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 Acordo de Cavalheiros (PG-13)

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Belzinha
Acampando
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Idade : 35
Número de Mensagens : 408
Data de inscrição : 18/07/2008

MensagemAssunto: Acordo de Cavalheiros (PG-13)   Qui 21 Jan 2010, 13:29

Título: Acordo de Cavalheiros.

Autor: Belzinha.

Categoria: AU.

Advertências: Spoilers de todos os livros da série “Harry Potter”, especialmente “Os Contos de Beedle, O Bardo”; e todos os publicados da série “Twilight”. Ligação com a fanfiction “crossover” “Aquela-História-Ainda-Não-Nomeada”.

Classificação: PG.

Capítulos: One-shot.

Completa: [X] Yes [ ] No.

Resumo: Estamos no ano de 1492. Sir Nicolas de Mimsy Porpington é um barão menor do reino de Henrique VII, da Inglaterra. Precisando de dinheiro para investir em suas terras, e estando o reino em tempos de paz, Sir Nicolas parte para a França a fim de participar de um torneio e arrebatar o prêmio. Mas o corajoso nobre inglês não tem idéia das forças sobrenaturais que irá encontrar no caminho...
Fanfiction que escrevi para dar de presente para a GRACE BLACK, no amigo secreto do Natal de 2008.

Acordo de Cavalheiros


- Parte I -



Na época em que Sir Nicolas de Mimsy Porpington era vivo, as guerras eram constantes e a fome, corriqueira. Um rei dificilmente vivia o suficiente para ver seu rosto cunhado em uma moeda, de forma que desconfiava de todos e temia a própria sombra.



Mas, se você não era pobre o suficiente para se preocupar com a fome, nem poderoso a ponto de ser assassinado, até que as coisas não eram tão ruins.


Este era o caso de Sir Nicolas, um barão menor do reino de Henrique VII. Quando não havia guerras nas quais empenhar seus esforços pessoais e os de seu povo, ele dividia seu tempo entre a administração de sua propriedade e as recreações próprias de seu tempo.


E um dos grandes entretenimentos existentes no ano de 1492 era a “Justa”. Tais eventos nada mais eram do que torneios, competições onde os nobres se enfrentavam em várias modalidades. Portanto, em tempos de paz, as “justas” eram eventos popularíssimos, pois proporcionavam tanto diversão quanto renda para que nobres endividados mantivessem a pose e a fortuna de uma só vez.


O que também era o caso de Sir Nicolas.


- Oh, não, milorde! – Sussurrou aflito James, seu escudeiro. – Parece que sua fama atravessou o mar! Fomos descobertos!


O cavaleiro seguiu o olhar do garoto até um grupo de padres que, passando a pé por eles, faziam o sinal da cruz enquanto murmuravam palavras em latim.


- Acalme-se, meu jovem. – Sir Nicolas disse. – Os religiosos não estão fazendo isto por causa de nossa... “Condição”. Mas porque viram a armadura, os cavalos, a espada, escudo e toda a indumentária própria para participar de um torneio. A Igreja desaprova as justas.


- Porque desaprovam o que vamos fazer - – James encarou-o confuso - nos benzeram?


- Certamente. Rogando aos céus para deixarmos nossa vida violenta e retornemos ao caminho do Senhor.


Sir Nicolas fechou mais a capa de montaria que usava. Fazia frio, apesar de terem viajado para o sul, e o barão começava a se perguntar se tinha realmente sido uma boa idéia ir para tão longe só para participar de uma justa. Ninguém o conhecia naquela terra, mas a Igreja era mais rígida ali para os de sua “condição” do que a velha Inglaterra.


E ter trazido o jovem James consigo talvez tivesse sido erro maior ainda. O garoto nunca tinha ido a qualquer torneio, apesar de estar sendo treinado pelo próprio Sir Nicolas nas artes da Cavalaria. Se algo lhe acontecesse, quem cuidaria de James?


Quanto à posição da Igreja em relação às justas, não podia deixar de concordar, ainda que em parte. Afinal, não era incomum que os competidores fossem gravemente feridos, ou até mortos nelas. Estava prestes a dizer isso para seu jovem escudeiro, quando o rapaz o surpreendeu com um comentário:


- E o que a Igreja diz sobre os antigos Cruzados , sir? Também os chama de pecadores?


Sir Nicolas reprimiu o riso, pois não era sábio encorajar o desrespeito de um jovem impulsivo como James contra a Igreja.


- Empregar violência para o benefício de causas santas é aceito, James.


- Então, sir, talvez, se parte do dinheiro das inscrições das justas forem para a Igreja, ela ache que esta seja uma causa santa.


Desta vez, Sir Nicolas gargalhou.


- E talvez – o nobre disse assim que se recuperou das risadas - você devesse estar na política, e não na cavalaria, meu jovem de língua ferina.


- Milorde sempre está tentando me fazer mudar de ofício. – James ressentiu-se.


- Meu garoto, conhece os motivos. Você estaria muito melhor em Hogwarts, aprendendo tudo o que puder para um dia assumir algum posto entre os de nossa origem. Já tem quinze anos, James. Deveria ter ido há muito tempo para lá.


- Milorde me permita lembrá-lo que o senhor só foi para o norte quando tinha dezesseis.


- O que lamento profundamente. Meus dias como aprendiz da nobre Casa de Grifinória foram os melhores da minha vida. Mas eu tinha títulos e responsabilidades herdados de meus ancestrais. Tive que primeiro cuidar destas responsabilidades. E depois de Hogwarts, tive que voltar e assumir minha posição entre os comuns.


- De forma que milorde acredita que sou afortunado – havia uma ironia triste em sua voz - por ser o terceiro filho de um nobre empobrecido.


Sir Nicolas silenciou-se por um momento, pensando no que responder. Era nestas ocasiões que se sentia muito, muito velho. A vida de Sir Nicolas era boa – nem pobre demais, nem poderoso demais, lembram? – mas isto não quer dizer que tudo fosse flores para nosso paladino.


Há três palavras que explicam todos os problemas de Sir Nicolas, duas das quais já foram mencionadas: nobre e endividado.


E tudo por que... Sir Nicolas era um bruxo.


As pessoas poderiam imaginar que, sendo detentor de conhecimentos mágicos, não haveria problema que se interpusesse na vida do cavaleiro inglês: bastaria um feitiçozinho ou uma poçãozinha e tudo estaria bem! Mas os bruxos sabem que magia não resolve todos os problemas, pelo contrário: às vezes, ela os causa.


Sir Nicolas, por exemplo, apesar da posição relativamente confortável na sociedade, não escapava da interminável corrente de superstição e preconceito dos não-bruxos. Era terrivelmente aborrecido e trabalhoso lidar com as conseqüências que uma pequena mágica poderia causar.


Assim, ele precisava dos servos.


No entanto, por mais que tentasse ser discreto, por mais que se esforçasse por parecer completamente comum perante aqueles que não possuíam magia, Sir Nicolas não podia negar o que era, e acabava por se comprometer diante dos olhos esbugalhados de algum servo. E eles, é claro, fugiam assim que podiam.


“Preciso arranjar mais servos bruxos”, dizia a si mesmo constantemente. O que não era uma tarefa fácil, uma vez que já naquela época a população mágica era escassa. E quem, entre os bruxos, ira querer ser um servo? Se pelo menos pudesse ter alguns elfos domésticos...


- Não, não há muita escolha para nenhum de nós, James. – Finalmente respondeu ao garoto.



- Mas acredito, sinceramente, que suas opções são mais felizes do que as minhas. Agora chega de falarmos nisso, pois chegamos à estalagem.


Mas uma criatura de beleza celestial encontrava-se em frente ao estabelecimento. A mera visão da dama deixou Sir Nicolas sem fala, seu corpo paralisado sobre a montaria enquanto seu coração batia ferozmente.


A pele dela era tão branca que chegava a ser quase transparente, com aparência muito delicada e fina. Os longos cabelos eram de um negro tão profundo quanto a noite e tão brilhantes quanto as estrelas. E os olhos, da cor do mel, eram hipnotizantes.


- Desculpe-me o atrevimento, sir – a voz de James, a seu lado, tirou-o do devaneio – mas não acha que a dama é muito nova para o senhor?


Sir Nicolas piscou várias vezes os olhos até que a pergunta de seu escudeiro lhe fez sentido. Torcendo a boca em leve irritação, respondeu:


- Não, não acho. – Em seguida, com mais ênfase: - E não, não desculpo o atrevimento. – Com um bufo, acrescentou: - É isso que eu ganho por te dar tanta intimidade, James. Outro cavaleiro teria te chicoteado e mandado dormir com os cavalos, sem o jantar.


O garoto abaixou a cabeça para esconder o sorriso que despontou em seu rosto. Pelo canto dos olhos, observava a linda mulher em frente à estalagem. Era como se nenhum olhar pudesse se desviar de seu rosto, como se todos estivessem enfeitiçados...


- Sir... Acha que ela é uma bruxa? – O escudeiro perguntou impulsivamente.


- Quieto, James! – Sir Nicolas ordenou, alarmado com a ingenuidade do menino em dizer tais coisas. Sussurrando, acrescentou: – As mulheres encantam os homens, e não precisam ser bruxas para realizarem tal feito.


Sir Nicolas desceu de seu cavalo, entregando as rédeas para que James tomasse conta. A dama aguardava também montada em seu cavalo e cercada por uma comitiva. Com uma elegante mesura, Sir Nicolas a cumprimentou. Tendo em vista a forte e carrancuda escolta que a lady ostentava, achou melhor não lhe dirigir a palavra e entrou na estalagem. Era quase como se seu instinto de sobrevivência lhe dissesse que assim era melhor.


“Bobagem!”, Sir Nicolas riu consigo mesmo, sacudindo os ombros em pilhéria.


Naquela época, os locais para se hospedar não eram somente para dormir. Eram um misto de taverna, hotel e, muitas vezes, prostíbulo. A taverna era logo na entrada da estalagem, e estava cheia. O ambiente estava muito mal iluminado e os rostos dos freqüentadores ficavam envoltos na penumbra.


O cavaleiro hesitou por um momento, reconsiderando a idéia de pernoitar ali. Mas chegou a conclusão que era melhor do que passar a noite acampado, ao ar livre, e ficar sujeito a assaltos. Não que não existisse a possibilidade de serem assaltados na taverna, mas pelo menos ali ele poderia lançar um feitiço de vedação nas portas e janelas. Sir Nicolas lembrou-se que era muito difícil lançar um feitiço ilusório para isolar o acampamento de possíveis visitantes indesejados.


Uma vez decidido que dormir sob a luz das estrelas estava fora de cogitação, sir Nicolas se dirigiu até o estalajadeiro para conseguir acomodações. Descobriu que não havia quartos naquele lugar e – conforme informou o estalajadeiro, com certa ironia – provavelmente em qualquer lugar do vilarejo, graças às multidões que vieram para o torneio.


- Sir – chamou alguém as suas costas – Sir, minha senhora solicita ser apresentada ao senhor.


Era homenzinho atarracado, vestido à moda dos servos, que apontava para fora da estalagem. Pela porta aberta, Sir Nicolas só conseguia ver a comitiva da lady que encontrara ao chegar.


- E quem é sua senhora?


- Lady Grieve, sir. – Respondeu o homenzinho. – Esposa de Dom Marcus Volturi, de Volterra.


***


A dama, Lady Grieve, oferecera-se gentilmente para hospedá-lo no castelo de sua família. Sir Nicolas descobrira que ela era francesa e que se casara com um nobre italiano. O casal viajara com toda a sua comitiva – o que incluía uma considerável escolta – até a cidade natal de Lady Grieve para assistirem ao torneio.


Sir Nicolas era um homem afável e alegre. Sua boa índole o impediu de desconfiar de tão generoso convite vindo de alguém que, embora nobre como ele, era de uma posição muito superior ao seu simples baronato. Era fácil perceber a diferença entre eles: o nobre inglês viajava sozinho com seu escudeiro, dois cavalos, uma bolsa com algumas moedas e a indumentária de um cavaleiro, nada mais. O que contrastava com a esplendorosa comitiva dos Volturi.


Lady Grieve falou em “gentileza entre os nobres”, mas James sabia que isto não era suficiente para sensibilizar a ociosa classe. Ele e sua família sentiram na pele esta verdade, pois nenhum de seus vizinhos se sentiu inclinado a ser solidário com eles, embora seu pai fosse um cavaleiro do rei.


Não sabia como explicar o que sentia em relação aos nobres estrangeiros, mas não era bom. As pessoas se aglomeravam ao redor deles como os insetos atraídos pelas chamas das velas, mas eram igualmente perigosos.


Quando em ambientes formais, James mantinha-se por perto de Sir Nicolas, mas nunca junto a ele. Tomava uma atitude de subserviência que cabia a um escudeiro. No enorme salão do castelo de Lady Grieve era servida uma lauta refeição para o almoço e o barulho das conversas enchia o ambiente. Ainda assim, incompreensivelmente, o lugar era mantido na penumbra.


Sir Nicolas estava sentado em uma das mesas do salão, com Lady Grieve ao seu lado e, ao lado desta, o marido, Dom Marcus Volturi. O homem era muito estranho, mais ainda que a esposa. Apesar de não ser um ancião, sua aparência externa lembrava alguém muito velho, muito antigo. A pele era ainda mais fina que a da esposa, poeirenta até.


Foi então que James viu a tapeçaria que cobria a parede em frente à mesa onde estavam Marcus, Grieve e Nicolas tremular de uma forma que só podia indicar que havia alguém atrás dela. Uma passagem secreta, talvez? Pessoas se esgueirando sorrateiramente pelas paredes não poderia ser boa coisa.


Tinha que arranjar uma desculpa para averiguar.


- Milorde, gostaria de mais vinho? Buscarei para o senhor. – James perguntou ao velho cavaleiro. A porta da cozinha estava no mesmo caminho da tapeçaria.


- Não, meu rapaz, não é necessário. – Distraído na conversa com os seus “novos amigos”, Sir Nicolas sequer olhou para o escudeiro. – Logo um dos servos trará uma nova jarra.


- Tem certeza, milorde? – Falou mais firmemente.


- Hãaaa... – Parecia que tinha finalmente percebido a urgência do garoto, embora não entendesse. Talvez o jovem estivesse aborrecido e quisesse dar uma volta. – Tem razão, vá buscar, James.


Ele atravessou o salão o mais rápido que o vai-e-vem de criados permitia, sem tirar os olhos da tapeçaria. Tudo ficara quieto por lá, mas James tinha certeza que vira uma pessoa espiando por trás dela.


Estava a dois passos de lá quando uma pequena parte do tecido da tapeçaria foi afastada para a direita, revelando a parte posterior de um arco e a ponta da flecha já armada. Lentamente, o objeto foi posicionado e James não teve dúvidas que o alvo era o ocupante da mesa a alguns metros à frente.


Em alguns segundos tudo fez sentido para James. Iriam matar Sir Nicolas.


Lançou o corpo contra o do atacante e ambos acabaram caindo dentro da passagem secreta. Na queda, James sentiu que seu corpo bateu em uma espécie de alavanca, fechando a passagem.


O assassino lutava contra ele na escuridão do esconderijo, mas foi só quando tentava segurá-lo pela capa, impedindo-o de fugir, percebeu que segurava uma longa trança.
Uma mulher!



- Solte-me, seu idiota! – A mulher gritou – Por que me impediu, canalha, estúpido, comparsa do inferno!


- Você tem uma língua bem suja, não? – Estava atônito, a cada minuto a situação ficava mais estranha ainda. – Por que tentava matar meu senhor?


- Seu senhor? – A atacante expôs seu rosto ao pequeno raio de luz que entrava por um orifício na parede e James pôde ver que se tratava de uma garota, provavelmente de sua idade. – Então serve a estas criaturas das trevas, seu cretino, desalmado! É um deles também?


- Do que é que está falando? Você estava tentando matar Sir Nicolas de de Mimsy Porpington, meu mestre.


- É claro que não, seu idiota! Eu queria matar os Volturi!


James arregalou os olhos. Aquilo estava ficando cada vez pior.


- Por que iria querer fazer isto? O que eles lhe fizeram?


- Ah, seu inglês intrometido, não tem a mínima idéia do mal que fez quando me impediu de acabar com aquelas aberrações...


- Cale-se! – James estava começando a entender. Provavelmente os Volturi eram bruxos, como ele supunha desde o início. Já estava cheio o bastante de toda aquela bobagem supersticiosa dos comuns para se sentir ofendido também.


- Não vou me calar, inglesinho! Ouça bem o que eu vou lhe dizer, porque vou fazê-lo apenas uma vez! Eu sou Desiré du Larc, filha de Pierre Du Larc, senhora do Castelo de Etienne por direito de nascimento! E vim em busca de vingança contra a morte de meus pais e de meus irmãos, vingança contra os filhos do demônio que os mataram, os Volturi!


***


James não sabia o que pensar. Era difícil tomar uma decisão e sequer sabia se era direito que ele a tomasse. Sabia que Sir Nicolas e ele eram hóspedes dentro dos domínios de Lady Grieve e qualquer crime que fosse cometido ali deveria ser imediatamente comunicado a ela e a seu marido, pois eram eles que tinham o poder, além do próprio rei Carlos, da França, de julgar e punir uma tentativa de assassinato.


Mas era possível que se tratasse de algo envolvido com a Comunidade Bruxa. A garota, ainda louca de raiva e frustração, esbravejou algumas palavras e insultos que o levaram a acreditar que havia elementos sobrenaturais na história dela.


Não sabia se os Volturi eram bruxos, não poderia recorrer a eles e se arriscar por em risco Sir Nicolas, ele, e qualquer outro bruxo que estivesse envolvido. Por outro lado, não tinha como deixar a garota e procurar Sir Nicolas em segredo. O único jeito era descobrir o que estava acontecendo primeiro e depois decidir o que fazer.


Conseguiu convencer a garota – Desiré du Larc, conforme alegava – a mostrar-lhe como usar os corredores secretos para se chegar até a adega, onde poderiam conversar sem medo de serem ouvidos, pois o almoço estava terminando, e com o burburinho diminuindo poderiam ser ouvidos do outro lado das paredes.


Chegando lá, James a fez se sentar e, mantendo-se em pé em frente, intimou-a a contar tudo.


A expressão da garota era um misto de repugnância, desprezo, raiva e tristeza quando iniciou a narrativa:


- Eu sou de um pequeno vilarejo ao sul. Meu pai era o senhor loca. Eles chegaram ao entardecer, quando o crepúsculo já despontava no horizonte. Meu pai viu a grande comitiva e logo percebeu que se tratava da alta nobreza, gente muito importante. Pararam em frente aos nossos portões e pediram abrigo para aquela noite. Papai sempre desconfiou de estranhos, especialmente estrangeiros, mas, mesmo percebendo o sotaque dos recém-chegados ele não ousou negar acolhida, pois os grandes nobres costumam casar seus filhos com os filhos de outros nobres importantes, muitos deles estrangeiros. Meu pai temia que pudesse ofender um conde, duque ou até mesmo o rei. Então, deixou-os entrar.


- Disseram seus nomes?


- Não esconderam sua identidade. Anunciaram em alto e bom som que eram os Volturi de Volterra. Nós já havíamos ouvido falar neles. Alguns trovadores que se hospedaram em nosso castelo anos antes tinham contado histórias sobre eles e como eram reverenciados em seu país.


- Por que revelaram quem eram, se pretendiam...


- Não deixar testemunhas? – Ela completou com raiva e ironia.


- O que... Aconteceu?


- Meu pai os recebeu com as honrarias dignas de reis. Acomodou todos os Volturi, esposas, soldados e criados. Minha mãe mandou fazer um banquete cujo luxo nossa pequena aldeia não estava em condições de bancar, mas mesmo assim ela o fez. – Ela riu, amarga. – Quanta ingenuidade a nossa! Eles não precisavam de camas ou esteiras, pois não dormiam. Eles não precisavam de comida, porque não comiam. Pelos menos, não a comida que lhes demos...


- Mademoiselle... – James sentiu um arrepio na nuca, como que antecipando a revelação terrível que a garota iria fazer.


- Eles esperaram que todos caíssem de tanto sono ou de tanto vinho. – Desiré continou, alheia à interrupção de James. - Podiam fazer isto sem problemas, afinal, não precisavam de sono ou de bebida. Esperaram pacientemente e então...


Com um gemido abafado, a face da donzela se retorceu em horror. A lembrança da fatídica noite fez cair por terra a postura dura e fria que mantinha até aquele momento.


Em um reflexo, sem pensar no que estava fazendo, abraçou-a. Seu treinamento para cavaleiro o impelia a proteger e salvar damas indefesas. No lugar de rejeitá-lo, como James esperava que fizesse, ela aceitou o consolo daquele estranho a quem momentos antes odiava tanto por mantê-la longe de sua sonhada vingança.


- Eles não são humanos! – Ela terminou. – São monstros que se alimentam de sangue. Têm força, agilidade e rapidez que não podem ser humanos. E... eu me escondi no duto de dejetos. Não sei porque não me acharam, todos os que se esconderam em outros locais foram achados, era como se as criaturas pudessem adivinhar onde estavam. Naquela altura eu já tinha visto meus pais e meus irmãos mais velhos mortos no salão principal. – Ela soluçou. – Devem ter sido os primeiros a serem mordidos.


- Mordidos?


- Ainda não entendeu? – Erguendo os olhos cheios de lágrimas e desespero, ela o encarou – Eles são vampiros.


***


Lady Grieve caminhava tranquilamente pelo jardim, sua suave figura sendo iluminada pela luz do crepúsculo. Um misto de excitação e medo tomou conta do velho paladino, como se ao mesmo tempo em que uma força colossal o impelisse até a formosa dama, outra força igualmente forte, porém de natureza diversa, o paralisasse de terror frente à mera idéia de estar com ela.


Não era o temor da rejeição amorosa. Era algo mais primitivo, substancial e cauteloso. À medida que pensava nisto, Sir Nicolas concluiu que era como se sentir caçado. Ele era a presa e Lady Grieve, a caçadora.


Mas um cavaleiro não pensava estas coisas de uma dama. Não era gentil, não era honrado, não era... Cavalheiresco. Assim atribuiu seus sentimentos ao impacto da estonteante beleza da lady e seu olhar selvagem, indomado, o que certamente devia causar este receio nos homens. Não era justo julgá-la exatamente pelo que a fazia tão atrativa.


- Milady... – Sir Nicolas fez uma leve mesura assim que a alcançou.


- Ah, Sir Nicolas, que bom que veio! Temi que milorde não comparecesse ao nosso compromisso.


- E por que eu faria algo tão imensamente descortês e estúpido, milady? – Em apenas alguns segundos, toda lembrança de qualquer suspeita havia desaparecido sob a presença embriagante de Lady Grieve.


- Milorde poderia ter interpretado mal meu convite... Na verdade, coro de vergonha só de pensar as coisas terríveis que pode ter pensado sobre mim, uma mulher casada que solicita uma audiência privada com um garboso cavaleiro como o senhor...


Lady Grieve nunca fora vista corando, sendo que sempre ostentava a mesma palidez antinatural. Tampouco, sir Nicolas poderia ser chamado de “garboso”. Mas o velho nobre estava por demais absorto nos belos olhos cor de mel para perceber o absurdo.


- Jamais qualquer pensamento ruim a respeito da dona de rosto tão angelical nasceria em minha mente, bela lady. – Gentil e suavemente, as mãos de Sir Nicolas seguraram as mãos dela entre as suas. Poderia ser tanto um gesto de conforto quanto de sedução, e definitivamente não era apropriado, sendo a dama solteira ou casada. Mas sir Nicolas simplesmente não conseguia se conter.


- Suas mãos estão frias, milady. – Comentou com ternura. – Deveria ter se agasalhado melhor, o inverno se aproxima e o ar fica frio muito rapidamente nesta época do ano. Posso lhe oferecer minha capa?


- Obrigada, mas não é frio, milorde. – Ela apressou-se a explicar. – Mas são meus nervos que põem minhas mãos tão geladas, sir, pois não consigo parar de pensar em como lhe expor meus problemas, e me sinto envergonhada em sequer pensar em fazê-lo.


Pudor e fragilidade exagerados podem ser nauseantes nos dias atuais, mas pelos idos do século XV eram considerados muito femininos, atingindo seu ápice séculos mais tarde, com a Era Vitoriana.


Além disso, Lady Grieve não parecia nem um pouco nervosa momentos antes, enquanto caminhava despreocupadamente pelo jardim. Mas sir Nicolas continuava deslumbrado demais para raciocinar.


- Minha pobre jovem, pode abrir seu coração para mim. Dou minha palavra de cavaleiro de Sua Majestade, o rei Henrique, que o que aqui for pronunciado irá para o túmulo comigo.


Sir Nicolas não tinha noção de como suas palavras eram adequadas para o que Lady Grieve tinha em mente, e se ele não estivesse sobre o domínio da influência da dama, talvez tivesse percebido o brilho triunfante em seus olhos e o dissimulado sorriso em seus lábios.


- Sendo assim, sinto-me mais segura para revelar-lhe o que me aflige. – Ela abaixou um pouco a cabeça em sinal de embaraço. – Milorde, ouvi falar que é um homem de muitos recursos.


- Não alcancei o sentido de suas palavras, minha cara... – Ele piscou, confuso. – “Recursos”, como?


- Rumores, sir, de pessoas que ouviram falar do senhor. Histórias sobre sua fama na Inglaterra...


O cavaleiro empalideceu visivelmente, embora ainda estivesse muito longe de alcançar o tom quase transparente da dama a sua frente.


- Por favor, não se preocupe! – Lady Grieve estendeu as mãos em um gesto tranqüilizador. – Não pretendo revelar o que sei, até mesmo porque não o julgo por ser o que é. Aprendi que há muitas formas de existir no mundo, sir.


E a “forma de existir” de Lady Grieve era especialmente preocupante.


- Mas então... O que deseja de mim, milady? – O susto havia dissipado um pouco do deslumbramento em Sir Nicolas e sua voz soou cheia de cautela, embora ainda gentil e prestativa.


- Algo insignificante para alguém com vossas habilidades, pelo que eu ouvi falar, milorde. – Ela respondeu com humildade, quase subserviente. – Carrego comigo, desde muito jovem, uma imperfeição física que me entristece e me faz sentir diminuída entre as mulheres. – Ela bateu os longos cílios, assumindo uma postura depressiva.


- Defeito? – A voz de sir Nicolas era um misto de surpresa e graça. A declaração da dama abaixara as defesas do nobre novamente, a curiosidade sobre o que quer que ela tivesse para dizer atraiu sua atenção completamente.


- Sim, milorde. Meus dentes. – Ela sussurrou com grande seriedade. – Têm tamanhos desproporcionais.


- Vossos dentes? – As perguntas do sir estavam cada vez mais perplexas. – Milady, jamais notei qualquer assimetria em vossa pessoa, muito menos...


- Mas há, sim, milorde! – Ela insistiu com fervor. – Talvez, se se aproximasse mais um pouco pudesse observar...


E assim dizendo aproximou-se tanto do cavaleiro que ele pode ver todos os pontinhos dos maravilhosos olhos cor de mel. Forçando-se a olhar a boca entreaberta da dama, exclamou:
- Ora essa, é verdade! Vossos caninos são ligeiramente mais pronunciados e pontiagudos. Como não notei isso antes?



Sir Nicolas abaixou a cabeça para pegar sua varinha, que sempre trazia escondia em sua algibeira. O movimento fez com que desviasse os olhos da face da lady e expusesse mais um dos cantos do pescoço, justamente o que Grieve queria. Ela alargou o sorriso pouco antes de fazer seus caninos crescerem ainda mais, os olhos antes castanhos enchendo-se de um vermelho vivo, sanguíneo.


- Aqui está! – Exclamou sir Nicolas, ainda sem olhar para ela, quando retirou a varinha da algibeira. – Não se preocupe, milady, isto é muito simples... – “Densaugeo!” – Pronunciou apontando a varinha para a boca de Lady Grieve.


Imediatamente os dentes da dama ficaram grandes como os de um leão-marinho. E, realmente, a aparência era a de um, com os monstruosos caninos tão grossos e compridos que saltavam da boca e chegavam até o queixo.


- Ó, Merlin! – Gritou sir Nicolas assim que viu o resultado. – Acho que usei o feitiço errado! M-mas, não se preocupe, minha querida, eu lhe asseguro que consigo consertar...


- Hum! Hummmmmmm! – A lady grunhia, pois não conseguia articular uma só palavra devido aos enormes dentes.


- Deixe-me ver... Seria “Diffindo”? Não, não... Um “diffindo” iria estilhaçar seus dentes em mil pedacinhos... – O cavaleio ia conjecturando nervosamente. – “Defodio”? Não. “Deletrius”, “retractus”, “evanesco”, quem sabe...


A esta altura os grunhidos de Lady Grieve estavam tão altos que chamaram a atenção das pessoas que passeavam do outro lado do jardim. Em segundos, Dom Marcus Volturi, o marido dela, surgiu como que vindo do nada. Lady Grieve saiu correndo, as mãos encobrindo os terríveis dentes, e parou por alguns segundos para mostrar ao marido a terrível transformação antes de, humilhada, retomar a corrida desesperada para se esconder dos olhares curiosos.


Dom Marcus olhou para sir Nicolas e a varinha que este ainda segurava em suas mãos, pois o bruxo estava atônito demais para lembrar-se que tinha que escondê-la. Não demorou muito para que o italiano concluísse quem era o responsável pela tragédia de sua esposa:


- Feiticeiro! – Gritou, colérico, apontando para sir Nicolas. – Filho do demônio, atacou minha mulher!


Horas depois, embora a salvo da fúria assassina que vira nos olhos então violáceos de Dom Marcus, sir Nicolas encontrava-se preso em uma torre, despojado de sua varinha e, em conseqüência, de qualquer chance de fugir por meio de magia.


- Veja por este lado, meu filho... – Dizia o padre designado para tomar a última confissão antes que sir Nicolas fosse decapitado por bruxaria. – Ao menos, não vai mais precisar de um chapéu...


Continua...
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MensagemAssunto: Re: Acordo de Cavalheiros (PG-13)   Qui 21 Jan 2010, 13:35

Acordo de Cavalheiros

Parte II



***


James soube da prisão de Sir Nicolas quando ouviu sem querer a conversa dos cozinheiros. Não se falava em outra coisa no castelo. Ninguém o viu e ele fugiu de lá com Desiré o mais rápido que pode. Agora que sabiam que Sir Nicolas era um bruxo, ele, como seu escudeiro, era o próximo a ser perseguido.


- A culpa foi minha! – O garoto se culpava. – Se não tivesse o deixado sozinho... Sir Nicolas é valente, mas tende a confiar demais nas pessoas...


- O que você poderia ter feito? Não tinha como saber quem os Volturi realmente eram. – Desiré argumentou. – Provavelmente inventaram esta história de feitiço de crescimento de dentes só para encobrir o que são e ainda por cima eliminar alguém que sabe demais, no caso, o seu senhor. – Ele bufou, irônica: - Feitiço de dentes, pois sim! Como se os vampiros precisassem de um!


James ficou calado, pois Sir Nicolas era um bruxo de verdade. No entanto, não podia dizer nada a Desiré.


- O que vamos fazer? – Ela perguntou.


- Nós, não. Você vai ficar me esperando enquanto vou à torre libertar Sir Nicolas.


- Ficou maluco? Como pretende entrar? E como assim me deixar para trás?


- Os túneis... – James não deu importância à indignação dela. – Eles vão até a torre?


- Não vai querer entrar nos túneis da torre. – Ela declarou, cruzando os braços.


- Por que não?


- Foi assim que eu descobri uma das entradas – ela estremeceu – Os capangas dos Volturi caçam prostitutas e mendigos, pessoas das quais ninguém sente falta, e as levam para dentro do castelo atrás dos túneis. Vi-os passando pela entrada da torre. Deixam os corpos lá também, até que esteja escuro o suficiente para se livrar deles.


- E onde fica esta entrada?


Desiré sorriu:


- Você vai ter que me levar se quiser saber.


***


Os corredores secretos fediam a rato e cadáveres. Desiré estava certa, os Volturi deixam os corpos de suas vítimas ali. Eles atravessaram as longas extensões praticamente na escuridão, temendo a que a qualquer momento encontrassem um dos vampiros guardando o local. Tateavam no escuro com as mãos e os pés, pois o túnel tinha muitos degraus quando chegava à torre.


Subiram através das trevas mal-cheirosas pelo que pareceu uma eternidade até que viram buracos na parede. Acharam que havia uma passagem ali, mas eram somente buracos comuns, feitos para se espionar o que estava do outro lado.


- É Sir Nicolas! – Exclamou James, quando olhou por eles. – Achamos a sela dele! – Sir Nicolas! Aqui, é James, milorde!


- James! – Sir Nicolas se levantou em um salto. – Saia daqui, garoto! Fuja!


- Não, Sir Nicolas, vamos libertá-lo!


- Não há tempo, nem como. Escute, James: eles tiraram minha varinha, mas sei onde está. Está com Dom Marcus, ele a escondeu em uma antecâmara secreta abaixo da torre norte. Não haverá ninguém lá porque Dom Marcus e Lady Grieve foram pessoalmente buscar o carrasco. Quero que vá até lá, pegue a varinha e a use para fugir, entendeu?


- Não vou embora sem o senhor!


- Varinha? – Desiré exclamou. – Virgem Maria, vocês são bruxos mesmo! – Com um grito, ela saiu correndo de volta à escuridão.


- Quem está com você, James?


- Uma garota que sabe quem são os Volturi e... – Não havia tempo a perder se queria ajudar Sir Nicolas e impedir Desiré de estragar tudo. – Mais tarde eu conto tudo, sir, tenho que ir agora.


- Não ouse me desobedecer, James! Não tente me salvar, fuja! – Ele ainda pôde ouvir Sir Nicolas dizer antes dele também sumir na escuridão do corredor.


***
James conhecia Desiré há apenas algumas horas, mas sabia para onde ela ia. Para a garota, tanto os Volturi quanto Sir Nicolas e ele eram criaturas malignas. Então, sabendo que a varinha estava sob o poder dos Volturi, tentaria pegá-la para que não ficasse nem nas mãos dos vampiros nem dos bruxos.



Ele seguiu o barulho dos passos apressados da garota e alcançou-a bem na entrada da antecâmara.


- Quer se matar? – Ele prendeu um braço dela enquanto tampava a sua boca para impedi-la de gritar.


Os grunhidos de Desiré pararam assim que vozes chegaram até eles, vindas do outro lado da antecâmara:


- Caius! Aro! – Era a voz de Marcus. – Que bom que chegaram. As notícias que tenho vai interessá-los muito, especialmente você, Aro, que adora novidades.


“Eu pensei que Dom Marcus estivesse fora”, pensou James. “E quem são estes outros?”


- Então é verdade? Você encontrou bruxos? – Aquele chamado Aro perguntou, evidentemente animado.


- Sim. Veja – ele estendeu a varinha de Sir Nicolas – isto foi achado com o homem de quem lhe falei.


- Esplêndido! – Aro pegou o objeto em suas mãos. – Como funciona?


- Não é qualquer um que pode manejá-la, se é o que está procurando saber. Acredito que só um bruxo é capaz.


“Pode ter certeza disto”, James pensou, com raiva de vê-los se apoderar da varinha de Sir Nicolas.


- É uma pena. – Disse Caius. - Então, vamos ter que obrigar o bruxo a usá-la para nós.


- Não. – Aro contestou. – Não podemos deixar que a varinha volte para as mãos dele ou a usará contra nós.


- Está sugerindo que o transformemos primeiro? – Caius perguntou.


- Nunca! – Marcus se opôs veementemente – Nada nos garantiria que daria certo ou pior, que ele se tornasse ainda mais forte que nós. Além disto, minha esposa foi ofendida por este feiticeiro, eu exijo que ele pague com a vida!


- Marcus, deve ser mais objetivo...


Os três vampiros interromperam sua conversa quando ouviram gritos vindos do outro lado da parede. Segundos depois, Lady Grieve entrava na antecâmara segurando James e Desiré pelos ombros.


- Eu lhes disse que este mau cheiro ainda ia se virar contra nós. – Ela disse, sorrindo. – Não somos mais capazes de nem mesmo detectar o perfume chamativo de sangue jovem e saudável.


- É o escudeiro de Sir Nicolas. – Marcus disse. Olhou para Desiré: - Você... Já a vi. É a filha daquele homem da vila ao sul. Pensei que estivesse morta.


- O homem que você assassinou, seu monstro! – Desiré tentou se atacar Marcus, mas foi impedida por Grieve.


- Bem, cuidamos de você depois. – Marcus deu de ombros. – E você... – disse aproximando-se de James. – Se é escudeiro de Sir Nicolas, será que é um bruxo também? É por isto que veio aqui? Para pegar a varinha?


- Não sei do que está falando.


- Se não quer a varinha... – Aro interveio. – Talvez não se importe que a destruamos...


- Não! – James gritou quando o vampiro fez menção de parti-la ao meio. Tarde demais, percebeu que havia feito uma besteira.


- Então, é bruxo ou não, rapaz? E a garota, é também? Foi assim que escapou de nós?
Os sinos da capela tocaram e James gelou. Não era hora de nenhum ofício, e fora destas ocasiões havia apenas umas poucas em que os sinos tocavam. Invasões, incêndios, falecimentos e...



- Sir Nicolas! – Ele gritou.


- Eu tomei a liberdade de adiantar a hora da execução do bruxo. – Marcus sorriu.


Àquela altura, o corpo de Sir Nicolas jazia inerte, no chão da plataforma erguida especialmente para que o carrasco cumprisse sua tarefa.


- Desgraçado! – As lágrimas corriam dos olhos vidrados de dor e ódio de James.


- Ah, Marcus, você foi muito impulsivo... – Aro balançou a cabeça, lamentando. – Ele poderia ter sido útil.


- Ele sabia demais e era muito mais perigoso que um humano comum, Aro.


- Ele não sabia de nada! – James revelou, no auge do desespero. – Falei com ele na cela! Morreu sem saber de nada!


- Que azar o dele... – Resmungou Marcus.


- E quanto à garota? – Grieve perguntou.


- Hum... Diga-me, criança, é uma bruxa também? – Aro dirigiu-se à Desiré.


- Não! – James interveio. – Eu juro por Deus que ela não tem poderes. Por favor, a soltem, não representa nenhum perigo para vocês.


Desiré olhou para James boquiaberta, não acreditando que um bruxo, um herege, a estava defendendo.


- Oh, meu jovem, ela é um perigo, sim. Nossas leis são bem claras: humanos não podem saber de nossa existência. A relação dos vampiros com eles deve ser ou em termos de alimento, ou para serem transformados. Ao contrário do que pensa, se sua amiga fosse uma bruxa nós poderíamos considerar torná-la uma de nós... Mas sem nenhum talento especial creio que ela não nos interessa.


- Não!


- Lamento...


Então, a sala foi tomada por uma série de estalidos altos. Os soldados dos Volturi, com a velocidade própria dos vampiros, posicionaram-se na frente a seus três mestres e a Grieve, protegendo-os enquanto suas fáceis transformavam-se, distorcidos, animalescos, um aviso a quem quer que os ameaçasse.


Dez pessoas, homens e mulheres, estavam paradas no centro da câmara, encarando-os calma e altivamente. Eles vestiam roupas estranhas, com tecidos brilhantes e cheias de bordados de estrelas, luas e pentagramas. Alguns deles usavam chapéus pontiagudos.
E todos eles seguravam varinhas.



- Bruxos! – Exclamou Aro, contente. Ele saiu detrás dos guardas que o protegiam. – Que sorte a nossa! – Com um sinal quase imperceptível, ordenou aos seus homens que capturassem os intrusos.


Mas os vampiros não conseguiram chegar perto deles. Foram repelidos por uma cúpula mágica que envolvia o grupo recém-chegado.


- Acho que não, senhor. – Disse o mais velho dos bruxos.


- Quem são vocês? – Marcus perguntou agressivamente.


- Bruxos – Declarou o mesmo homem, com bom-humor.


- Isto é evidente. – Marcus rosnou. – Quem os mandou?


- Somos o Conselho dos Bruxos. Viemos aqui lhes entregar algo que lhes pertence, só isto.


- Excelência! – James gritou. – Excelência, estamos prisioneiros destas criaturas! Por favor, nos ajude! Sou um bruxo também!


- Não escute o rapaz. – Aro sorriu. – Se ele fosse um bruxo, o que estaria fazendo aqui? Não teria fugido usando magia?


- Não, se não tivesse uma varinha. – O líder do Conselho indicou a varinha nas mãos de Sir Nicolas. – É dele?


- Não, Excelência, é de Sir Nicolas de Mimsy Porpington, eu era escudeiro dele! Eles tiraram a sua varinha e o executaram!


- Mataram um bruxo? – Um dos bruxos, que carregava um colar em forma de serpente manifestou-se, parecendo irado. – Como ousaram fazer mal a um de nós? Eles devem pagar, Oberico! E soltar o jovem bruxo imediatamente! – Exigiu.


- Acalme-se, Gaunt. – O mais velho disse. – É isto que viemos trazer a vocês – Ele tirou da capa uma esfera de cristal. – É uma profecia, e tem o nome de Aro Volturi nela. Assim que ele tocar a esfera, a profecia será revelada. Nos entreguem os garotos e nós entregaremos a esfera.


- Aro sou eu – Aro se adiantou, fascinado, sem conseguir desviar os olhos da profecia. – Mas se vieram para me entregar isto espontaneamente, é porque TEM que fazê-lo. Por que nós teriamos que fazer alguma barganha com algo que já é nosso?


- É de vocês, mas não ESTÁ com vocês. – O velho bruxo declarou firmemente, e ninguém naquela sala duvidou que fosse um líder respeitado entre os seus. – Acho que a vida destas crianças é valiosa o bastante para enfrentar as conseqüências de manter esta profecia fora de seu alcance. E vocês, estão dispostos a enfrentar as conseqüências de uma batalha que não sabem se podem vencer?


O silêncio caiu, pesado e denso. Finalmente, Aro olhou para os demais Volturi, parecendo confirmar uma decisão.


- Está bem. Mas não garantiremos que a garota não será caçada depois. Ela é uma simples humana, não temos medo dela.


Os vampiros soltaram James e Desiré. A garota estava trêmula, mas James a pegou pela mão e a levou, confiante, para dentro do círculo de bruxos, que se abriu para recebê-los.


- A varinha também. – Oberico disse. – Ela não terá utilidade para vocês.


- Isto é o que VOCÊS dizem. – Marcus exclamou. – Não acham que estão querendo demais?


- Meu caro, se pensar bem, verá que estamos pedindo muito pouco. – O velho bruxo respondeu calmamente.


- Façamos o que ele disse, caro Marcus. – Aro apaziguou o amigo, estendendo a mão aberta e sustentando com ela a varinha. O objeto voou magicamente até os bruxos. – Interessantíssimo.


Os bruxos fizeram a esfera da profecia flutuar até Aro. Assim que ela pousou em suas mãos, uma voz feminina e etérea ressoou:


“Nos dias do primeiro rei das Duas Rosas, um Novo Mundo será conhecido e duas raças também conhecerão o poder uma da outra. Como o encontro das Rosas e dos Mundos, este embate será marcado por morte e sangue. Fortes demais para que uma delas vença, um pacto de separação deverá ser realizado ou a extinção de ambas será inevitável. E uma não conhecerá novamente a outra até que, nascido dos que se ocultam da Morte, surja Aquele que vencerá a Grande Misericordiosa por duas vezes”.


- O rei das Duas Rosas. – Aro parecia estar refletindo em voz alta, alheio aos demais presentes. – Henrique VII, o atual soberano da Inglaterra, uniu os Lancaster e os York, cada uma delas tendo uma rosa como símbolo.


- Muito bem. – Concordou Oberico.


- E quanto ao “Novo Mundo”?


- Não sei lhe informar. Mas o restante da mensagem me parece bem clara. Nossos dois povos devem manter-se afastados.


- Concordo. – Aro assentiu.


- Aro, você não pode... – Marcus protestou.


- Meu amado Marcus – Aro se dirigiu muito cuidadosamente a ele – Eu SEI que isto é certo. Além do quê, não era você mesmo que disse que seria perigoso transformar um bruxo? E nós, sabemos por acaso se podemos vencê-los?


- Então, que nos mantenhamos separados – Disse Caius, que até então se mantivera calado.
Vencido, Marcus assentiu.



- O Conselho dos Bruxos já deliberou e decidiu que todo o bruxo nascido ou por nascer será oculto de todo vampiro criado. Manteremos nossas vilas e comércio longe dos locais onde haja vampiros e o eventual encontro um do outro será apagado de suas memórias.


- Faremos o mesmo. – Aro riu. – Mas não temos o poder apagar as memórias, então...
James não sabia que poderia sentir ainda mais repugnância por eles, mas lá estava. Aro falava de matar sua própria gente.



Sem mais despedidas, o grupo de bruxos aparatou, levando James e Desiré com eles.


***



- Você não teve culpa, James, sabe disso, não sabe? – Oberico pôs uma das mãos no ombro do rapaz.


James assentiu, mas não estava totalmente convencido. Não sabia se algum dia a culpa o deixaria. Pobre Sir Nicolas... Uma morte tão sem sentido!


O Conselho dos Bruxos os levara de volta à Inglaterra, onde consideravam que estavam a salvo dos Volturi.


- E você, minha jovem – Oberico disse para Desiré. – Esqueça esta idéia de vingança. Sua melhor vingança será manter-se viva, pois é o que senti que os Volturi mais abominam: que seu segredo possa escapar para os humanos.


- Mas... James sabe, vocês sabem...


- Somos bruxos. Eles não podem fazer nada contra nós. Mas você é uma comum. Não tem nada que os impeça de matá-la.


- Existe sim. Eu – James disse.


- Então a mantenha sob sou proteção, meu jovem. – Oberico sorriu.


Os membros do Conselho os deixaram perto da casa do pai de James, mas ele não revelou o local exato, pedindo para que os deixassem a alguns quilômetros de lá. James tinha ouvido falar do tal Gaunt e desconfiava que ele e seu pai era inimigos.


- Não é responsável por mim. – Desiré disse, depois que os bruxos desaparataram.


- Não confia em bruxos ainda?


- Alguns bruxos salvaram a minha vida. E você, em especial, por duas vezes. Não posso deixar de confiar ou, pelo menos, dar o benefício da dúvida.


- Então vamos entrar em um acordo: você vai para minha casa pelo tempo que precisar, até decidir o que vai fazer da sua vida.


- Está bem. – Ela assentiu, depois de alguns segundos refletindo. – Vou encher nossos cantis no rio ali na frente enquanto você recolhe alguns gravetos para a fogueira, certo?


- Mandona...


- Alda logo! – Ela sorriu e desapareceu na mata.


James quase morreu de susto quando, ao se virar, viu uma forma humana e transparente flutuando ao seu redor.


- Sir Nicolas! O senhor... Virou um fantasma!


- Escute, James, tenho somente alguns momentos antes de ir embora. Algo me chama, não sei para onde, mas sei que devo ir. Então preste bastante atenção e não me interrompa.
- Use somente o seu primeiro nome agora em diante, James. – A forma bruxuleante lhe disse. – Será mais difícil eles o encontrarem assim.



- Mas, sir... – O rapaz retrocedeu, amuado. – Eu odeio o meu primeiro nome!


- James... – O fantasma o repreendeu.


- Está bem, está bem... – Bufou. – De agora em diante eu me chamo...


- Vamos lá, diga em voz alta. – Estimulou Sir Nicolas. – Treine consigo mesmo. Seu nome é...


- Por que tenho que fazer isto?


- Não sei, James, um fantasma conhece coisas que não entende! Só sei que tem que ser assim. Vamos logo, diga seu nome!


- Ignato. – O rapaz fez uma careta, como se tivesse mastigado nabos. – Ignato Peverell.


- Bom rapaz! Agora siga viagem o mais rápido que puder, até chegar na casa de seu pai. – A forma de Sir Nicolas foi desaparecendo. – Adeus, James, seja feliz...

E Ignato Peverell era o mais jovem de três irmãos bruxos que um dia encontraram-se com a Morte. Em uma barganha com ela, Ignato foi o mais sábio entre os três e pediu que a Morte lhe desse sua própria Capa de Invisibilidade. Enquanto os outros dois irmãos pereceram vítimas de sua própria arrogância, ele se manteve oculto da Morte por muitos e muitos anos...



A Capa passou de geração em geração até que chegou às mãos de um descendente distante de Ignato, que ficou conhecido entre os bruxos como “O Menino Que Sobreviveu”. Este menino era o descendente daqueles que se “ocultam da Morte”.

Fim!!!
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