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 Saga Alvura e trevas - PENUMBRA- Capitulo Quarto

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AutorMensagem
Jorge Nunes
Chegando a Forks
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Idade : 27
Número de Mensagens : 9
Data de inscrição : 07/01/2010
Localização : porto, portugal

MensagemAssunto: Saga Alvura e trevas - PENUMBRA- Capitulo Quarto   Qui 04 Ago 2011, 17:08

Capítulo Quarto

FAMÍLIA


A velocidade dos passos a que Sally se propunha dar era tão grande que se continuasse assim, chegaríamos ao restaurante num piscar de olhos. O tempo, além de passar muito depressa, parecia estar contra nós, pois já o sol se começara a esconder por detrás de algumas nuvens de cor amarelada.
Ouvíamos os pássaros cantar, agora que nos encontrávamos bem mais perto da “civilização”, pois a casa dos meus padrinhos estava praticamente num beco, a que apenas o autocarro viria, para levar alguns miúdos, contentes e alegres a cantar na sua ida a uma escola ao pé da nossa.
O famoso jantar com aquela pessoa parecia eminente e eu esperava por isso mesmo, até Sally parar repentinamente, agarrou o meu rosto com as duas mãos extremamente frias e, vindo do nada, um beijo inesperado. Era doce e profundo, tal como os seus olhos, e depois afastou-se e começou a andar de novo, mexendo ainda mais freneticamente do que o habitual os cabelos e os dedos. Dava pena ver tal coisa, estando eu com medo de que ela se pudesse mágoas com tanta rapidez.
Aliás, ela era rápida em tudo, menos quando estava atrapalhada.
Estávamos em Sutterfrin, uma cidade não muito grande, mas que dispunha de centros comerciais a abarrotar pelas costuras, uma piscina pública e alguns prédios de empresários, que se diziam ser do pior que existia. Não me admirava que assim fosse, sabia perfeitamente que Katerown era sempre melhor em tudo, mas isso mudara com o beijo de Sally. Talvez... Não, quase de certeza que se a localidade onde estava a morar, valesse quatro valores em dez, a cidade do sol estava dez pontos acima dos próprios dez, o que para mim ainda parecia ser um pouco baixo para Sutterfrin.
Quando me deparei com uma porta entrada, tendo por cima desta um letreiro vermelho com letras douradas, quase jurei que nos tínhamos chegado ao Mc'donalds, mas, ao espreitar o interior vi que o aspecto deste não se assemelhava a nada do que pensava até então. Haviam empregados a servir e pratos refinados a serem servidos. Quando custaria tal coisa? Uns trinta euros, no mínimo!
- Não posso pagar-te estas coisas Sally, não sou muito, como hei-de dizer...Rico?!


O riso aberto dela fez-me sentir melhor e menos preocupado, fazendo-me descruzar os dedos, afastei os braços para os pôr ao lado do corpo ficando a parecer uma marioneta, e surpreendentemente ganhei vida com o segundo beijo de Sally, este mais demorado e com mais fulgor. Quase fiquei sem ar, mas ela tornou os seus olhos tão encantadores que era difícil resistir, e desta vez também eu a beijei, segurando-lhe no rosto com timidez para depois sentir uma vez mais os seus lábios perfeitos.
- É aqui que a minha mãe trabalha. Não vamos pagar nada de nada, descansa.
Ao ouvir tal coisa, a princípio nem sorri, ao tentar-me aperceber de que me esquecera de algo em casa, mas ali parecia ter tudo.
- Não há problema – Sorriu uma vez mais. Quando a olhei com mais atenção, reflectiu em mim uma rapariga extremamente normal, vestindo uma camisola vermelha e calças de ganga normalíssimas, ou aliás, mais normal só na praia. Parecia absorta pelo estado do tempo, que lhe ondulava os cabelos soltos ao vento, a mostrarem algumas madeixas pretas, que eram poucas.


A princípio parecia seria e preocupada com alguma coisa que eu não conseguia decifrar, mas depois um ligeiro sorriso surgiu e mostrou o semblante bastante solto. Porém, a sua expressão mudou e ela estava a escurecer, ao mesmo tempo que fechou o sorriso.
- O que se passa?
Olhei-a de tal modo que quase caí no nervosismo que se podia ver nela, com os ombros bastante rígidos quando a toquei e ela se afastou um pouco.
- Para onde vamos?
Não conseguia fazer perguntas com nexo quando estava diante de um porto tão deslumbrante, com tanta ternura e que me fazia sentir mais presente ali do que nunca. depressa soube que estávamos já longe de casa, e que, tínhamos andado quase a tarde inteira para estar ali, com ela, num lugar que desconhecia, mas que ao mesmo tempo não me fazia tremer de medo, quase como se estivesse a chegar a Katerown de novo.
Era óbvio que conseguiria deter no rosto dela a imagem de alguém que queria estar ali, comigo, mas de novo o receio veio, e como eu estava disposto a dizer-lhe aquilo mesmo, o que sentia ao estar perto daquele ser humano quase sobrenatural de beleza e harmonia.
- Em que pensas? - Perguntei com algum interesse, estando bastante chegado a ela – Não podia deixar de admirá-la.
- Apenas a tomar uma decisão do que me apetece comer.
- Não costumas vir cá? Afinal é o sítio onde a tua mãe trabalha.
Os nossos olhos cruzaram-se quase simultaneamente, depois olhámos para o céu já escuro e desprovido de quaisquer nuvens ou estrelas. Também não havia lua, pelo menos assim não se via. Aquela questão suscitou nela um novo folgo e ela entrou, abrindo a porta discretamente, comigo a segui-la, agarrando eu a sua não bastante dura, talvez por causa da timidez.
- A tua mãe já sabe que eu estou... contigo?
- Se estás a deduzir alguma coisa, não continues com essa ideia porque estás a enganar-te.
- Ajudas-te muito na decisão de eu ficar calado a noite toda. E agora o que vou dizer à tua mãe?
Mostrava quase o corpo todo a dizer para sair dali, enquanto tremia a pensar no que a mãe de Sally me faria. Se o pai me tinha assustado com o olhar de caçador à procura de presa, o que seria de mim quando o membro mais protector da família me visse? Não me agradava sequer reflectir no assunto, e mantive a boca fechada como um velcro.

- Bem, não me vais decerto fazer mal, por isso descansa que ninguém te vai matar... Apenas se fores parecido com algo comestível aqui para o cardápio – A sua ironia chegava-me aos ouvidos em forma de um aviso do género " ou te comportas, ou viras frango no espeto."
Acenei-lhe com a cabeça e engoli em seco duas vezes, quase não querendo saber se era verdade estar ali. Decerto seria um pouco de um filme de terror, e permaneci sentado na mesa que ela escolhera, num canto do restaurante, enquanto estava calado a sentir as ondas negativas a saírem de mim, sem que, lhe dissesse alguma coisa. Ouvi a porta da cozinha a abrir-se, e uma senhora com um ar bastante alegre, dirigiu-se à nossa mesa.
Era baixa e devia aparentar os cinquenta e tais, nada que se comparasse ao pai de Sally.
- Olá eu sou o Daniel! - Disse com o ar quase a falhar, mal me levantei da cadeira num salto. Não queria fazer más figuras ali à beira de Sally.
- Esta não é a minha mãe... – Sussurrou aborrecida aquela rapariga encantadora.


- A dona Carmen já vem aí menina Sally.
Então eu virei-me novamente para a porta, e um sorriso resplandecente de alegria e muita boa disposição disparou na nossa direcção, quase silenciando os meus medos.
Usava uma camisa branca com mangas longas, e talvez a pele um pouco clara demais fosse a causa para ver aquela figura quase angélica surgir como um clarão.
Ela era perfeita, e apercebi-me de que parecia quase da idade de Sally, ao que, ainda não tinha sabido a idade por falta de ocasião. Não parecia possível alguém ser mãe da rapariga mais gira dali, e ainda haviam bastantes por ali. O olhar fitou-nos e desconcentrou-me do lugar onde me encontrava.
- Sejas bem-vindo Daniel - Congratulou suavemente, com a voz doce e igualmente aconchegante da sua filha. Ergui-me para lhe beijar a mão demasiado delicada e tremendamente frágil, pronto a parecer cuidadoso e bem-educado. Sabia que ela poderia chamar-me um puto pois o único receio que agora tinha era de perder a amizade de Sally, que me transformava numa pessoa diferente.
Não queria que tal acabasse.
- Mãe, este é o Daniel como já sabes... Ele é bestial.


Carmen ficou com um ar pensativo e esforçou-se por esboçar um sorriso mais à vontade, sem que o meu rosto deixasse de olhar o seu olhar tão jovem.
- Sally seria indelicado não apresentar além de mim, o Kev, não achas?
- Kevin, mãe, o nome dele é Kevin.
Tentei manter o olhar atento à procura de alguém tão singular como aquelas duas pessoas formidáveis, mas por agora só via casais de namorados. Cada vez que olhava para uma delas, a sua beleza parecia divina, parecendo eu demasiado rude para tal companhia. Não conseguia perceber onde poderia estar Kevin, se ali ou no exterior, ou até se nem estaria por ali e viria ali ter.
- Não vejo o teu irmão - Encolhi-me para o lado de Sally para que a mãe não percebesse o quase estúpido em que me tornara naquela altura. Mas ela agarrou-me a mão, e desta vez, quase me arrepiei com o grau de frieza da sua. Em seguida ela olhou-me com um olhar de pura satisfação e acenou a cabeça na direcção da entrada do restaurante
Ele estava a sorrir, de uma maneira mais subtil do que eu esperava, o seu olhar mostrava uns olhos verdes com uma mistura de cinzento. Pareciam duas esmeraldas a brilhar com a luz do restaurante.
- Estou muito atrasado? - Provocou ele a mãe que o olhou com um olhar fingido de alegria.
- Kev, este é o Daniel, o novo amiga do liceu da Sally.
Deparei com uma expressão quase de repugnância em relação a mim. O sorriso que trazia tornou-se controverso e agressivo. Estava com um tão carregado como se eu fosse uma criatura a querer fazer-lhe mal.
Observei-o depois a recuar dois passos, e desviou o olhar. Era um rapaz normal, quase como eu, não muito entroncado e usava uma roupa normal, tshirt e calças pretas, e tinha uma mochila de campismo. O seu cabelo era liso, quase tão liso como se tivesse acabado de sair do banho ou de algum lugar húmido.
Não parecia tão jovem como os três membros que conhecera ali então, mas mesmo assim aparentava uns dezanove anos, o que para mim era considerado jovem.
Com o olhar pregado em mim, Kevin esticou a mão e os dedos, de modo a que esta se mantivesse aberta, respondendo com brusquidão ao aperto forte que pouco depois ele me deu. Mal esses momentos passaram ele retirou-a e meteu-a no bolso das calças, de modo a que ficasse invisível.
- Vão comer o quê meninos? - Interrompeu o momento a mãe de Sally com bastante bondade.
Por infortúnio aquele episódio trouxera-me fome, ou melhor, transformara-a num género de vazio aos repelões pela barriga dentro. Parecia que viria a desmaiar a qualquer momento, não só pela presença de duas pessoas que me deixavam em plena vergonha, mas também pelo facto de ainda não ter comido nada.
De certeza que não fome não era, mas o cheiro a comida despertava uma sensação de desejo e ansiedade ao mesmo tempo. Eles não notavam a diferença mas como eu estava, mais cedo ou mais tarde eu iria fechar os olhos e cair para o chão.
Tal sucedeu de seguida, mas, ao deslizar, comigo veio também um copo que, aparentemente me pareceu cair e partir-se, tendo eu caído por cima dos vidros pequeninos com o ombro. A princípio não senti nada, porque estava meio zonzo, mas ao darem-me água gritei de um modo agudo com o contacto de algo que quase perfurou a pele. Seria parecido com um pedaço de pele levantada, estando a carne a arder e a ferver, completamente insuportável.
- Daniel tens de ser forte quando te arrancar estes dois vidros do ombro. Estás a sangrar muito.
No mesmo momento percebi que Sally estava aterrorizada, olhando de maneira quase com medo da ferida que fizera. Olhei uma vez para o ombro, e a mancha vermelha fez-me quase deixar o pequeno-almoço cá fora, o que não sucedeu. Na verdade não suportava ver sangue, e só queria que tudo terminasse, mas mesmo assim seria uma vantagem que uma "enfermeira" tão empenhada, me tratasse de todas as feridas e mais algumas. Porém, ao desviar o olhar na direcção do irmão de Sally, vi este último quase a querer espancar-me. Tinha os punhos cerrados e os olhos mostravam-se tão arregalados como se fossem sair das órbitas.
Assustei-me e recuei no colo de Sally, embora parecesse meio deitado, paralisado.
- O que é que ele tem? - Pensava eu para mim. Não era capaz de fazer a pergunta em alta voz.
- Ele ficará bem, não te preocupes. E tu também. - Informou cuidadosamente Sally, sem que deixasse de tirar o guardanapo de tecido aveludado do meu ombro.
- Preciso de água mãe, traz-me água por favor. Tal como o irmão, embora de maneira mais "soft", a mãe de Sally permanecia quase paralisada ali, a olhar-me, com um ar, não de quem queria matar, mas de quem está bastante abalado e perturbado com sangue.
Afinal o que se passaria com eles? Teriam algum problema com sangue? Alguma fobia.
Sentia-me mal se tal fosse possível, e assim teria de me acalmar para que o sangue parasse e não os incomodasse.
Aquilo tinha de acabar depressa, e eu queria isso mesmo.
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MensagemAssunto: Re: Saga Alvura e trevas - PENUMBRA- Capitulo Quarto   Seg 22 Ago 2011, 16:42

como fasso para ler os capitulos anteriores?
gostaria de começar a ler pelo começo. =D
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MensagemAssunto: Re: Saga Alvura e trevas - PENUMBRA- Capitulo Quarto   Qua 24 Ago 2011, 10:59

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MensagemAssunto: Re: Saga Alvura e trevas - PENUMBRA- Capitulo Quarto   Qua 24 Ago 2011, 14:51

agradeço jorge pela
atenção e vou ler sua fic. =D
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MensagemAssunto: Re: Saga Alvura e trevas - PENUMBRA- Capitulo Quarto   Hoje à(s) 09:13

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Saga Alvura e trevas - PENUMBRA- Capitulo Quarto
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