Aterrorisada e paralisada à meio passo. Eu conhecia aquele cheiro. Era cheiro de vampiro. Meus olhos varreram a escuridão à minha frente, deixei meus ouvidos buscarem sons e ruídos a quilômetros na noite. Todos os músculos de meu corpo se retesaram, esperando – anciando pelo ataque. Meu coração martelava tão ruidosamente que chegava a atrapalhar minha concentração. Olhei em direção a Jacob, estava imerso em seus pensamentos, distraído – uma presa perfeita. A brisa que trouxera aquele cheiro até mim ainda não o tinha alcançado.
- Jake. – Ele me olhou aturdido com meu tom de voz.
- O quê? – Ele respondeu com o mesmo nervosismo latente em suas cordas vocais.
- Temos companhia. – Ele inspirou o ar e no mesmo instante vi seu corpo inteiro tremer e se retesar – um reflexo mais intenso do meu próprio corpo. Ninguém falou, estávamos recolhendo as informações que precisávamos. Eram dois, o rastro vinha do sul e ia para o leste. E era fresco. Uma, duas horas talvez.

- Não reconheço o cheiro. Será que são só nômades? – Eu perguntei, enquanto seguíamos o rastro pela floresta. Mas eu sinceramente não acreditava que se tratava de uma coincidência. Não alí. As chances de esbarrarmos aleatóriamente com os de nossa espécie eram muito poucas.
- Não. Um deles não me é estranho. Mas preciso chegar mais perto pra ter certeza. – Jacob mantinha-se à frente, seguindo com habilidade o rastro entre as árvores. Ele parou na sombra de um tronco grosso o suficiente para esconder nós dois e me puxou pelos ombros para junto dele. Olhou por sobre meu ombro e sussurrou:
- Preciso me transformar, sou melhor rastreador como lobo. Fique perto de mim. – Os olhos negros e semicerrados de Jacob vasculhavam freneticamente os cantos escuros à nossa volta. Havia alguma coisa naquela expressão que me dizia que algo o incomodava profundamente – além, é claro, de termos compania.

- O que é Jake? – Perguntei, atônita. Ele me olhou aflito, ainda atento à todo e qualquer movimento à nossa volta e disse:
- Reconheço o cheiro Ness. A última vez que senti esse cheiro foi na clareira, quando os sanguessugas italianos vieram atráz de você. – Ele parou. Um tremor violento sacudiu seu tronco, e ele sibilou: - Eles pararam. Estão nos esperando alcançá-los. – Outro tremor. – Vou mudar.
Um ruído abafado cortou a noite e o lobo castanho avermelhado saiu das sombras. Ele me fez seguir sempre atráz dele. A cada passo o cheiro de intensificava pelo caminho. Os pêlos da lombar do Jacob-lobo estavam eriçados, mas havia uma frieza e ponderação que o deixavam ainda menos humano e mais lobo. Suas grandes patas tocavam o solo com uma delicadeza felina, as orelhas em pé, captando o menor dos ruídos. Eu o seguia de perto, meus sentidos em pleno funcionamento. Eu nunca estive numa caçada como esta, nunca tinha tido a chance de usar minhas habilidades, e agora eu podia sentir a excitação crescer em meus ossos, a adrenalina e a expectativa fluindo em minhas veias. O cheiro do inimigo entrando por minhas narinas e transformando meu corpo numa máquina de morte. A autopreservação misturando-se com o desejo de vingança.Um grunhido ameaçador escapou da enorme garganta do lobo a minha frente. Jacob circundou as árvores, descrevendo um círculo pelo espaço entre a vegetação. Eles estavam alí, parados, os braços cruzados no peito, uma expressão de satisfação nos rostos pálidos.
- Ora ora ora. E não é que nos encontramos de novo monstrinha. – Félix sorriu para mim, e era como se não tivesse passado nenhum dia desde aquela manhã em Forks.


Beijinhos vocês sabem o que quero
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 27 Fev 2010, 11:47

AMEI....... MAIS, POR FAVOR....
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 27 Fev 2010, 14:03

AMEEIIIIIIIIIIIII TBM POSTA MAISSS TO VICIADAAA
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 27 Fev 2010, 19:47

Parabéns a história ta cada vez melhor continue postando por favor bejaummmmm
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 27 Fev 2010, 20:42

por favor diz q ainda tem mais capitulos,a historia ta cada vez melhor preciso de mais capitulos....[img][/img] >}
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Dom 28 Fev 2010, 10:51

por favor posta logo os outros capitulos!!!!!!!!!
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Dom 28 Fev 2010, 12:08



Capítulo 15 – Tigre x Lobo
- Jake, vá com calma. – Sussurrei, de modo que só ele escutasse. Todos os seus dentes – brancos e afiados como adagas – estavam à mostra, e um grunhido ameaçador irrompia de seu enorme peito castanho avermelhado. O lobo se abaixou – em posição de ataque – e todos os nervos e músculos de seu enorme corpo tremeram de expectativa. Os grandes olhos castanhos não exitavam nem um milímetro de seu alvo, qualquer movimento bastaria para o sangue jorrar. Eu estava num misto de receio e fúria, de expectativa e exitação. Todos os meus sentidos em alerta máximo. Mirei aqueles olhos vermelhos – que passavam de mim para o lobo ao meu lado a cada segundo. Félix manteve a expressão de escárnio, mas eu podia sentir a tensão da luta emanando dele. A outra – uma vampira alta de cabelos cor de mogno, extremamente linda, extremamente hostil – fixava meu rosto com uma curiosa superioridade, como se eu a tivesse insultado apenas por estar parada alí. Ela estava dois passos atrás de Félix, recostada num tronco de modo que seu rosto – lindo e arrogante – ficou parcialmente coberto pelas sombras. Eu podia vê-la, e sabia que aquele rosto não me era totalmente desconhecido. Mas aquela não era uma boa hora para pensar mais a respeito. Tentei ganhar mais tempo.
- Félix, não é? Eu me lembro de você. – Ele sorriu ainda mais desdenhosamente, mas manteve os olhos em Jacob, que o mirava com um ódio dilacerante.

- Você cresceu. A última vez que eu te ví você estava agarrada ao pescoço de sua mãe. E por falar nisso, como ela está? Fiquei tão desapontado ao vê-la imortal. Sabe, ela cheirava maravilhosamente bem. – Félix arriscou uma olhada para mim, verificando o quanto estava se sainda bem na tentativa de me provocar. Mantive minha expressão calma e gentil, o que me fez lembrar Carlisle e o quanto sua calma inabalável me irritava profundamente às vezes. Se eu morresse essa noite, eu morreria com classe.
- A última vez que ví você, que por um acaso também foi a primeira, você estava voltando para casa bem desapontado, mas certamente não mais que seu chefe. E por falar nisso, como vai Aro? – Devolvi, o mais inocentemente que pude. Félix sorriu, e se virou para sua companheira. Jacob se reposicionou em seu lugar, eu esperei, observando.
- Heidi, ela não é uma graça? Quase me lembra a Jane, bem, um pouco mais bem humorada. – Félix agora me analizava atentamente. A mulher – Heidi, eu finalmente tinha me lembrado dela – mantinha-se em sua posição superior e desdenhosa, seu nariz perfeito e anguloso se torcia numa expressão de nojo, e ela olhava Jacob com desdén.
- Diga-me garotinha…

- Nessie. – Cortei-o com asperesa. Ele me encarou surpreso e devolveu um sorriso forçadamente gentil.
- Nessie. Que seja. Diga-me, o que faz tão longe de casa, e em tal compania. – Ele gesticulou com a cabeça em direção a Jacob, sem desviar o olhar de mim.
- Diga-me você Félix. Você está ainda mais longe de casa do que eu. – Um silêncio cheio de significados inundou a noite. Todos se encaravam e estudavam, imersos em seus próprios planos – de ataque e de defesa. Félix riu, coçou suavemente o queixo e deu mais um passo para frente. Jacob rosnou e avançou também, sempre me deixando em suas costas. O balé da morte continuou, sutil e ofensivo. Ambas as partes atentas a menor distração de seu oponente. Lembrei de Jasper e de suas histórias de guerra, tantas vezes contadas longe dos olhares censuradores de meus pais. Como eu gostaria de ter sua habilidade em matar, mas meu tempo estava se esgotando, e Jasper estava longe demais no momento.

- Mais olha pra você hein. – Félix continuou, tentando penetrar minha sobriedade e paciência. – Você realmente cresceu depressa. Pensávamos que você fosse se tornar uma aberraçãozinha faminta por sangue, mas você até parece ser civilizada. Mas com certesa herdou a esquizitisse da família. Andando com raças inferiores e se alimentando de animais. – Félix estava perdendo a paciência, tentando de todas as maneiras nos tirar do sério. Suas apelações me deixaram ainda mais fria diante de seus escárnios. E Jacob continuava focado, ignorando – ou fingindo ignorar – seus insultos.
- Acho que não Félix. – Heidi falou, sobressautando todos. Sua voz melodiosa, clara e sem emoção, ressonou em meus ouvidos como um sino. Félix olhou-a surpreso e sorriu.
- Como é Heidi? – Perguntou ele confuso.
- A garota não parece gostar muito do cardápio da família. – Félix me encarou. – Olhe para ela Félix, os olhos. – Heidi perscrutava meu rosto avidamente. Ela deu um passo para frente, emergindo das sombras seu rosto deslumbrantemente arrogante.

- Ora ora, e não é que temos uma rebelde aqui Heidi. – Félix riu, surpreso por minha condição. Uma pontada de raiva pinicou em minha garganta, mas eu mantive minha civilidade. Pensei nas opções que eu tinha. A luta era iminente, não havia como remediar, e eu precisava sobreviver, manter Jacob a salvo, levá-lo de volta pra seu pai quando tudo isso terminasse – se é que eu chegaria a ver o fim. Tentei afastar o pessimismo de minha mente. O que eu poderia fazer? Tentar eliminar uma vampira mais forte e mais velha que eu, enquanto Jacob cuidava do outro? Sim, era nossa única chance, tería que ser assim. Observei melhor minha oponente. Ela não parecia ser uma guerreira, parecia ser aquele tipo de distração que um contigente ofensivo utiliza, uma isca – irresistivelmente atraente. Se eu estivesse certa, nós duas estaríamos no mesmo patamar, por quê eu era igualmente inepta à luta. Bem, eu teria que aprender na prática, e descobrir um ponto fraco nela, por onde eu poderia vencê-la. O minuto de silêncio observador que se passou tornou a encher a atmosfera de tensão. Eu precisava ganhar mais tempo.
- Não se engane Félix. Eu sou uma Cullen, você já conhece o erro de nos subestimar. – Sorri para ele, deixando em meu rosto uma expressão angelical. Heidi riu, e isso novamente sobressaltou a todos. Seu escárnio era ainda mais arrogante que o de Félix.
- Você é igualsinha a sua mãe. Pensa que pode se meter com coisas que você nem mesmo entende. – Havia uma pontada de raiva contida em sua voz, e sua expressão confirmava isso. Obviamente Heidi sentia um despeito colérico por nossa família. – O que você pensa que é afinal? Não é uma de nós, mas também não é humana. Você é uma aberração garota, é por isso que é a última de sua espécia nojenta. – Heidi parou, o ódio borbulhando em suas palavras, os olhos carmim brilhando desvairadamente.

- Cuidado Heidi. – Disse Félix baixinho, lançando-lhe um olhar de aviso. O quê ela queria dizer com a última de minha espécie? Não havia pelo menos mais três iguais a mim? Aqueles da América do sul que Alice trouxe para testemunhar a meu favor? O que houve com eles? Jacob parecia tão confuso quanto eu. Dei um passo para frente, de modo que fiquei ao lado da cabeça de Jacob. Félix fixou um olhar à Jacob, que mantinha-se à um salto de distância da garganta dos vampiros. Observei-o. Félix era grande, mas não parecia ser muito inteligente. Mesmo assim tinha algo nele que impressionava. Seus movimentos eram leves e brutos ao mesmo tempo, não tinha a sagacidade letal de Jacob, mas uma sutileza mais selvagem, como um tigre, que mesmo sendo gracioso em seus movimentos, ainda é rústico e hostil por natureza. Os dois se encaravam com ferocidade, deixando o espaço entre eles se tornar uma onda de choque. O silêncio novamente encheu a cena, era como nos filmes de terror – a cena de expectativa antes do ataque.
- Não Heidi. – Senti minha voz se expandir para fora de mim, e havia uma maturidade nela que não reconheci de imadiato. Era como se outra Renesmee estivesse falando por mim, meu lado mais maduro e hostil. – Eu entendo perfeitamente o que está acontecendo aqui. – Félix e Heidi me encararam com surpresa e curiosidade. – Aro mandou vocês atrás de nós não é? Mas isso não é uma missão de sequestro, vocês estão só vigiando. Digam-me, vocês já sabiam que eu não estava em casa, ou só descobriram agora? – As palavras saíam de minha boca com uma segurança e certesa que pareciam não fazer parte de mim. Era como se as coisas estivessem se encaixando em minha mente, esperando a hora de virem à tona. – Eu só me pergunto por quê Aro mandou vocês? Afinal, o rastreador real não costumava ser Demetri? Ele está muito ocupado? Não pode vir por quê recebeu ordens mais importantes? – Os rostos dos vampiros se contorciam a cada palavra, como se estas os atingissem como socos. Félix deixou escorregar todo o sarcasmo de suas feições, e Heidi parecia a ponto de estraçalhar minha garganta.
- Eu realmente não entendo por quê ele os quer tanto. Não são nada, não significam nada. – Heidi sibilava, completamente encolerizada.
- Heidi, contenha-se. – Félix alertou-a.

- Não importa Félix, eles vão morrer mesmo. E mortos não falam não é? – Heidi deu um passo em minha direção, e foi o que bastou para Jacob interferir com um rosnado tão bestial, que fez as árvores a nossa volta tremerem. Félix segurou seu braço, impedindo-a de prosseguir. Afastaram-se aguns passos para trás, observando os olhos letais de Jacob, postos sobre eles. Heidi contorcia-se nos braços de Félix, seus punhos e maxicilar trincados de ódio. Prestei o máximo de atenção nas palavras dela, algo me dizia que ela cometeria o erro que eu precisava, e eu não o desperdiçaria. Estava descontrolada, perdera o foco e estava atrapalhando a concentração de Félix. Eu estava certa, Heidi não era uma guerreira.
- É melhor controlar sua parceira Félix, não sei por quanto tempo posso manter os dentes de Jake longe do pescoço dela. – Eu provoquei, sabendo que quanto mais descontrolada ela estivesse, mais informações valiosas escapariam por sua boca. Deu certo, Heidi contorceu-se mais furiosamente nos braços de Félix, seus dentes estavam expostos e um rosnado gutural irrompia de sua garganta. Ela me mirava como se não houvesse nada além de nós duas. Pensei um minuto sobre isso. Não era fácil tirar vampiros do sério, nossa espécie era mais fria e calculista do que os voláteis lobisomens, e para um primeiro encontro, Heidi se mostrava muito recentida comigo, o que confirmava uma de minhas teorias. Aro ainda alimentava algum tipo de interesse em minha família, um interesse suficientemente grande para deixar Heidi com tamanho ciúmes. Pelo jeito o assunto principal em Volterra ainda era nossa pequena rebelião de sete anos atrás. Eu continuei meu jogo, mantendo o máximo de cautela e descrição ao lançar minhas provocações à Heidi, um passo em falso e Félix descobriria minhas intenções. Ele estava fazendo um péssimo trabalho em controlá-la, apesar de conseguir contê-la fisicamente, Félix não conseguia fazer Heidi parar de falar – ou rosnar.
- Solte-me Félix, deixe-me mostrar a ela o tratamento real que sua espécie nojenta têm recebido de nós. – Sibilou Heidi, um sorriso maligno brincando em seus lábios. Se ela estava falando sério, significava que Aro tinha colocado a guarda Volturi atrás dos mestiços – assim como eu. Significava que ele os estava caçando? Por quê? O que ele obteria com isso? Percebi um leve tremor no olhar de Jacob, ele estava na mesma linha de pensamento que eu.
- Ele a quer viva. – Rosnou Félix, e nessa hora eu fiz mais uma conexão em minha mente. Aro estava nos vigiando, assim como nós estávamos de olho em Volterra, mas seja lá o que ele estava pretendendo, eu tinha interferido saindo de casa. Porquê Aro nos queria juntos – todos nós – ele queria nos manter perto de suas vistas. Jacob certamente tinha feito a mesma conexão e ele não estava lidando com ela tão calmamente quanto eu. O modo como ele se posicionou me alertou de que a conversa tinha acabado. Félix percebeu na mesma hora que eu, a tempo de lançar Heidi para o lado e avançar direto para Jacob. Apesar do medo e do nervosismo em meu estômago, eu sabia que essa era a hora em que eu não poderia exitar – ou me preocupar com Jacob. Heidi bateu numa árvore, fazendo-a trincar no meio, ela lançou um olhar surpreso para Félix, que agora era apenas um borrão na escuridão da floresta, com Jacob em seus calcanhares. Eu olhei para ela a tempo de ver a chama de ódio dançar por tráz de suas pupilas carmim. Ela avançou. Heidi era muito impulsiva, deixava-se ler e interpretar muito facilmente. Era algo sutil, mas que eu definitivamente contava a meu favor.Eu antecipei seu ataque apenas por sua expressão, e me senti orgulhosa por ter sido capaz de antecipá-la e desviar tão rapidamente de seu ataque. Manti a calma, mesmo parecendo ser impossível de conter o turbilhão de adrenalina que jorrava em meu sanque. Félix e Jacob estavam à trinta metros atráz de nós, sob a sombras das árvores, e por mais que eu quisesse loucamente saber quem estava com a vantagem, eu não podia me dar ao luxo de desviar minha atenção de Heidi. Ela era inabilidosa em luta. Fazia muito barulho mas também bastante estrago. Era como tentar capturar uma onça brava. Ela avançava e avançava, esmurrava mais do que pensava, mais eu tinha que admitir que ela era enérgica e desviar e bloquear todas as suas investidas requeria muita força e rapidez de minha parte. Ela estava tentando me cansar, mas seus métodos eram falhos, e em resumo – para minha primeira luta – eu não estava me saindo muito mal. Era tudo muito rápido, muito intenso, uma luta como essa se parecia com um jogo, um movimento errado é o bastante, você mata ou você morre. Toda minha mente – todo meu corpo – estava centrado nesse pensamento, a ofensiva era minha, eu estava começando a entender o que eu deveria fazer e o que era inútil contra minha adversária. Consegui encuralar Heidi contra dois abetos, eu via uma chance de terminar aquilo e poder ajudar Jacob…
Foi como se o nome dele surgisse em meus pensamentos na mesma hora em que eu o ouvi ser arremessado contra as árvores, um uivo de dor irrompeu de seu peito ensaguentado e eu não fui capaz de me manter mais no controle. Eu corri, corri aqueles trinta metros que nos separavam com um desespero agonizante, não me importei em baixar a guarda para minha oponente, simplesmente me virei e corri em socorro à ele. Félix o segurava pela garganta e um segundo a mais teria bastado, um segundo e eu o teria perdido. Joguei meu corpo contra Félix, impelindo o máximo de força que eu consegui reunir, mas meu peso leve só o fez cambalear para tráz. Mas foi o bastante, bem, pelo menos o bastante para Jacob se desvencilhar de seu aperto de aço. Félix me segurou pela cintura, me erguendo do chão e logo eu senti seu braço apertar minha garganta.Ele ia me sufocar na frente de Jacob. O lobo tremia ao tentar se colocar em pé, eu percebi a pata dianteira quebrada e vários cortes sangrentos manchando seu pêlo. Heidi apareceu entre as árvores e sorriu diante de nossa morte iminente. Félix não iria respeitar as ordens de Aro, ele não nos deixaria vivos, secretamente desejei que Aro os punissem com algo muito doloroso. Eu calculei que tinha mais um minuto de ar, um minuto para olhar nos olhos escuros de Jacob e me despedir, um minuto para me despedir mentalmente de meus pais, de minha família. Eu esperava que esse minuto desse a Jacob a chance de se recuperar o bastante para lutar e se salvar, mas ele estava muito machucado e ainda seriam dois contra um. Deus, ele morreria por minha causa, eu não seria capaz de salvá-lo. A raiva queimou em mim, e era quase como se eu pudesse ver meu sangue esquentando, e isso pareceu trazer um último sopro de resistencia a mim, clareou minha mente por um momento – o último. Eu morreria com aquele ódio maciço por não ser capaz de salvar as pessoas que eu amo, salvá-lo tinha sido minha última falha. Eu queria tanto fazê-los pagar, imaginei Volterra em chamas, envolta numa fumaça tóxica e densa, a fumaça de seus restos sendo encinerados. A idéia era tão vívida, tão boa, que me fez sorrir, eu me senti leve. Demorou um minuto para que meu corpo percebesse que estava no chão, a mão de Félix não mais apertava meu pescoço, eu pisquei e olhei em volta.Félix e Heidi – parados um ao lado do outro me encaravam com os olhos arregalados. Ele poderiam muito bem se passar por estátuas se a respiração acelerada de ambos não os denunciassem. Então eu entendi, e era como se meu cérebro já soubesse de tudo antes de mim, como se as coisas estivessem lá o tempo todo, esperando que eu abrisse os olhos para elas. E como tudo na vida imortal, levava apenas um segundo entre pensar e fazer algo. Então eu nem pensei, pulei diretamente para a parte em que eu tentava a última coisa para nos salvar. Volterra, chamas, fogo por toda parte, Félix, Heidi, todos… Era difícil saber quem estava mais surpreso, eu ou eles, mas foi com uma surpresa esperançosa que observei os dois vampiros a minha frente perderem o foco de seus olhos, eles encaravam a floresta a nossa volta com desespero e espanto – dificilmente eu saberia dizer qual dos dois. Então eu gritei:
- Jake, agora. – Eu o ouvi se levantar e correr, dessa vez mais facilmente que em sua primeira tentativa, então eu mesmo corri, e era como se minha mente e meu corpo tivessem se separado, por que uma estava em Volterra, em meio ao fogo e a distruição de meus inimigos, e o outro estava correndo diretamente para o corpo desorientado de Heidi. Os segundos que se passaram a seguir pareceram durar dez anos, e mesmo assim, quando finalmente acabou, eu mesma não acreditava que eles realmente tivessem acontecido. Nós tinhamos conseguido, Félix e Heidi não voltariam daquela missão.
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Dom 28 Fev 2010, 20:50

Posta mais por favor posta logo
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 01 Mar 2010, 10:45

ai por favor tá bom d+ posta logo
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 01 Mar 2010, 12:26

Nossa ta incrivel, meu deus ta muitooo boa posta loguinhu por favorrr beijinhus
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Seg 01 Mar 2010, 17:24

por favor posta logo ta bom d+
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 02 Mar 2010, 12:12



Capítulo 16 – Sangue
Não havia muito o que juntar para queimar – pelo menos não de Félix. Jacob o tinha rasgado em partes tão pequenas, que encontrar todas me tomou um tempo extra. Heidi estava mais composta, mas ambos estavam igualmente mortos. Era difícil de acreditar, mesmo com a pira ardendo e a fumaça densa e adoçicada enchendo o ar a minha volta. Jacob tinha ferimentos de várias extensões, entre ossos e costelas quebradas, desde arranhões a cortes profundos. Eu tinha alguns também, mas em geral, Heidi tinha conseguido muito pouco comparado à Félix. Deixei Jacob – na forma humana – descansando perto das árvores e terminei o serviço. Enquanto os via queimando eu pensei sobre o que eu tinha feito, como consegui expandir meus próprios pensamentos para distraí-los e atacá-los. Meus poderes numa extensão que eu até então não sabia que era possível, lembrei de Carlisle falando sobre como nossos poderes podem se ampliar com o tempo e a maturidade, mas algo no fundo de minha mente suspeitava que algo além do tempo havia contribuído para aquele desenvolvimento repentino. De novo, nada podia-se alegar concretamente a meu respeito, por que minha existência era rara – talvez agora, única.Eu teria muito o que pensar sobre essa noite, parecia impossível que tanta coisa pudesse ocorrer num espaço de tempo tão curto. Deixei a pira queimando e fui ver Jacob, nós precisávamos partir o quanto antes, no caso de alguém vir atrás daqueles dois. Jacob estava com os olhos fechados, tremia e suava, estava pálido e com dor, Deus, como eu queria que Carlisle estivesse aqui.
- Jake, Jake. – Chamei-o, minha voz embargada. – Fale para mim onde dói. – Parecia algo estúpido para se dizer, mas eu nem sabia por onde começar a ajudá-lo. Eu não poderia levá-lo a um hospital, eles no mínimo o manteriam em laboratório para estudá-lo. Ele olhou pra mim, e havia tanta dor naquele olhar que fez meu coração doer também. Foi então que ele pegou minha mão, vacilante.
- Ness, eu quero que você vá para La Push. Fique lá até seus pais voltarem. É seguro lá, Sam vai te ajudar, ele vai te manter segura. – Eu começei a protestar, eu jamais o deixaria para trás, por quê ele estava falando essas coisas para mim?
- Jake, esqueça. Eu não vou te deixar aqui. – Eu me aproximei mais dele, afaguei seu rosto e foi quando eu vi. Uma ferida em forma de meia lua sangrava em seu pescoço. Deus do céu, Félix o havia mordido. A compreensão me atingiu ao mesmo tempo que o pânico. O veneno o estava matando.
- Jake – Sussurrei, minha voz incapaz de sair audível. Um frio intenso desceu por meu corpo. Eu iria perdê-lo.
- Ness, não tem mais jeito. Eu não vou me curar dessa vez. – Ele falou, calmo e gentil. Lágrimas começaram a escorrer por meu rosto e o desespero tomou conta de mim. Eu tinha que fazer alguma coisa, eu precisava. Se eu o deixasse morrer, seria como cometer suicídio. Não havia como continuar sem ele. Mas o quê? O quê eu poderia fazer?
Uma tímida luz começou a se acender em minha cabeça, eu nem sabia se daria certo, se funcionaria, mas eu precisava tentar, eu faria qualquer coisa para salvá-lo. Me inclinei sobre ele, beijei sua testa, acariciei seu rosto molhado. Ele me olhava tranquilamente, seu coração martelando no peito, como se estivesse se recusando a desistir, a parar de bater.
- Você confia em mim? – Sussurrei em seu ouvido. Ele me olhou por um longo momento e disse:
- Com a minha própria vida. – Respirei fundo, tentando encontrar a força dentro de mim. Quando toda sua vida depende de algo, não há como remediar. Não há espaço para o medo.
- Eu… Eu te amo. – Eu soluçei, e afundei meus dentes na ferida.
Eu suguei o sangue sujo, sentindo o veneno sair de seu sistema e entrar em mim. O mais incrível era que nem o gosto amargo do veneno era capaz de inibir o gosto de seu sangue. Era forte, absurdamente quente. Era maravilhoso. Eu podia sentir seu coração batendo forte, tão forte que eu nem mesmo podia ouvir o meu próprio. Eram um só. O mesmo, o único. Eu sentia meu corpo arder, era como se minhas veias estivessem se iluminando. O sabor se intensificou, minhas lágrimas se misturaram com o sangue, quase nenhum traço do veneno restava em seu corpo. E era dez vezes melhor. Puro, forte, inebriante. Como minha família podia achar que ele cheirava mal? Seu coração martelava em meus ouvidos, em minhas mãos, mas era estranho, por quê era como se ele estivesse se afastando. Mais longe, mais longe…
Com um súbito terror eu me lancei para tráz, caindo de costas na relva fria. Como era difícil parar, com aquele sabor ainda impregnado em minha língua eu senti que meu corpo pedia mais, o cheiro dele alí ao meu lado… Mas eu não podia, eu não podia matá-lo. Nada seria maior ou mais forte que o meu amor por ele, nem mesmo minha sede. Nem mesmo o apelo de seu sangue, ainda quente e poderoso, correndo por minhas veias. Eu me levantei, clareando minha mente. Ele estava fraco, mas definitivamente ainda estava vivo. Com sorte, logo seu metabolismo acelerado seria capaz de curar todos os ferimentos, sem o veneno para impedí-lo de se curar ele estaria bom em algumas horas. Pelo menos era nisso que eu queria acreditar.
***
Eu o observei dormir enquanto a escuridão empalidecia e o céu se tornava um cinza frio e homogêneo. O fogo há muito já tinha se apagado e a única compania que eu tive durante aquela noite impossivelmente longa, foram as cinzas. Fiquei com ele em meus braços e zelei por seu sono, sempre alerta para todo e qualquer ruído na floresta. Tantas coisas passaram por minha cabeça… Tantas mudanças. Minha vida mudou tão repentinamente, tão bruscamente, o certo e o errado não estavam mais nos seus lugares de costume. Minha mente mudou, meu corpo mudou, minha alma e tudo mais que me fazia ser Renesmee Cullen à uma semana atrás, já não eram mais os mesmos. Em uma semana eu tinha feito todas as coisas que eu prometi a mim mesma jamais fazer. Eu menti para meus pais, feri Jacob, provei do sangue humano, matei minha própria espécie, e mesmo com todas essas promessas quebradas em minha consciência, eu não conseguia deixar de me sentir aliviada agora, com ele dormindo profundamente em meus braços.

Aquilo parecia tão certo, tão natural, que não havia qualquer outra conceção que eu pudesse fazer. Haveria redenção se houvesse ele, e então, eu poderia dar um jeito. Isso me atormentou, por quê eu já não sabia o que esperar de mim, não sabia se os últimos dias fizeram de mim algum tipo de monstro, se eu estava me escondendo atrás de desculpas incoerentes. Os fins justificando os meios. Eu não queria isso, mas também não queria ser fraca. A Renesmee que eu costumava ser não era forte o bastante para enfrentar o que enfrentei nos últimos dias, não teria sido capaz de salvar Jacob, não teria sido capaz de abandonar a família – mesmo sob o pretexto de protegê-los. O amor nos obriga a fazer escolhas difíceis, e na maioria delas você perde algo, alguma parte extremamente importante de você. E só ele – só o amor – te dá as forças que você necessita para continuar, mesmo depois de ter que deixar uma parte sua para trás.
A luz perolada penetrou as árvores e o tímido canto dos pássaros me tirou de meus pensamentos. Olhei Jacob – ainda dormindo profundamente em meu colo. As cicatrizes em seu corpo já estavam fechadas e os ossos quebrados – que eu tive que colocar no lugar – provavelmente já estavam praticamente curados. Se eu não tivesse sugado o veneno para fora de seu sistema, ele não teria sido capaz de se curar, morreria de hemorragia em poucos minutos. Félix conseguiu por os dentes nele antes de ter sua cabeça arrancada do corpo, se Jacob não tivesse agido rápido, provavelmente nem minha distração teria sido capaz de nos ajudar.
Tentei me desvencilhar do corpo adormecido de Jacob o mais cautelosamente possível. Eu precisava resolver algumas coisas. Andei em circulos, tentando clarear minha mente. Minhas suspeitas foram confirmadas pela boca descontrolada de Heidi – Aro estava em movimento de novo, planejando Deus sabe o quê. Eu precisava avizar minha família, se Aro mandasse mais alguém atráz de nós, eles precisavam estar atentos. Havia também a suposta morte de Renée, eu nem sabia se isso era verdade, mas já sentia a dor da perda se alojar em mim, eu não tinha tempo nem mesmo para ficar de luto. Se eu piscasse, eu corria o risco de perder mais alguém.

Tentei empurrar essa nova dor para um compartimento escondido, eu iria lidar com isso mais tarde. Lutar primeiro, lamentar depois. Essa era a minha nova regra.
E por fim, a mais perturbadora das questões em minha mente. Como Aro estava conseguindo burlar as visões de Alice? Como ele estava enviando gente para nos vigiar sem que Alice visse ele tomando essa decisão? E como diabos eles passaram despercebido por todos nós – por meu pai? Quanto mais eu pensava em todas essas perguntas sem resposta, mais cansada eu me sentia, e mais perdida eu ficava em mim mesma. Haviam tantas coisas – tantos fatores – que eu precisava considerar. Por que eu tenho tido essas visões? Por quê Forks? Por quê Vancouver? Por quê Zafrina?

Eu estava tão soterrada por essa onda de perguntas que não percebi Jacob despertando e se aproximando de mim. Seus braços me alcançaram apenas um segundo antes que seu cheiro. Minha garganta ardeu, e eu tive que me lembrar que aquele sabor era proibido para mim.
- Hey, como se sente? – Eu perguntei, tentando disfarçar a dor da queimação. Ele girou meu corpo para ficar de frente para ele. Eu suspirei. Ele estava bem.
- Vivo, graças a você. – Ele respondeu. Havia um tom emocionado naquelas palavras, quase como se ele tivesse um nó na garganta. Eu pude ver também várias perguntas nadando na escuridão de seus olhos, talvez fossem as mesmas que as minhas. Era estranho, parecia que nossas mentes estavam sempre em sintonia, era quase como olhar para um espelho. A expressão dele talvez fosse uma boa réplica da minha, pelo menos era isso que seus olhos diziam. Ele entendia, eu também não queria trazer tudo aquilo à tona naquele momento, todas as nossas perguntas mudas, toda exasperação. Éramos jovens, tínhamos vencido nossos inimigos, tínhamos sobrevivido, mas ao contrário do que os jovens geralmente costumam fazer, nós não comentamos a luta épica, nem repassamos os detalhes, golpe a golpe. Estávamos vivos e juntos, e era mais como duas pessoas que se amam muito e temem a perda do outro com a mesma intensidade dolorida. Haviam tantas outras batalhas, tantos outros riscos que poderiam ser fatais para um de nós dois. Por agora, bastava abraçá-lo, bastava ficar olhando para ele, absorvendo o máximo de detalhes de seu rosto. As palavras pouco ou nada podiam expressar agora. Nem sei quanto tempo se passou, poderiam ter sido horas, dias, semanas, ele sempre anulava todas as coisas à minha volta.
- Eles precisam saber. – Sussurrou ele em meu cabelo. Sim, eles precisavam. Me obriguei a soltá-lo, o mundo real ainda estava alí, no meu encalço.
Parecia impossível que meu celular tivesse sobrevivido à luta, mas lá estava ele – no bolso de trás de meu jeans inteiramente arruinado. O visor estava quebrado, faltavam algumas partes, mas ele ainda era capaz de fazer ligações, e no momento, uma ligação era tudo que eu precisava.
- O que eu vou dizer à eles Jake? – Sim, eu estava com medo. Não por mim, mas por eles. Se houvesse alguma forma de mantê-los longe disso tudo, eu faria. Mas todas as minhas opções se resumiam basicamente em tentar ficar viva até o dia seguinte, e se Aro tinha uma carta na manga – que impossibilitava Alice e meu pai de vê-lo – bem, eles definitivamente precisavam saber.
- Diga a verdade Ness. Eles talvez fiquem muito bravos com você, mas sou eu quem eles vão querer matar. – Jacob sorriu me encorajando, e apesar de toda minha apreensão, não consegui evitar um sorriso cansado de aparecer em meu rosto.
- Vou deixar no chão qualquer um deles que tentar. – Eu brinquei, embora eu não fosse realmente capaz de deter todos eles juntos. Jacob riu, e o som mandou uma onda de calor por meu corpo. Era o som que eu mais gostava no mundo.
- Você está andando muito comigo Ness. Esse é o tipo de coisa que eu falaria. – Ele balançou a cabeça e começou a andar em direção à mochila. Observei-o procurar uma camisa e o último par de tênis que ele ainda não tinha arruinado. Peguei meu aparelho de celular, e, bem, ele não tinha muito tempo de vida. Disquei o número que julguei o mais seguro, três chamadas mais tarde a voz suave e delicada de Alice atendeu:
- Meu Deus Ness, onde você está? – Alice falava baixo e rapidamente. Ela soava nervosa, mas de qualquer forma, eu não esperava outra reação.
- Fique calma Alice, eu estou bem. Onde está minha mãe e meu pai? – Tentei parecer o mais calma possível, na esperança de passar credibilidade.
- Você ainda não sabe? Deixamos um recado com Billy, estamos em Jacksonville. – Então era verdade. Talvez uma marreta invisível tivesse caído em minha cabeça nesse exato momento.
- Alice, não… Alice vocês foram… – As palavras não saíam, nenhuma delas parecia servir.
- Sim Ness. Nós viemos para o enterro de Renée. – Um silêncio gelado pairou na linha por um instante. Deus, minha mãe devia estar acabada, e eu nem estava lá para confortá-la.
- C-Como? – Obriguei a palavra a sair. Alice explicou que Renée tinha descoberto à dois anos que estava com câncer e que fez Phil jurar que não contaria á ninguém. A doença venceu minha doce e impulsiva avó. Eu deveria saber lidar com isso, afinal, nós éramos imortais, mas o resto do mundo – o resto de nossa família humana – eram perecíveis, estavam suscetíveis à inúmeros fatores que poderiam acabar com suas vidas em um piscar de olhos. Essa era a poesia de ser mortal. Cada minuto pode ser o último.
- Alice, eu preciso falar com meu pai. Onde ele está? – Consegui dizer após alguns instantes lutando com minha própria garganta.
- Está com Bella, ela ainda está muito abalada. O ponto é, onde você está? Se sua mãe souber que você e Jacob não estão em La Push… Até agora eu consegui fazer Edward respeitar o luto dela, mas você sabe como seu pai é Ness, ele não gosta de esconder nada de Bella.– Alice retrucou.
- Meu pai já sabe? – Eu não sei porquê aquilo me assustou, é claro que ele já sabia. Ele sabia de tudo.
- Sabe. – Disse Alice. – Eu liguei para o Billy para avizar você, já que o Charlie não conseguiu te encontrar, e Billy me disse que vocês estavam fora à dois dias. Ele queria mandar Sam atrás de vocês e Ness, eu fiquei assustada. – Ela parou, a tensão na voz dela me alarmou.
- O quê foi Alice? – Perguntei.
- Eu não sei. São minhas visões. Ness, eu não consigo ver nada. Nem mesmo eu ou Jasper, está tudo borrado e vocês nem estão por perto no momento, quero dizer, era pra tudo estar mais nítido que o normal. – Senti um calafrio descer por minha espinha. Eu estava fazendo a mesma pergunta a mim mesma – bem, quase a mesma. Como Aro estava driblando as visões de Alice? Seria essa outra conexão? Era impossível que Alice estivesse perdendo seus poderes, também era impossível que não houvesse nenhuma conexão em todos os fatos recentes. Meus sonhos e visões, Heidi e Félix nos vigiando, Alice no escuro… Algo estava acontecendo, e eu sabia disso desde a primeira noite que sonhei com Aro.
Respirei fundo, tentando aparentar a mim mesma mais firmesa e coragem, e falei:
- Alice, nós temos sérios problemas.






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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 02 Mar 2010, 15:55

posta mais
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 02 Mar 2010, 16:22

++++


Última edição por Mary Alice Cullen em Sab 13 Mar 2010, 10:32, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 02 Mar 2010, 16:38

Borboleta sao so 16 capitulos o q vc ta postando???????????????
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 02 Mar 2010, 19:56

Postarei mais logo logo é só aguardar ok???
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Ter 02 Mar 2010, 20:24

ok mt obrigada
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Qua 03 Mar 2010, 10:35

Caramba, ta cada vez melhor, posta mais...
Eu ja to ansiosa pra ler o restante...

Beijos
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sex 05 Mar 2010, 14:57



Capítulo 17 – A Última Noite
Eu nunca imaginei que a fortuna e as propriedades dos Cullen fossem tão abrangentes. Eu sabia dos carros caros, dos imóveis espalhados pelo mundo – droga, eu nem sequer tinha cogitado a ilha de Esme até perguntar para meus pais onde eles passaram a lua de mel. Ok, talvez eu soubesse de toda aquela grana, mas nunca tinha de fato me importado muito com isso, ou parado para pensar a respeito por cinco minutos. O dinheiro facilitava as coisas – e muito. Minha família estava cruzando o país num jatinho particular no momento e eu e Jake recebemos instruções para aguardá-los em uma das casas de Rosalie e Emmet nos arredores de Surrey. Partimos assim que desliguei o telefone, deixando toda minha família em estado de total tensão. Mas o que eu poderia fazer? Não podia deixá-los no escuro quando havia uma conspiração medonha se formando nas sombras. Já era hora de parar de fugir. Parte de mim temia o reencontro, afinal, como eu iria explicar minha aparência? Eu tinha pulado a parte da história em que eu matava três humanos e secava suas veias, assim como a parte em que eu pirava e começava a expandir meus pensamentos para a mente dos outros sem tocá-los – ou a parte em que usei isso para matar dois vampiros mais velhos e mais experiêntes do que eu. É, eu não tinha muitos pontos positivos ao meu lado, e não me sentia muito otimista com a perspectiva de ter de explicar tudo isso à eles. Eu estava morrendo de medo de decepcioná-los, como eu iria encarar os olhos pacíficos e acolhedores de Carlisle e dizer a ele que em um lapso de controle eu simplesmente tinha arruinado toda crença e luta de nossa família? Como eu poderia não parecer um monstro quando olhasse para meus pais – especialmente meu pai, que lutou contra sua sede tão dolorosamente para proteger minha mãe?
As doze horas do prazo de viajem que Alice me deu estavam se esgotando mais rápido do que eu gostaria. As paredes aveludadas da casa de Rosalie estava me deixando ainda mais apreensiva. Aquela casa era de longe, a casa que mais se encaixava no estereótipo vampírico de nossa família. Esme preferia usualmente tons mais claros e leves para suas decorações, assim como a modernidade sofisticada. Mas Rose, bem, ela meio que montou uma cripta. Os tons vermelhos, cobres e pretos cobriam do chão ao teto com tapetes, cortinas, e móveis antigos. As paredes eram cobertas com veludo vinho e por todo lugar estavam espalhados castiçais, pratarias antigas e obras de artes renascentistas.

. A sala era de longe o cômodo mais amplo da casa – que eu não me interessei em explorar mais a fundo com medo de encontrar algum caixão. Me perguntei se Rose usava a casa quando estava com humor negro ou algo do tipo.
- A loira pscicopata é realmente…pscicopata. – A voz de Jacob me arrancou de meus devaneios. Ele andava pela sala olhando tudo com espanto e com uma certa curiosidade. – Essa sim é uma típica casa de vampiros. – Ele riu, e eu imaginei que Rosalie provavelmente teria de aguentar muita gozação quando…bem, quando tudo isso terminasse. E só o que eu desejava era poder voltar à respirar e observar Jacob e Rosalie se atacando verbalmente, parecia o paraíso. Ele me olhou quando eu não respondi e torceu o nariz para minha expressão atônita.
- Ah qual é Ness. Eles vão entender, e afinal de contas você não matou nenhum inocente, eles eram assaltantes. Sabe-se lá quantas outras pessoas eles já machucaram.

- Jake, você não está ajudando. – Não mesmo. Nada justificaria matar humanos, eu não era Deus, como eu poderia julgar quem era bom ou mal? Quem viveria, quem morreria por minhas mãos?
- Desculpe. Me diga o que eu posso fazer pra ajudar então. Eu costumava te distrair bem antes. – Ele se sentou ao meu lado no tapete junto a lareira e sorriu pra mim, como quem pede para brincar. Deus, eu era algum tipo de pervertida mórbida, ou Jake tinha algum poder de introduzir pensamentos impróprios em minha mente, já tão superlotada de coisas estranhas. Não, não, não. Repeti pra mim mesma mentalmente, me convencer estava ficando realmente difícil ultimamente. E, bem, Jacob não estava ajudando muito. Eu olhei pra ele, e fiquei pensando como as coisas tinham mudado entre nós. Saber do imprint tinha mudado muitas coisas, mexido com a ordem em que as coisas usualmente ficavam em minha cabeça. Agora eu não sabia se eu podia beijá-lo, abraçá-lo, mas definitivamente, era o que eu queria fazer.
- Você é tão ridiculamente linda… – Ele suspirou e tocou meu rosto. Droga, lá se ia meu tão sofrido autocontrole.
- Eu devo aceitar isso como um elogio? – Isso, falar era bom, ajudava a manter o foco.

- Absolutamente. – Lentamente, ele estreitou o espaço entre nós. Era como se ele fosse um enorme imã no qual eu estivesse presa completamente, sem poder algum sobre meu próprio corpo. Só a atração, puxando e puxando cada vez mais partes de mim para ele.
- Jake. – Sussurrei, à um centímetro de seus lábios.
- O quê. – Ele respondeu suavemente, sua respiração quente tocando meu rosto. Bem, eu esqueci o que ia dizer. Era algo importante, mas mesmo assim foi facilmente substituído.

- Você cheira tão bem… – Joguei-o de costas no chão e toquei seus lábios com violência. Ele revidou com a mesma pressão, sabendo que não me machucaria. Seus braços se estreitaram como prenças em volta do meu corpo enquanto minhas mãos agarravam sua camisa. Ela virou trapos em segundos e foi só quando eu deixei minha boca explorar a base de seu pescoço que percebi que eu estava desejando mais do que seu corpo. O calor estuporante no meu corpo cedeu lugar à queimação ardente em minha garganta. Jacob parecia alheio a minhas reações, ele estava em toda parte, dificultando – e muito – meu trabalho para não matá-lo. Todo meu corpo pedia, chamava por ele, e minha sede parecia explodir para meu olhos, meus ouvidos, minhas narinas… Sem perceber eu apertei levemente meus dentes em seu lábio inferior, era pra ser um beijo, mas o “beijo” foi mais forte do que eu pretendia. Jacob afastou meu rosto por um momento, percebendo o filete de sangue escorrendo pelo canto de sua boca. Alguma parte mais consciente de mim ficou envergonhada e com medo que ele se chateasse – e com toda razão. Mas meus olhos – eu podia sentir – ardiam de desejo pelo seu sangue. Ele me encarou por um instante interminável, e apesar de toda vontade gritando dentro de mim, eu não lutei contra o espaço que ele colocou entre nós.Apenas fiquei alí, devolvendo seu olhar inexcrutável, meio fora de mim, mas ainda dentro do meu controle, ainda ciente de que aquele era o homem que eu amava, e eu não o mataria. Era algo realmente estranho, eu estava acomodando dentro do meu corpo duas forças impossivelmente grandes. A sede e o desejo. Ambos fortes e poderosos, ambos dominando todo meu ser, mas alí, presa naqueles olhos escuros que brilhavam como tochas na escuridão, eu senti que podia controlar. E Jacob parecia ter tido a mesma concessão.
Quando ele me beijou de novo, o corte em seu lábio já estava fechado. O ritmo diminuiu, ele passeou por meu corpo com uma delicadesa que parecia ser impossível para mãos tão grandes. Ele não se importava que eu o mordesse, e eu não sabia se ceder à esse novo prazer era algo seguro para mim. Parecia errado, parecia vulgar, em qualquer outro momento de minha vida eu teria repudiado essa idéia, mas alí, presa sob o corpo quente dele, todo princípio moral-ético-religioso derreteu.- Você sabe que eu me curo rápido. – Ele sussurrou em meu ouvido. O quê era aquilo? Uma permissão oficial? Ele queria que eu mordesse ele? Meu corpo reagiu antes dos meus próprios pensamentos e quando falei, eu não fazia idéia de como minha boca tinha conseguido se mover independente dos meus comandos cerebrais.
- Me avise se eu te machucar.
***Eu acordei meio desnorteada, e a princípio eu estava completamente segura de que eu tinha adormecido e sonhado coisas que me deixariam muito embaraçadas se meu pai estivesse por perto. Mas então eu me sentei, e eu estava numa cama, num quarto desconhecido e escuro. Iluminado apenas por três velas, o que não provia muita luz, tendo em vista o tamanho do cômodo. E bem, eu estava desprovida de roupas – por falta de termo menos embaraçoso. Droga, droga, droga. Nada bom.
Encontrei minhas roupas jogadas pelo chão e desci as escadas correndo. O cheiro de bacon vindo da cozinha me avisou onde Jacob estava. A cozinha de Rosalie era pequena, mas organizada, e era o cômodo mais “normal” da casa. Jacob usava um avental branco por cima do jeans, e eu me perguntei onde estaria a camisa dele. Talvez rasgada no chão da sala?
- Oi. – Ele sorriu pra mim, seu rosto estava iluminado. Ele mexia alguns ovos numa panela enquanto despejava bacon num prato. Jacob não era nenhum chef nem nada, mas ele se virava bem. Conhecimento culinário adquirido nos anos em que ficou conosco – vampiros raramente preparavam o jantar.
- Oi. – Me sentei na bancada e encarei minhas mãos. Tinha mesmo acontecido? Enquanto eu sucumbia de vergonha, Jacob arrumou a mesa e os pratos. Um silêncio constrangedor encheu o ar, então, algo me veio a mente.
- Que horas são? Quantas horas para eles chegarem?
- São oito horas. Mais uma hora, duas talvez. – Ele começou a mastigar e o silêncio retornou. Mesmo sem ter certesa de que nós dois fizemos o que eu achava que tínhamos feito, não consegui evitar o desconforto. Jacob estava mais tranquilo, mas eu podia ver lá no fundo – por tráz da expressão de contentamento – uma leve apreensão.
- Não vai comer? – Ele perguntou.
- Claro. – Puxei um prato para perto de mim e me servi. Era uma boa desculpa para não falar. Alguns minutos se passaram assim, apenas o barulho de nossa mastigação e os olhares constrangidos, constantemente flagrados um pelo outro.
Mas que droga, eu pensei. Eu estava agindo como uma criança. Me acovardando para não ter que lidar com as consequências dos meus atos. Sexo nem de longe era a coisa mais grave na minha lista de infrações. Mas até onde eu podia me lembrar – e era muita coisa – eu tinha…mordido ele. Toda nova mordida durava apenas o tempo de uma respiração. Ele se curava no mesmo instante, e tudo que eu podia sentir era um leve dislumbre de seu sangue. Eu não o matei, não bebi de seu sangue, nada disso. Não era tão ruim, era? Bem, parecia muito bom pra mim.
- Jake. – Eu comecei, mas logo Jacob estava de pé, retirando seu prato.
- Não precisa se explicar Ness. Eu entendo que não era para acontecer aquilo, e peço desculpas por meu atrevimento. Foi culpa minha, não precisa dizer nada. Não vai acontecer de novo. – Eu o encarei, perplexa. Ele achava que eu me arrependia? Que eu estava tentando evitá-lo? Que ótimo, fiz um grande trabalho agindo como uma pirralha.
- O quê? Não… – Eu levantei, aquele mal entendido estava me matando. Meu comportamento covarde não estragaria tudo. – Jake, olhe pra mim. – Ele se mateve de costas para mim, curvado sobre a pia, encarando a parede. Vários minutos se passaram – talvez nem tantos assim, mas parecia o bastante para mim.
- Ok, vai ser do seu jeito. – Agarrei um prato em cima da mesa e arremecei em suas costas. A louça partiu em mil pedaços, nenhum deles nem sequer fez cócegas na pele de Jacob, mas o susto o fez se virar – boquiaberto – para mim e me encarar.
- Agora me ouça. Eu não me arrependo de nada. Nada. E isso faz de mim uma indecente pervertida, mas quer saber? Dane-se. Eu gostei e se nós sairmos dessa vivos, eu vou querer repetir. Então, Jacob Black, me desculpe se abusei de sua inocência, mas eu não lamento por isso. – Eu gritei e atirei as palavras nele como adagas pontudas, mas eram tão verdadeiras e chocantes, que eu duvidei por um minuto que eu as tinha dito de verdade. Eu estava orgulhosa de mim, jamais – nem em um milhão de anos – eu teria suposto que diria algo assim algum dia, muito menos para Jacob. Ele ficou parado, me encarando com aquelas sobrancelhas contraídas e aquela testa vincada – ele sempre fazia isso quando estava em grande confusão mental.
- Não precisa ter um derrame cerebral, Jake. – Eu resmunguei, ainda sustentando seu olhar.
- Estou me decidindo se te beijo antes de te devolver a pratada. – Ele rebateu, e apesar da brincadeira, sua voz e expressão ainda estavam sérias e pensativas. Aquilo me fez sorrir.
- Será que eu tenho que decidir tudo por você? – Chutei os cacos do prato do meu caminho e joguei meus braços envolta do pescoço dele. Ele laçou minha cintura e me puxou para cima, sustentando meu peso nos braços. Nossos beijos pareciam serem sempre inflamados, tinham uma característica que condizia muito com nossas personalidades. Eram intensos, fortes e instintivos, como se houvesse uma quantidade de combustível inexgotável em nós. Nós tínhamos descoberto essa paixão em tempos muito conflituosos, tudo estava um caos agora, e mesmo assim, ainda havia espaço para amá-lo e desejá-lo, era quase como um oases no meio do deserto. E era impossível de se parar. Bem, quase…
Três batidas na porta talvez fosse o suficiente. Nós nos encaramos por um minuto, constrangidos de novo, mas dessa vez não com nós mesmos, mas com minha família que obviamente estava na porta da frente.
- Essa foi rápida. – Disse ele, olhando em direção a sala.
- Jake, dê um jeito nisso. Eu vou atender a porta. – Arrumei minhas roupas – tortas, amassadas e capengas – e meu cabelo e fui para porta.
Estavam todos lá, me encarando com seus olhos tão familiares. Eu senti meu peito esquentar à medida em que – um por um – eles me abraçavam. Deus, como senti falta deles!
Eu nunca estive ausente por tanto tempo, nunca se passou nem mesmo vinte e quatro horas sem que eu os visse, falasse com um deles. Era difícil de se imaginar, mas vampiros também podiam ser tumultuosos. Todos queriam saber detalhes, desde a noite em que saí de casa com Jacob, até a ligação para Alice. Eu também queria fazer inúmeras perguntas, mas eu estava com uma estranha sensação de que meu tempo estava se esgotando.
- Hei, gente. – Tentei me fazer ouvir no meio do tumulto e das conversas paralelas, teorias e extratégias sendo discutidas freneticamente.
- Ela quer nos mostrar o que aconteceu. – Eu odiava quando meu pai fazia aquilo. – Desculpe.
- Tudo bem pai. Olhem, eu tenho um jeito mais prático de contar a vocês. – Bem, eu tinha prometido a verdade não é? Nua e crua. Minha família já se arrumava em volta de mim – para tocar minhas mãos – quando eu os interrompi.
- Não. – Oito pares de olhos confusos me fitaram. Meu pai enrigeceu, isso era o que se ganhava quando se xeretava o tempo todo na mente alheia. – Apenas, não se movam. – Lancei um olhar nervoso à Jacob, sentado no outro lado da sala. Ele acenou, me encorajando. Fechei os olhos e deixei todas aquelas sensações estranhas que eu sentia quando expandia meus pensamentos para fora de mim me alcançarem. Quando senti a conexão, tentei organizar meus pensamentos em ordem cronológica. Eu me esforçei para isso, mas mesmo assim, a coisa toda ficou um pouco caótica. Sonhos, visões, fatos… Tudo se misturava de uma forma homogênea, quase não dava para se notar as nuances daquilo que era real, e do que era ilusório. Minuto por minuto dos últimos cinco dias passaram por minha mente, e eu senti toda angústia de novo, como se ela fosse um bônus incluso no pacote. Quando terminei, eu senti a tensão no ar em volta de mim. O choque nos rostos de pedra. Minha mãe e Alice me olhavam espantadas, Esme, Rose e Emmet estavam mais para…bem, orgulhosos, o que era bem estranho por quê eu não poupei nenhum detalhe sórdido. Carlisle e meu pai dividiam a mesma curiosidade no olhar, eu só esperava que os dois não queisessem me estudar ou algo assim. Só Jacob, do outro lado da sala me olhava normalmente – bem, normalmente no estilo de Jacob pelo menos.
- Como isso aconteceu? – Perguntou minha mãe. Ela se aproximou e pegou minhas mãos, como se quisesse checar se eu continuava sendo a filha dela.
- É o que eu tenho tentado descobrir mãe. – A sala ficou em silêncio, e eu podia ver as engrenagens funcionando na mente de cada um. Eu queria ouvir logo os sermões por mentir, trapacear, e principalmente por matar três humanos. Queria passar logo por isso. A angústia da espera tinha sido amarga demais até agora. Naquele silêncio repentino, eu olhei nos rostos deles, e uma agulhada fria passou por meu estômago. Era tanta informação, tanta coisa que mostrei a eles… Talvez até vampiros precisassem de tempo para digerir uma avalanche de más notícias como esta. As próximas horas seriam tensas naquela casa, momentos difíceis nos expreitavam das sombras. Um frio repentino passou por mim, eu não sabia de onde vinha, se era só o medo. Vampiros não deveriam temer a escuridão, éramos filhos da noite, as sombras sempre andaram ao nosso lado. Mas agora, era como se eu pudesse vê-las nos alcançando, se espandindo de cada canto, descendo sobre nós como um manto de silêncio e escuridão. Nos engolindo, um a um.
Demorei apenas um segundo para perceber que estava acontecendo de verdade – minha mente não seria capaz de produzir uma sensação tão real – mas então já era tarde, e tudo escureceu à minha volta. Tudo sumiu, como se eu mesma nunca tivesse existido.


me desculpem pela demora
espero que cada uma me perdoe
beijinhos da B






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NaraDias
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 06 Mar 2010, 05:47

Alguem me passa a história toda por email para mim ??? Meu email é NaraCat10@yahoo.com.br
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KELLI
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Sab 06 Mar 2010, 17:46

OBRIGADINHA..... PODE POSTAR MAIS.... RSRSRS

BJOS
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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Dom 07 Mar 2010, 10:40



Capítulo 18 – Escuridão
Em algum lugar no meio da escuridão eu podia sentir minha consciência, era a única forma de acreditar que eu ainda existia. Mas não era nada além de um pensamento, como se minha mente tivesse sido arrancada do meu corpo, por que eu não podia sentir nada, ouvir nada, todas as coisas se tornaram insubstanciais. Eu morri? Essa era a sensação da morte? Um nada? Um nada sem começo e sem fim? Eu nem a vi chegando, e agora eu estava mergulhada num mar de escuridão onde o tempo não existia. Poderiam ter sido horas, dias, semanas, ou até mesmo a eternidade – quem poderia saber? Só me restava as lembranças... Tentei me lembrar de quem eu era, de quem eu fui um dia. Eu costumava ser gentil com as pessoas, e elas gostavam de mim. Meus pais me amavam, eu tinha certeza disso, mesmo aqui, onde o amor parecia ser algo distante e imaginário. Eu conhecia o amor bem demais para acreditar que ele só tenha sido um sonho. Jacob Black parecia um sonho, mas ele existiu, em algum lugar, em algum tempo, eu o toquei, eu estive com ele. Eu me lembrava de cada detalhe de seu rosto, do jeito que ele sorria, do som de sua voz, a cor exata de seus olhos. O marrom derreteu em minha pele e aos poucos empalideceu na escuridão que me cercava de todos os lados. Eu senti uma leve brisa soprar meus cabelos e tocar meu rosto, senti o frio pressionar minhas costas, então percebi que tinha reencontrado meu corpo. Ele estava ali - frio e rígido – preso pelo torpor da minha consciência vazia. Eu não entendia, eu ainda me sentia viva, ainda podia sentir o ar entrando pelos meus pulmões, mas não havia cheiro, não havia substância. Tentei encontrar meus olhos, obrigá-los a se abrirem, quando ergui minhas pálpebras não enxerguei nada além do breu, mas aos poucos – à medida que meus olhos se ajustaram à escuridão – eu percebi que eu ainda podia enxergar, bem, pelo menos até onde a escuridão me permitia. Isso não parecia ser o inferno, então talvez eu não estivesse morta. Havia a escuridão e o frio a minha volta, e um silêncio desorientador, mas era pacífico. Onde estavam os gritos, as pessoas queimando? Talvez cada um tivesse um tipo de inferno, seu próprio sofrimento e danação eternos.
- Você parece assustada. – Uma voz de veludo cortante penetrou em meu ouvidos. O choque me fez despertar completamente do torpor, trazendo de volta à tona meu corpo e meus sentidos adormecidos. – Não tenha medo, eu não te machucarei. – Procurei na direção daquela voz, mas a escuridão só me entregou uma silhueta alta e imóvel à alguns metros de mim. Eu senti as correntes eu meus pulsos baterem contra pedra escura, e o tilintar ressonou pelo espaço imerso na escuridão. O que era esse lugar? Algum tipo de câmara?
- Quem é você? – Deixei minha voz firme e destemida, eu não ia dar uma de moçinha em perigo, o que era bem verdade considerando que eu estava em algum lugar com um estranho e que não sabia absolutamente nada a respeito dele – ou de suas intenções. Não houve resposta e por um momento eu pensei que estava tendo algum tipo de alucinação, mas então – mais atenta e desperta, eu pude sentir o cheiro adocicado vindo dele. Um vampiro - eu já deveria saber. Mas como eu tinha chegado ali, era algo completamente fora do meu poder de conclusão. Tentei me concentrar no espaço a meu redor. O chão era frio e duro como mármore, mas plano. As paredes eram igualmente rígidas, e ao julgar pelo completo isolamento de som, elas eram grossas – ou isso ou estávamos no subterrâneo. As correntes em volta de meus pulsos pendiam de algum lugar acima de minha cabeça, e eram grossas, talvez eu pudesse quebrá-las, mas eu duvidava disso - meu seqüestrador deveria ter se certificado de que essas correntes fossem fortes o suficientes para resistirem a minha força – nessas horas eu odiava ser meio humana. Mas que diabos era isso? Há um minuto atrás eu estava na sala medieval de Rose, encarando os rostos chocados de minha família diante do fato de que nós estávamos sendo seguidos e vigiados - entre outros acontecimentos absurdos. E agora eu estava em algum lugar remoto, presa em correntes maciças e sendo vigiada por um vampiro anormalmente educado e silencioso. Era parte do plano de Aro? Me seqüestrar? Como? Como alguém poderia ter me tirado de uma casa cheia de vampiros – e um lobisomem – sem que nenhum deles impedissem? Eu sempre achei que nossos dons e nossa força fosse praticamente invencíveis, nossas barreiras eram intransponíveis com Alice e meu pai, e mesmo se alguém conseguisse se aproximar demais, minha mãe protegeria nossas mentes de investidas hostis que nos paralizasse. O único jeito de eu estar aqui agora, era se... Eu gelei com o pensamento. Não, eu não poderia me permitir pensar isso. E se tivesse havido uma luta e minha família tivesse sido derrotada? E se eles estivessem todos mortos? O ódio começou a me inundar como uma maré de água fervente – o que eles queriam de mim?
- Hey, você. – Eu chamei. O vulto permaneceu imóvel, mas eu tinha a nítida impressão de que ele me observava atentamente. – Você é um Volturi? Está aqui seguindo as ordens de Aro? – Eu duvidava que conseguiria alguma resposta dele, mas procurei ganhar algum tempo para encontrar um meio de fugir, ou para estudá-lo melhor. Ele fez um leve movimento nas sombras, mas não foi o suficiente para me deixar ver nada além de seus sapatos e as barras de sua calça – e eram sapatos caros, pretos e lustrosos, e o tecido de sua calça era igualmente fino e impecável. Não se ouvia nada além do leve farfalhar de nossas respirações fluindo suavemente.
- Você parecia mais disposto a conversar antes. Ficou desapontado por quê eu não estou com medo de você? – Eu estava com muita raiva, e imaginei que destilar um pouco do meu sarcasmo ajudaria a aliviar minha tensão. Ele riu, e o som era suave e gentil, como se ele estivesse se divertindo realmente com minha presença alí.
- Sobre o que você quer conversar? – Ele perguntou, e novamente a delicadesa e cavalheirismo no tom de sua voz me sobressaltou. A pergunta me pegou de surpresa, mas eu fingi indiferença.
- Que tal conversarmos sobre quem diabos é você e o quê eu estou fazendo aqui? – Trinquei meu maxicilar com força, tentando conter o impulso selvagem de arrancar a cabeça dele, bem, logo após de conseguir me soltar. Um silêncio pesado pairou no espaço entre nós, e eu pensei que ele não diria absolutamente nada. Eu esperei, talvez ele estivesse ponderando sobre os riscos de me dar informações demais.
- Meu nome é Alec. E você está nos arredores de Volterra, nós ficaremos aqui algum tempo, e eu fui encubido da missão adorável de cuidar de você. – Meu queixo não caiu nem nada, mas com certesa meus olhos se abriram quase ao ponto de pularem das órbitas. Se a situação fosse menos preocupante eu gritaria Bingo. É claro que estávamos “nos arredores de Volterra”, e é claro que havia um dedo – talvez os dez dedos – de Aro nisso. Eu odiava ser a pessoa que diz: “Eu avisei”, e talvez eu nem tivesse para quem dizer isso. Minha família estava um oceano de distância de mim, e talvez... Deus, talvez eles nem estivessem mais vivos.
- O que você fez com eles? – Eu ainda não conseguia acreditar que – mesmo a guarda Volturi – fosse capaz da proeza de nos pegar desprevenidos. E até onde eu lembrava, até o momento em que terminei de contar minha história para minha família, nem Alice nem meu pai detectaram nada estranho vindo atrás de nós – e eles estavam em alerta vermelho desde o momentos em que fiz aquela ligação. Mas Alice tinha se queixado de suas visões – ou da falta delas, e algo me dizia que isso estava inteiramente ligado ao fato de que Aro estava agindo nas sombras.
- Eu? Eu não fiz nada. Minha única missão era te trazer em segurança até aqui, e me assegurar de que você não faça nada imprudente. – Alec deu um passo à frente, e a única réstia de uma fraca luz iluminou seu rosto marmóreo. Seus olhos carmim brilharam na escuridão, mas a expressão gentil e afetuosa em seu rosto impediu que um arrepio subisse pela minha espinha. Eu podia entender por quê Aro o enviou até mim, ouvi meus pais conversarem sobre os poderes dele. Alec podia anular todos os nosso mais afiados sentidos, e agora eu entendia de onde viera a escuridão repentina. Ele me deixou imersa em seus poderes durante todo o trajeto até aqui, sem ver ou ouvir, sem sentir absolutamente nada, sem poder reagir, para que eu não tentasse escapar. Isso explicava a sensação de extremo vazio e desolação, mas ainda não explicava como Alec se aproximou de nós sem que percebêssemos.
- Como você não foi pêgo? Alice veria você chegando, meu pai te notaria à quilômetros. – Essa dúvida estava me matando, por quê poderia muito bem ter havido uma briga depois que Alec me apagou, e se houve briga, houve perdas, e eu precisava saber alguma coisa além de...nada.
- Vamos deixar esse pequeno detalhe em mistério por enquanto. – Um sorriso simpático surgiu no canto de seus lábios e seus olhos me fitaram com uma curiosidade lisonjeira. Eu queria exigir mais respostas, mas algo na expressão dele me fez parar por um minuto. Qual era a dele afinal? Se ia me manter trancada deus-sabe-lá-onde esperando Aro decidir o que fazer comigo, eu gostaria que ele não parecesse tão gentil, isso só tornava as coisas mais difíceis. Eu sempre fui muito direta com relação aos meus sentimentos, não havia meio termo. Se ele era meu inimigo, eu o odiava. Se ele feriu alguém que eu amo, eu o odiaria em dobro. Tantas coisa giravam em minha mente...e mesmo com todo o caos, eu não conseguia me sentir desesperada. Havia uma friesa em meus sentimentos, que de imediato me alertou – era como se eu pudesse observar todos os fatos de um ângulo externo.
- Do que se trata tudo isso? Eu quero dizer, o que vocês pretendem? Qual é o grande plano? – As palavras saíram monótonas, frias, e eu pude ver na expressão de Alec que ele achava essa minha reação tão inusitada quanto eu. Talvez tenha sido isso que o fez falar, e eu o ouvi, absorvendo e guardando palavra por palavra quer saía de sua boa delicadamente desenhada.
- Você é esperta, devo reconhecer isso. Você percebeu o que estava acontecendo antes de qualquer um, e acredite, nós cobrimos bem nossos rastros. – Ele parou em minha frente e me observou mais atentamente, eu sustentei seu olhar com firmesa, podia sentir meus olhos impacíveis. – Sabe...Nessie, não é? – Ele parou, esperando uma confirmação, eu não queria que ele me chamasse assim, só pessoas queridas me chamavam assim, ele não tinha esse direito. Contudo, preferi ficar em silêncio, eu queria mantê-lo falando. – Você é diferente dos outros da sua espécie. E não eram muitos para se considerar...
- Eram? – Interrompi. Heidi então estava falando sério quando disse que eu era a última de minha espécia nojenta? Alec me olhou mais uma vez, e eu senti seus olhos penetrarem minha alma. Seu rosto não denunciava nenhuma reação a minha pergunta.
- Sim, eram. Nós caçamos e matamos todos os outros. – Ele falou isso com uma serenidade quase doentia. – Dois meses após nosso...encontro, Aro colocou a guarda em movimento. Fomos para as florestas do sul e não foi difícil para Demetri encontrar os outros mestiços. – Ele suspirou e olhou para algo além de mim. A friesa em meu corpo oscilou, Nahuel e suas irmãs, caçados e abatidos como animais.
- Por quê? – A pergunta escorregou de meus pensamentos e escapou por meus lábios. Alec colocou as mãos nos bolsos de seu terno preto e impecável e me olhou daquele jeito ilegível dele. Ele parecia se fazer a mesma pergunta.
- Aro passou esses sete anos limpando a bagunça que vocês fizeram. – Apesar da acusação, Alec falava lenta e suavemente, quase como se estivesse comentando sobre o tempo. – E devo dizer que foi uma campanha bem sucedida, talvez até demais. – Ele sorriu, mas o sorriso não alcançou seus olhos. Era estranho, havia um cansaço intrínseco em seus olhos felinos, que não condizia com o estigma durão e impiedoso de um Volturi. Eu o olhei enojada, e isso pareceu perturbá-lo.
- Entenda. – Ele disse, desviando de meu olhar. – Nós precisávamos reestabelecer a ordem depois daquele pequeno motim. Nosso mundo precisa de controle, nossa espécie também precisa de governo, e como todo governo, nós também temos oposição. – Um segundo de silêncio se passou, então ele contornou meu corpo suspenso pelas correntes em meus pulsos e disse: – Se a notícia se espalhasse, nós teríamos muitos problemas. E Aro sabia disso no momento em que partimos de Forks. E então, nos anos seguintes, nós limpamos a bagunça. – Ele suspirou outra vez e se colocou de frente para mim. Mais uma vez aqueles olhos injetados penetraram minha alma. Eu não sabia dizer por quê sentia isso quando ele me olhava, talvez fosse parte do poder dele, invadir nossos sentimentos e sensações daquele modo tão peculiar. Começei a imaginar as coisas que Alec me contou, e fazia pleno sentido. Soava como Aro. Eu me lembrava de muita coisa daquele dia, foi algo que me perturbou durante muito tempo. As conversas sobre os motivos de Aro mover toda a corte, o “julgamento teatral” dos anciões que meu pai descreveu, o desejo de Aro pelo domínio dos poderes de Alice, sua cobiça pela matilha... E eu me lembrava também da indignação e disposição dos que estavam presentes de provarem minha inocência – ou bem, minha não selvageria. Tudo aquilo – toda farsa – ficou exposta, e Aro teve que recuar. Eu podia imaginá-lo, confrontado pelo desejo de poder e pela reputação de seu clã. “Limpar a sujeira” parecia algo inteligente e eficaz para se fazer na posição em que ele estava, mas era também arriscado. Todos os vampiros que estiveram naquela clareira para testemunhar a meu favor, estavam cientes do risco, sabiam que estavam com a mira na testa, mas ninguém sabia ao certo como Aro reagiria àquilo. Bem, pelo que parecia, ele resolvera silenciar as testemunhas do ocorrido. De imediato me vieram à mente os rostos, mas um rosto me preocupava em particular...
- Alec. – Ele pareceu sobressaltado ao ouvir seu nome sair de minha boca num tom tão natural, na verdade eu mesma achei estranho.
- Sim. – Ele respondeu, igualmente amigável. Sua expressão estava leve enquanto me observava.
- Vocês... – Eu exitei. – Vocês mataram todos? – Minha voz saiu embargada e eu me aborreci com isso, não queria demonstrar o quanto eu sentia por aquilo tudo. Alec também exitou, seu olhar oscilou por um instante, então ele disse:
- Como disse, foi uma campanha bem sucedida. Eliminamos quase todos que estiveram presentes naquele dia. – Engoli o que parecia ser uma bola enroscada em minha garganta. Alec esperou com o olhar ainda preso em meu rosto. Deus, quase todos. Mortos. Por minha culpa. Eu nem me lembrava de todos, apenas alguns nomes se destacavam em minhas lembranças: Benjamin, Maggie, Garret, Kate, Tânia, Eleazar, Senna, Zafrina...
- Alec, quem resta? – Perguntei, e dessa vez minha voz saiu quase como um grunhido. Alec não respondeu, apenas ficou me encarando como seu eu fosse alguma coisa de outro mundo. – ALEC. – Insisti, eu precisava saber, eu merecia isso. A vida de todos eles se perdeu para que eu tivesse o direito de viver. Alec fechou os olhos - e isso me sobressaltou muito, era um genuíno sinal de fraqueza, não condizia com sua força, seu poder. Um segundo depois ele os abriu e me fitou com uma determinação quase hostil.
- Restam o clã Denali, os Cullen e o clã da Romênia. Há alguns em Volterra, sob a vigílha da guarda e um ou dois foragidos. – Ele parou e sua expressão se tornou mais soturna. – E claro, os transmorfos, Aro quis deixar os melhores para o final. - Ele se afastou, sumindo na escuridão que nos rodeava, e me deixou com meus pensamentos – um misto de alívio por minha família estar incluída nos “assuntos pendentes” e horror por todas as outras vidas que se perderam, e as que ainda estavam em perigo enquanto eu permanecesse aqui. Não que eu acreditasse que pudesse fazer muito, mas eu definitivamente não queria ficar presa aqui enquanto Aro completava sua “faxina”.
- Me tire daqui. AGORA. - Um grito estrondoso e hostil irrompeu de mim, e era tão colérico que não pensei ter saído de minha boca. Usei toda minha força para me desprender das correntes, mas como eu pensei, ele tinha se certificado de que elas me mantessem alí o tempo necessário – ou pelo menos até Aro dar a ordem para me matar.
Alec não voltou naquela noite.

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MensagemAssunto: Re: Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee   Hoje à(s) 09:15

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Rising Sun(Sol Nascente) A história de Renesmee
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